Jadlog ganha espaço com a crise dos Correios e investe R$ 200 milhões antes da Black Friday
Empresa espera até 30% mais encomendas e vai contratar mil temporários

Atingir as regiões mais remotas do Brasil não é fácil, mas a Jadlog, empresa de logística, garante: ela atende a 100% dos municípios do país. Com 500 franqueados, Bruno Tortorello, CEO da companhia, conta que, em regiões do interior do Amazonas, por exemplo, onde a entrega só é possível de barco, o serviço é realizado por um parceiro da própria comunidade.
“Montamos uma malha de parceiros que nos permite entregar em todo o Brasil. A última milha é feita pelos nossos franqueados, com veículos próprios ou motoristas agregados, sempre seguindo nossa tecnologia e nossos processos”, diz.
É por essa estrutura que chegam às casas dos consumidores produtos de grandes varejistas. Do Mercado Livre à Amazon, Shein, Shopee e TikTok, a Jadlog, empresa do grupo Geopost, atende aos principais marketplaces que, apesar de terem logística própria, ainda dependem muito de terceiros. No total, são cerca de 100 mil clientes.
A preparação para a Black Friday
Toda essa estrutura será colocada à prova na Black Friday, período para o qual a Jadlog começa a se preparar meses antes. A empresa estima crescimento de até 30% no pico da data. Para atender ao volume, planeja contratar mil trabalhadores temporários e ampliar em 20% o número de motoristas.
Para o CEO, o tempo de espera é tão importante quanto a promoção. “O consumidor passou a pressionar por prazos de entrega menores. Acredito que a aceleração das entregas aumentou a conversão de vendas e ampliou o universo de compras possíveis.”
De 70% a 75% das encomendas são entregues em até dois dias. “Como a maioria são em grandes centros urbanos, grande parte das encomendas entra e sai no mesmo dia, às vezes em questão de horas”, pontua Tortorello.
A rapidez nas entregas também contribuiu para ampliar as compras por impulso, segundo o executivo.
“As compras por impulso, que praticamente não existiam no início do e-commerce porque quase ninguém entregava no dia seguinte, hoje representam uma parcela importante das vendas de varejistas e marketplaces. A logística viabilizou esse aumento da conversão ao acelerar as entregas e transmitir confiança ao consumidor, que passou a acreditar que receberá o produto no prazo”, ressalta.
Um dos desafios é lidar com o aumento do volume entre 15 de novembro e 15 de dezembro, período que abrange a Black Friday e o pré-Natal. Em alguns dias, a quantidade de encomendas pode ser de duas a três vezes maior do que a habitual.
O comércio eletrônico deve movimentar R$ 13,3 bilhões entre 26 e 29 de novembro, alta de 20,7% em relação ao mesmo período do ano passado, com 69,4 milhões de produtos vendidos, segundo projeção da Confi, por meio da NeoTrust, em parceria com a E-Commerce Brasil.
Investimento de R$ 200 milhões amplia capacidade
Para dar conta do crescimento da demanda, a companhia investiu R$ 200 milhões no último ano em sua estrutura logística. O montante foi destinado ao hub Nexus 87, o maior da empresa, localizado na capital paulista. Com a mudança, a Jadlog dobrou sua capacidade operacional de processamento, que hoje chega a 400 mil pacotes por dia.
“Antes, trabalhávamos com um modelo semiautomatizado. Passamos a operar de forma automatizada, o que permite ganhar eficiência e velocidade. Com isso, conseguimos reduzir em média de 12 a 14 horas o tempo de processamento”, diz.
O investimento foi dividido em três partes: aproximadamente um terço para a construção do galpão, um terço para o maquinário e um terço para o software de tecnologia logística, desenvolvido por uma empresa italiana. A Jadlog financiou diretamente o maquinário, sem recorrer a uma rodada de captação. Já o galpão foi construído sob medida por um investidor parceiro, com quem a empresa firmou um contrato de aluguel de 20 anos.
Entre 70% e 75% das cargas que circulam pela operação passam por esse hub. “Nele, fazemos a separação das encomendas de acordo com seus destinos”, explica o executivo. De lá, elas podem seguir para hubs menores, como o de Belo Horizonte. A empresa conta com 17 unidades desse tipo, de onde as encomendas são encaminhadas aos franqueados responsáveis pela última milha, levando os produtos às casas ou empresas dos clientes.
Em meio à crise dos Correios, empresas como a Jadlog têm ganhado espaço no mercado de entregas. Tortorello, porém, pondera que não é simples substituir uma companhia com a história e a presença da estatal.
“Acho forte dizer que vamos desbancar uma empresa com mais de 300 anos de história e já consolidada no mercado. Mas, sim, os Correios passam por uma crise importante e profunda. Eles ainda são o maior operador do e-commerce, depois dos próprios marketplaces. Nós oferecemos uma solução que, em determinadas operações, pode ser melhor, mais barata e mais eficiente do que a dos Correios. Temos ganhado espaço nesse contexto de crise.”
