Irã reúne multidão em funeral de Ali Khamenei marcado por ausência do sucessor

Milhares de pessoas participaram neste domingo, 5, do segundo dia das cerimônias fúnebres do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em Teerã.
As homenagens foram marcadas pela presença das principais autoridades do país e pela ausência de seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, que não é visto em público desde o início da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel.
O caixão de Khamenei, coberto com as cores da bandeira iraniana, foi colocado na Grande Mosalla, um dos maiores complexos religiosos da capital. Ao lado dele estavam os caixões de familiares mortos no mesmo ataque aéreo que matou o líder supremo em 28 de fevereiro.
Três filhos de Khamenei — Masud, Mostafa e Meysam — fizeram uma rara aparição pública durante a cerimônia. A ausência de Mojtaba, apontado como sucessor do pai, chamou a atenção. Segundo autoridades iranianas, ele ficou ferido no ataque e, desde então, tem se comunicado apenas por mensagens escritas.
Na primeira fila da cerimônia estavam o presidente iraniano, Masud Pezeshkian, e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, além de comandantes da Guarda Revolucionária, entre eles Esmail Qaani e Ahmad Vahidi.
Em publicação na rede social X, Ghalibaf afirmou que a presença da população demonstra a força da "nação orgulhosa e invencível do Irã islâmico". Já Qaani disse à televisão estatal que a morte de Khamenei representou um "fim abençoado" após uma vida de dedicação ao país.
Chamaram atenção também as ausências dos ex-presidentes Mohammad Khatami, Mahmud Ahmadinejad e Hassan Rouhani, que tiveram relações conturbadas com Khamenei ao longo de seus mandatos.
Pedido de vingança
As autoridades decretaram feriado neste domingo e na segunda-feira para facilitar a participação popular nas cerimônias.
O governo iraniano considera as homenagens uma demonstração de unidade nacional em meio às negociações diplomáticas com os Estados Unidos, iniciadas após a assinatura, no mês passado, de um acordo-quadro para encerrar o conflito.
Durante a cerimônia, o centro de Teerã recebeu um forte esquema de segurança, com barreiras policiais e controle de acesso.
Entre os participantes, muitos pediram retaliação pela morte do líder supremo.
"Os assassinos de Khamenei devem ser castigados", afirmou à AFP um homem de 38 anos identificado como Miremadi.
"Estamos aqui para mostrar ao mundo que apoiamos nossa revolução e nosso líder, e exigimos vingança pelo sangue de nossos entes queridos", disse Bakand, de 39 anos.
Na segunda-feira, o cortejo fúnebre percorrerá as ruas de Teerã antes de seguir por outras cidades iranianas e por dois santuários xiitas no Iraque. O sepultamento está previsto para 9 de julho, na cidade sagrada de Mashhad, onde Ali Khamenei nasceu.
Representantes do Hamas e do Hezbollah, grupos apoiados pelo Irã, também participaram das homenagens. O chefe do comitê político do Hamas, Mohamed Darwish, reuniu-se com Ghalibaf durante a visita ao país.
Para receber os participantes, o governo instalou mais de 400 tendas do Crescente Vermelho Iraniano em um parque da capital e distribuiu caminhões-pipa para amenizar o calor, que deve superar 35°C durante as cerimônias.
