Irmãos criam plataforma que ajuda marcas a serem recomendadas por IA e querem faturar R$ 100 milhões

Palavras-chaves e hiperlinks por muito tempo foram algumas das características que ajudavam um site aparecer no topo dos mecanismos de pesquisa. Agora, o posicionamento já é impactado pela inteligência artificial — mais do que um bom SEO (Search Engine Optimization), a aposta atual está no GEO (Generative Engine Optimization).
Percebendo essa mudança, os irmãos Andressa e Michel Gildin investiram R$ 20 milhões para fundar a Oria, uma plataforma que ajuda empresas a aparecerem e serem recomendadas por inteligências artificiais como ChatGPT e Gemini.
“É uma plataforma global que permite visualizar e analisar como a sua marca está posicionada em diferentes IAs. Não basta saber o ranking: o diferencial está em transformar essa análise em ação efetiva”, diz Michel.
O negócio foi lançado em março deste ano e já conta com 100 clientes. Até o final de 2026, a expectativa é chegar a 500 clientes e, em cinco anos, a meta é chegar a um faturamento de R$ 100 milhões.
A empresa entra no setor de inteligência artificial aplicada ao marketing, que já faturou US$ 20,4 bilhões no mundo em 2024, segundo a Grand View Research. A expectativa é que o mercado ultrapasse US$ 80 bilhões até 2030.
Qual é a história dos irmãos — e como a ideia nasceu
Formada em arquitetura, Andressa percebeu o avanço da tecnologia e se especializou em design e desenvolvimento de plataformas de Software as a Service. Seu irmão, Michel, é formado em administração e, em 2013, criou uma empresa de assessoria de imprensa.
Dentro do setor de comunicação, ele sempre buscou levar tecnologia para a área e, recentemente, percebeu a importância da inteligência artificial para a relevância dos clientes.
“O posicionamento das marcas nas IAs é fortemente influenciado por matérias e veículos de comunicação. Foi a partir dessa percepção, e de uma demanda crescente dentro da assessoria de imprensa, que surgiu a ideia de criar um novo serviço”, afirma Michel.
A Oria foi criada em março de 2026 como uma empresa independente. Com a ideia em mente, ele convida sua irmã para ajudar na programação da plataforma.
A tecnologia desenvolvida mostra dados relacionados ao posicionamento do site de uma empresa e propõe soluções para que os textos sejam recomendados mais vezes pelas IAs.
A plataforma da Oria monitora a presença de marcas em ferramentas de IA e sugere ações para ampliar sua visibilidade (Divulgação)
“Começamos com uma versão beta e uma série de testes para entender como as IAs interpretavam e ranqueavam marcas e conteúdos. Esse processo foi essencial para validar a tecnologia, ajustar o produto e evoluir a plataforma com base em dados reais e feedback dos primeiros usuários”, diz Andressa.
Diferente do modelo consolidado pelo Google, em que a lógica de pesquisa é mais estável e previsível, os modelos de IA generativa podem apresentar respostas diferentes para uma mesma pergunta, o que torna o processo mais dinâmico e menos padronizado.
As IAs se baseiam em estruturas de informação que dependem da qualidade e da relevância das fontes disponíveis sobre cada empresa. A avaliação dessas fontes, por exemplo, permite identificar lacunas e oportunidades de melhoria no posicionamento das marcas dentro dos modelos.
A proposta é apoiar esse processo de forma mensurável, ajudando empresas a entenderem como aparecem nas respostas geradas por IA e o que pode ser ajustado para melhorar esse ranqueamento.
Além da tecnologia, a empresa aposta em um modelo de atendimento próximo ao cliente, com equipes que auxiliam na interpretação dos dados, na implementação das recomendações e na evolução dos resultados.
A atuação com as primeiras marcas já vem dando resultado. Um cliente que não aparecia nas respostas das principais IAs passou a ser mencionado pelos modelos após cerca de 45 dias de trabalho. Segundo a companhia, o ChatGPT se tornou a quarta principal fonte de tráfego do negócio, com aumento de 25% na geração de leads.
Da ideia ao mercado
Comercialmente, a empresa começou atuando em três idiomas para ter um alcance global. A estratégia é chegar primeiro nas grandes empresas.
“As enterprises são as que hoje mais avançam nesse mercado, porque tendem a ser também as primeiras a aparecer nas respostas das IAs. Isso ocorre porque, em geral, elas concentram mais fontes, mais menções e maior nível de confiança nos modelos”, afirma Michel.
Para conseguir os primeiros clientes, os empreendedores apostaram em apresentar os conceitos relacionados ao posicionamento da IA aos clientes. “Muitas marcas ainda não sabem que podem aparecer nas respostas das IAs. Nosso papel é tornar esse processo mais acessível, mostrando na prática como elas podem construir presença e ganhar visibilidade nesses ambientes”, ele diz.
Apesar desse foco, a Oria conta com um plano inicial, com preço competitivo, voltado para as pequenas e médias empresas. A ideia é permitir que mais marcas conheçam o conceito e entendam como estão sendo encontradas pelas IAs. “O primeiro passo é aparecer nas respostas; depois, garantir que a marca seja mencionada da forma certa”, diz.
Para o mercado internacional, os esforços estão voltados principalmente para Estados Unidos e Europa.
“Em mercados estratégicos, estamos investindo em campanhas de marketing digital, ações de busca e uma agenda de webinars para apresentar o conceito de GEO. O foco é educar empresas sobre como o posicionamento em IA impacta a visibilidade das marcas e pode gerar oportunidades de negócio”, afirma Michel.
Com a expansão internacional e a disseminação do conceito de GEO, a expectativa da empresa é alcançar 500 clientes até o fim de 2026 e atingir R$ 100 milhões em faturamento nos próximos cinco anos.
"As pessoas já estão tomando decisões com base nas respostas das IAs. A questão não é mais se as marcas devem estar nesses ambientes, mas como elas vão aparecer neles", diz Michel.
