Itaú (ITUB4) sobe 3% na Bolsa após balanço do 3T26; analistas revelam se é hora de comprar a ação
As ações do Itaú Unibanco (ITUB4) avançam na bolsa na sessão desta quarta-feira (04), após a divulgação do balanço do terceiro trimestre de 2026. Por volta das 16h15, os papéis subiam 3,20%, a R$ 39,72. O desempenho positivo vem mesmo com um resultado que ficou, de forma geral, em linha com as expectativas do mercado. […]

As ações do Itaú Unibanco (ITUB4) avançam na bolsa na sessão desta quarta-feira (04), após a divulgação dobalanço do terceiro trimestre de 2026. Por volta das 16h15, os papéis subiam 3,20%, a R$ 39,72.
O desempenho positivo vem mesmo com um resultado que ficou, de forma geral, em linha com as expectativas do mercado. Veja os destaques do balanço do 3T26:
| Indicador | Resultado 3T26 | Projeções | Variação (a/a) | Evolução (t/t) |
|---|---|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 12,6 bilhões | R$ 7,145 bilhões | +6,7% | +2,5% |
| ROAE | 23,6% | 23,8% | +0,3 p.p. | -0,7 p.p |
| Carteira de crédito ampliada | R$ 1,54 trilhão | — | +10,9% | +2,2% |
| Inadimplência acima de 90 dias | 2% | — | +0,1 p.p | +0,1 p.p |
| Margem financeira | R$ 34,6 bilhões | — | +7,8% | +3,4% |
Na leitura dos analistas, o balanço reforça a capacidade do Itaú de atravessar um cenário de crédito mais desafiador sem comprometer a qualidade de sua carteira.
A expansão dos empréstimos, o controle das despesas e a solidez do capital também foram destacados. Do outro lado, as receitas com serviços seguem como um ponto de atenção, enquanto a rentabilidade teve leve recuo na comparação trimestral.
Crédito e qualidade da carteira sustentam resultado
Para a XP Investimentos, a resiliência da carteira é um dos principais pontos positivos do balanço. A casa avalia que o Itaú mantém uma posição favorável para lidar com o ciclo de crédito, apoiado por uma política de concessão seletiva e pela maior participação de modalidades com garantias.
O BTG Pactual também destacou a qualidade dos ativos e a capacidade do banco de atravessar o próximo ciclo com um balanço sólido. Segundo a instituição, os indicadores de inadimplência do Itaú seguem melhores do que as médias do mercado em diferentes linhas de crédito.
- Leia também: “Não somos imunes”: CEO do Itaú vê cenário mais difícil em 2027, com juros altos e risco de piora do crédito
Receitas com serviços seguem como ponto fraco
Se o crédito e a qualidade da carteira deram sustentação ao resultado, as receitas com serviços e seguros tiveram desempenho mais fraco, somando cerca de R$ 14,1 bilhões, queda de 0,2% em relação ao trimestre anterior e praticamente estável na comparação anual.
O BTG chamou atenção para a fraqueza das receitas com tarifas, que ficaram abaixo de suas estimativas.
O desempenho foi desigual entre as linhas de negócio. Enquanto a receita com emissão de cartões e a gestão de ativos avançaram, as receitas de banco de investimento, assessoria e corretagem recuaram na comparação trimestral. O resultado de seguros também apresentou queda.
O BTG considera que essa é uma das principais fragilidades do balanço, embora não veja o desempenho como suficiente para comprometer a tese de investimento no banco.
Para os analistas, o Itaú tem vantagens competitivas relevantes e está bem posicionado para capturar mudanças estruturais no setor bancário.
As despesas operacionais, por outro lado, permaneceram sob controle. As despesas não decorrentes de juros somaram R$ 17,1 bilhões, alta de 2,4% no trimestre e de 1,7% em um ano. O índice de eficiência ficou em 37,5%, melhor do que o registrado no mesmo período de 2025.
O que dizem os analistas sobre as ações do Itaú
Apesar de diferenças pontuais na avaliação do resultado, as casas consultadas destacaram a resiliência operacional do Itaú e a qualidade de seu balanço.
A XP manteve recomendação de compra para ITUB4 e reiterou a ação como uma de suas principais escolhas no setor. Para a corretora, o banco combina rentabilidade elevada, qualidade de crédito e geração de capital, características que justificam um prêmio em relação a concorrentes.
O BTG Pactual também mantém uma visão positiva. Embora o lucro tenha ficado cerca de 3% abaixo das estimativas da casa, o banco de investimentos ressaltou que o Itaú está mais preparado do que nunca, do ponto de vista digital, cultural e de balanço, para enfrentar o próximo ciclo.
O BTG vê 2026 como um ano de transição, com uma base de comparação mais difícil e possível redução moderada do apetite ao risco.
O UBS BB, por sua vez, avaliou que o resultado veio em linha com suas projeções e manteve recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 54.
Na visão dos analistas, o balanço não deve provocar revisões expressivas nas estimativas de lucro, apesar do desempenho positivo da margem financeira com o mercado e da redução da alíquota efetiva de impostos prevista para 2026.
Já o BB Investimentos reiterou recomendação de compra para ITUB4 e estabeleceu preço-alvo de R$ 50 para o fim de 2027. O banco destacou a expansão da carteira de crédito, o controle de custos e a qualidade dos ativos como fatores que sustentam a perspectiva de resultados sólidos e resilientes.
Itaú reduz projeção para impostos em 2026
Na atualização de suas projeções para 2026, o Itaú promoveu apenas uma mudança: reduziu a estimativa para a alíquota efetiva de impostos, de uma faixa entre 29,5% e 32,5% para 28% a 29%.
As demais linhas do guidance foram mantidas. Para a XP, a alteração pode representar um impulso de aproximadamente 1% nas estimativas de lucro para o próximo ano.
O capital também segue como um ponto de conforto. O índice de capital principal (CET1) avançou 0,4 ponto percentual no trimestre, para 12,7%, ficando 1,2 ponto percentual acima do objetivo interno do banco, de 11,5%.
Na avaliação dos analistas, o conjunto reforça a posição do Itaú entre os bancos mais rentáveis do país.
O desafio para os próximos trimestres será sustentar esse nível de rentabilidade em meio a uma base de comparação mais exigente, sem perder a disciplina na concessão de crédito e recuperar o ritmo de crescimento das receitas com serviços.
