Itaú compra startup brasileira de inteligência artificial por R$ 2,9 bilhões
A tecnologia deve contribuir para a evolução do ia.i, plataforma de IA generativa do Itaú

- O Itaú vai comprar 100% da NeoSpace, startup brasileira de inteligência artificial, por R$ 2,925 bilhões
- O banco já era parceiro da empresa havia quase dois anos
- A tecnologia deve contribuir para a evolução do ia.i, plataforma de IA generativa do Itaú
- O negócio ainda depende de aprovação do Cade e do Banco Central
O Itaú Unibanco (ITUB4) anunciou nesta segunda-feira, 26, a compra da NeoSpace, startup brasileira que desenvolve modelos de inteligência artificial capazes de encontrar padrões em grandes volumes de dados. O banco vai pagar R$ 2,925 bilhões pela totalidade das ações da empresa, com quem já trabalhava lado a lado havia quase dois anos.
Com a aquisição, o Itaú amplia a capacidade de criar seus próprios modelos de inteligência artificial.
A ideia é combinar a especialização técnica da startup com o conhecimento do setor financeiro, os dados e a escala do banco.
O que a NeoSpace faz
A NeoSpace trabalha com os chamados modelos fundacionais, a camada mais profunda da inteligência artificial, sobre a qual são construídos assistentes e aplicativos.
Fundada no Brasil, a startup desenvolve modelos capazes de identificar padrões e relações complexas em grandes volumes de informações.
Na prática, isso permite criar modelos adaptados a setores específicos. No caso do sistema financeiro, o objetivo é entender o contexto e as necessidades de cada cliente para oferecer serviços mais adequados.
Uma parceria de quase dois anos
A compra é o desdobramento de uma parceria iniciada há quase dois anos. Nesse período, Itaú e NeoSpace desenvolveram juntos soluções de IA generativa usadas em crédito, gestão financeira, relacionamento com clientes e prevenção a fraudes.
Segundo o banco, foi essa experiência que mostrou o potencial dos modelos especializados para entender contextos financeiros complexos.
A relação também passou pelo capital da startup. No início de 2025, o Itaú investiu US$ 15 milhões na NeoSpace em troca de uma participação de 15%, segundo a Bloomberg Línea. O aporte fez parte de uma rodada de US$ 18 milhões, que contou ainda com investidores-anjo como Micky Malka (Ribbit), Martin Escobari (General Atlantic), Nigel Morris (QED) e Hans Morris (NYCA Partners). Na época, o banco comunicou o investimento ao mercado.
"Queremos que o Itaú esteja entre as instituições que vão definir o próximo capítulo da indústria financeira global", afirmou Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, em comunicado sobre a transação.
Para o executivo, a operação reúne tecnologia, conhecimento financeiro e escala para desenvolver soluções que estabeleçam novos padrões de mercado, "no Brasil e no mundo".
O que muda para o cliente do Itaú
A tecnologia da NeoSpace já vem sendo aplicada em projetos com o banco e deve contribuir para a evolução do ia.i, plataforma de inteligência artificial generativa do Itaú.
Entre as possibilidades citadas pelo banco estão interações mais contextualizadas, orientações para uma gestão financeira mais consciente, ofertas de crédito adequadas ao perfil de cada cliente e novas formas de apoiar o planejamento financeiro de pessoas e empresas.
O Itaú afirma que o uso dos dados seguirá princípios de segurança, privacidade e uso responsável.
A aposta em tecnologia própria já vinha sendo desenhada. Em entrevista à EXAME, o CTO do banco, Ricardo Guerra, detalhou a plataforma proprietária de IA que sustenta o ia.i e o uso de agentes no Itaú. A corrida também envolve os concorrentes, como mostra a estratégia de inteligência artificial do Bradesco com a BIA.
Startup seguirá com gestão própria
Mesmo sob o controle do Itaú, a NeoSpace vai continuar operando de forma independente. Bruno Pierobon permanece como CEO, a equipe será mantida e as atividades de pesquisa e desenvolvimento terão continuidade.
"Construímos a NeoSpace com a convicção de que o Brasil tem capacidade de desenvolver inteligência artificial na fronteira tecnológica global", disse Pierobon, no comunicado.
Segundo ele, a parceria com o banco permitiu testar os modelos em problemas reais do sistema financeiro, e a nova etapa vai aprofundar o trabalho de pesquisa.
A compra se soma a outras frentes do Itaú em tecnologia, como o Instituto de Ciência e Tecnologia Itaú (ICTi), que fomenta pesquisas em parceria com universidades e pesquisadores do Brasil e do exterior, em áreas como inteligência artificial, computação quântica e robótica.
Para ser concluída, a operação ainda precisa do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central, além de cumprir outras condições previstas em contrato.
