Irã propõe plano de 7 dias para acabar com a guerra com os EUA e reabrir Ormuz
De acordo com o chefe da diplomacia iraniana, o plano de sete dias apresentado ao governo norte-americano é semelhante ao acordo assinado pelos países em junho

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta quinta-feira, 25, que o país fez uma proposta aos Estados Unidos para acabar com a guerra, iniciada em fevereiro e suspensa temporariamente em junho, e reabrir o Estreito de Ormuz.
De acordo com Araghchi, o plano de sete dias apresentado ao governo norte-americano é semelhante ao acordo assinado pelos países em junho.
"Se certas condições forem atendidas, o estreito será aberto dentro de sete dias e as negociações começarão", afirmou o diplomata em coletiva de imprensa, no contexto da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
Teerã adota esse tom mais brando após uma semana tensa na metrópole americana. Em seu discurso, nesta terça-feira, 22, o presidente Donald Trump afirmou que "aniquilaria" o Irã caso não seja alcançado um acordo. O presidente persa, Masoud Pezeshkian, respondeu um dia depois que seu país está "pronto para o diálogo, a diplomacia e as negociações, sem aceitar a linguagem da força.”
Um funcionário americano familiarizado com as negociações afirmou ao New York Times nesta quinta-feira que os Estados Unidos mantêm conversas “positivas e construtivas” por meio de mediadores, mas que o governo não pretende se apressar para fechar um acordo.
Araghchi, por sua vez, disse que Teerã aguarda uma resposta de Washington e afirmou que seria melhor alcançar um entendimento antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
Por enquanto, a proposta estabelece um cronograma de sete dias para interromper as hostilidades e cumprir as condições apresentadas por Teerã, com a reabertura do Estreito de Ormuz no último dia e o reinício das negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Como funcionaria o plano do Irã?
Segundo Araghchi, a proposta prevê sete dias de cessação das hostilidades, seguidos pela reabertura do Estreito de Ormuz e pelo início de negociações abrangentes sobre o programa nuclear iraniano.
Durante os sete dias, o Irã também exige o fim de todas as hostilidades na região, incluindo no Líbano. Entre as demais condições estão a liberação de ativos iranianos congelados, estimados em pelo menos US$ 12 bilhões, o levantamento das sanções sobre o petróleo iraniano e o fim do bloqueio naval americano contra o país.
No sétimo dia, o Irã reabriria o Estreito de Ormuz. Depois disso, segundo Araghchi, começariam imediatamente as negociações sobre a questão nuclear.
Em entrevista à AFP, o porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana, Hossein Mohebi, também afirmou que o fim das hostilidades no Iêmen está entre as condições apresentadas por Teerã.
Plano é inspirado no acordo de junho
Araghchi afirmou que a nova proposta mantém grande parte dos compromissos previstos no entendimento firmado em junho, mas estabelece um cronograma mais rápido.
O acordo anterior previa umprazo de 60 dias para que os dois lados avançassem nas negociações sobre o programa nuclear. O entendimento, porém, não se sustentou e as hostilidades foram retomadas.
Na época, Trump e Pezeshkian haviam firmado um acordo protocolar com o objetivo de encerrar a guerra, reabrir Ormuz e, posteriormente, iniciar as negociações nucleares. O governo americano havia afirmado que faria o necessário caso o acordo fosse violado.
Irã quer retirar bloqueio e recuperar ativos
O novo plano coloca questões econômicas e militares no centro da negociação. Além da reabertura de Ormuz, Teerã exige a liberação de ativos congelados e o fim das sanções sobre o petróleo.
O governo iraniano também condiciona o acordo ao levantamento do bloqueio naval americano. O tema já havia aparecido nas conversas indiretas entre os dois países realizadas na terça-feira, com mediação do Catar.
Representantes iranianos conversaram com o enviado americano Steve Witkoff e com Jared Kushner por meio de mediadores cataris. Araghchi classificou a conversa como produtiva, enquanto o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o encontro não terminou com um avanço decisivo.
Estreito de Ormuz é peça central
A passagem pelo Estreito de Ormuz é um dos principais pontos de pressão no conflito. A rota é estratégica para o comércio mundial de petróleo e gás e teve seu tráfego afetado desde o início da guerra.
O Irã exige que navios obtenham autorização para atravessar o estreito, alegando razões de segurança e soberania. Segundo a AFP, embarcações que não cumprem essa exigência são atacadas regularmente, enquanto os Estados Unidos realizam ataques contra a costa iraniana.
A proposta de Teerã vincula a reabertura da passagem a condições econômicas, militares e diplomáticas.
Proposta surge após discursos hostis na ONU
A iniciativa diplomática foi apresentada depois de discursos com tons distintos na Assembleia Geral. Trump afirmou que “aniquilaria” o Irã caso não houvesse um acordo e reiterou que seu objetivo é impedir que o país tenha uma arma nuclear.
No dia seguinte, Pezeshkian afirmou que o Irã está disposto a negociar, mas rejeitou conversas acompanhadas de ameaças ou pressão militar.
Em seu discurso, o presidente iraniano também reiterou que Teerã não aceita limitações ao uso pacífico de sua tecnologia nuclear. O governo iraniano sustenta que não pretende desenvolver uma arma nuclear, mas considera o enriquecimento de urânio para fins civis um direito do país. A questão das inspeções nucleares também permanece entre os pontos de divergência.
Pezeshkian ainda relacionou o conflito à situação palestina e criticou os ataques de Estados Unidos e Israel. O presidente iraniano apresentou imagens de vítimas e acusou Washington e Tel Aviv de atingir infraestrutura civil.
