Itaú (ITUB4) vai continuar fôlego? CEO faz alertas e traça caminho para banco
O Itaú (ITUB4) entregou, mais uma vez, resultados amplamente esperados pelo mercado, mesmo diante da piora do cenário macroeconômico. A piora do sentimento, após o Santander (SANB11) divulgar números bem abaixo das expectativas, fez alguns analistas ligarem o sinal de alerta para o papel — na sessão da última terça-feira, ITUB4 caiu mais de 3% […]

O Itaú(ITUB4) entregou, mais uma vez, resultados amplamente esperados pelo mercado, mesmo diante da piora do cenário macroeconômico. A piora do sentimento, após o Santander(SANB11) divulgar números bem abaixo das expectativas, fez alguns analistas ligarem o sinal de alerta para o papel — na sessão da última terça-feira, ITUB4 caiu mais de 3% —, mas esse temor não se confirmou nos resultados. Nesta quarta-feira, a ação sobe mais de 2%, cotada a R$ 43,08.
Para os próximos trimestres, o CEO do Itaú, Milton Maluhy, aposta na mesma fórmula que tem dado resultado: cautela. Segundo o executivo, em teleconferência com jornalistas, o cenário ainda inspira cuidados, principalmente porque a Selic, a taxa básica de juros, deve permanecer elevada, enquanto a guerra envolvendo o Irã se tornou um novo foco de preocupação.
‘O cenário à frente continua muito incerto. Vai depender de vários fatores, especialmente do comportamento da economia dos Estados Unidos. Se os juros por lá subirem, haverá impactos sobre os fluxos de capital. É um cenário que exige cautela, porque juros muito altos por um período prolongado pressionam a atividade econômica e aumentam o endividamento, tanto das empresas quanto das famílias’, destacou.
Nos Estados Unidos, uma economia ainda bastante aquecida dá sinais de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) poderá precisar elevar os juros. Com isso, a curva longa de juros disparou, movimento que pode afetar os investidores no Brasil.
Itaú: cenário melhor para o Brasil?
Por outro lado, segundo o CEO, a inflação de curtíssimo prazo no Brasil parece bem comportada. O Itaú também observou um arrefecimento recente da atividade econômica, com perspectiva de continuidade desse processo gradual de desaceleração.
O banco revisou a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, de 2,1% para 1,9%. Ainda assim, a inflação permanece acima do teto da meta: 5,1%, ante um limite de 4,5%.
‘Vemos espaço, sim, para mais um corte de juros, diante de uma inflação mais controlada e de uma atividade em desaceleração. Hoje, está praticamente precificado pelo mercado um corte de 25 pontos-base. Acreditamos que esse movimento é possível na próxima reunião’, afirmou.
Apesar disso, o comprometimento da renda das famílias continua elevado, mesmo com as transferências de renda e programas sociais. O Itaú também observa os indicadores públicos de inadimplência avançando em praticamente todas as linhas de crédito.
Equilíbrio é o nome do jogo
Para navegar nesse cenário, o Itaú tem apostado em portfólios equilibrados. Outro foco, segundo o executivo, é concentrar a atuação em grupos de clientes, de todas as faixas de renda, que demonstram maior resiliência ao longo do ciclo econômico.
‘Isso tem feito com que naveguemos muito bem, apesar de um momento mais desafiador, tanto em custo de crédito quanto em inadimplência.’
Atualmente, os indicadores de inadimplência do Itaú apresentam desempenho equivalente a aproximadamente metade da média da indústria em termos de atraso. Segundo Maluhy, o banco opera com índices próximos da metade dos observados no sistema financeiro, reflexo da qualidade da carteira.
Ao todo, a carteira de crédito do Itaú soma cerca de R$ 1,5 trilhão, com parte da exposição no exterior, embora a maior parcela permaneça concentrada no Brasil.
O banco conseguiu controlar os indicadores de inadimplência sem abrir mão do crescimento da carteira de crédito, que avançou 9,6%, para R$ 1,5 trilhão. O destaque foi a carteira de crédito consignado no setor privado, que cresceu 14,3% no trimestre, impulsionada principalmente pela maior originação do consignado CLT.
Como ponto de atenção, o banco praticamente reduziu pela metade a projeção de crescimento da receita de prestação de serviços e do resultado de seguros para 2026. A expectativa passou para uma faixa entre 2,0% e 5,0%, ante a previsão anterior de 5,0% a 9,0%.
Cenário eleitoral
As eleições podem se tornar mais uma fonte de preocupação para o banco? Para o CEO, ainda é cedo para avaliações mais definitivas. Em sua leitura, embora a votação ocorra apenas em outubro, será nos próximos meses que as campanhas ganharão corpo, com a apresentação dos planos de governo e discussões mais aprofundadas.
‘As pesquisas são divulgadas diariamente e mostram um cenário polarizado, como já era esperado, mas ainda há muitas discussões pela frente. A volatilidade pode acontecer, sim. O mercado tende a antecipar perspectivas futuras e isso vai depender muito da comunicação dos candidatos, seja do presidente Lula, seja dos demais concorrentes, em relação às suas agendas para o futuro.’
Ainda segundo Maluhy, alguma volatilidade sempre pode existir, ‘mas não estamos vendo nada desproporcional neste momento. Os mercados vão precificar expectativas mais adiante’.
Para o executivo, um tema que deve ganhar cada vez mais relevância para a volatilidade dos mercados é a trajetória fiscal.
‘Sempre defendemos que social e fiscal precisam caminhar juntos. Tão importante quanto o social é o fiscal, porque, quando o fiscal se desorganiza, isso gera mais inflação e afeta não apenas a capacidade do governo de investir em programas sociais, mas também reduz o poder de compra das famílias.’
