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12/06/2026
4 min

Itaú BBA abandona recomendação de compra para uma das ações queridinhas do agronegócio na B3; veja qual é

Itaú BBA abandona recomendação de compra para uma das ações queridinhas do agronegócio na B3; veja qual é

A guerra no Oriente Médio parecia ter entregado um argumento extra para as ações do setor sucroenergético. Com a disparada do petróleo, investidores passaram a apostar que etanol e açúcar poderiam se beneficiar do novo cenário. Mas a tese perdeu força mais rápido do que o esperado. 

Sem uma reação consistente dos preços das commodities e com poucos gatilhos visíveis para impulsionar os resultados no curto prazo, o Itaú BBA decidiu abandonar sua visão mais otimista para a São Martinho (SMTO3). 

Os analistas rebaixaram a recomendação da companhia de compra para neutra e cortaram o preço-alvo de R$ 31 para R$ 21 ao final de 2027.  

Apesar da revisão para baixo, a nova cifra ainda representa um potencial de valorização de quase 30% em relação ao último fechamento. 

Sem um catalisador claro no horizonte, o Itaú BBA avalia que as projeções de lucro tendem a seguir pressionadas nos próximos trimestres, o que reduz o potencial de valorização do papel SMTO3 no curto prazo. 

Por que o Itaú BBA perdeu o otimismo com a ação da São Martinho 

A principal mudança na tese do Itaú BBA para a ação SMTO3 está na leitura para os preços de etanol e açúcar, que continuam sem mostrar a recuperação esperada pelo mercado. 

No início do conflito entre Israel e Irã, o avanço do petróleo chegou a impulsionar as ações ligadas ao setor sucroenergético. A lógica era que combustíveis fósseis mais caros poderiam aumentar a competitividade dos biocombustíveis, favorecendo o etanol. 

Na prática, porém, o efeito foi limitado. Segundo o banco, medidas adotadas para conter a alta dos combustíveis acabaram reduzindo parte desse impacto positivo sobre o etanol. 

Além disso, a queda dos preços do etanol observada ao longo do segundo trimestre de 2026 levou o Itaú BBA a revisar para baixo suas projeções de curto prazo para a companhia. Segundo o banco, o cenário também não é confortável para o açúcar.  

Apesar de os preços internacionais já estarem próximos dos custos de produção do setor, a expectativa de uma safra robusta no Centro-Sul do Brasil continua limitando uma recuperação mais consistente das cotações. 

O banco projeta uma moagem próxima de 640 milhões de toneladas na safra 2026/27, volume que ajuda a manter a pressão sobre os preços da commodity

Na avaliação do BBA, o mercado ainda espera por um gatilho capaz de alterar esse equilíbrio entre oferta e demanda. 

"Mesmo com alguma recomposição dessas posições, a reação limitada dos preços indica cautela por parte dos investidores, que aguardam novos gatilhos." 

Nem o valuation convence sozinho

A visão mais cautelosa do Itaú BBA não se limita apenas ao cenário operacional. 

Mesmo olhando para a ação sob a ótica de valuation, os analistas enxergam poucos motivos para assumir uma posição mais otimista neste momento. 

Segundo o banco, a combinação entre um rendimento de fluxo de caixa para o acionista (FCFE yield) de aproximadamente 4% para o ano fiscal de 2027 e o adiamento dos investimentos de expansão reduz a atratividade do papel. 

Para os analistas, a postergação do capex também adia retornos mais expressivos aos acionistas, enfraquecendo um dos principais argumentos para permanecer comprado na companhia. 

Por isso, o Itaú BBA decidiu rebaixar a recomendação para neutra e afirma que deve manter uma postura mais conservadora até que surjam sinais concretos de melhora operacional ou uma recuperação mais consistente das commodities

O que continua jogando a favor da ação da São Martinho (SMTO3)

O rebaixamento, porém, não significa que o banco tenha perdido a confiança na qualidade da empresa. 

Na visão do Itaú BBA, a São Martinho continua sendo uma das companhias mais eficientes do setor sucroenergético brasileiro. 

Os analistas destacam o baixo custo de produção, a disciplina operacional e as boas práticas de governança corporativa, especialmente em gestão de riscos e estratégias de proteção de preços. 

Essas características ajudam a companhia a atravessar períodos mais difíceis do ciclo sem comprometer sua posição competitiva. 

Por isso, embora o momento de curto prazo inspire cautela, o banco avalia que a São Martinho segue bem posicionada para capturar uma eventual recuperação do setor quando o ambiente para açúcar e etanol voltar a ficar mais favorável.

AutorCamille Lima
FonteSeu Dinheiro
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