Jalles (JALL3): 1T27 começa fraco, mas analistas veem sinais de uma safra melhor — e ação pode subir até 211%
A Jalles (JALL3) começou o ano-safra 2026/27 com números financeiros pressionados pela queda dos preços do açúcar e do etanol, mas deixou sinais de que a recuperação operacional esperada para esta temporada começa a aparecer. Essa é uma das principais leituras de Bradesco BBI, BTG Pactual e XP Investimentos após os resultados do primeiro trimestre […]

A Jalles(JALL3) começou o ano-safra 2026/27 com números financeiros pressionados pela queda dos preços do açúcar e do etanol, mas deixou sinais de que a recuperação operacional esperada para esta temporada começa a aparecer.
Essa é uma das principais leituras de Bradesco BBI, BTG Pactual e XP Investimentos após os resultados do primeiro trimestre da safra 2026/2027 (1T27) da companhia, reportado na última sexta (14). Por volta de 11h22 desta segunda (17), as ações recuavam 1,03%, em R$ 1,93.
A Jalles registrou receita líquida de R$ 340 milhões, queda de 33% na comparação anual, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, excluindo os efeitos de hedge, ficou em R$ 157 milhões, recuo de 42%.
Na última linha do balanço, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 74 milhões.
Os números, porém, contam apenas parte da história.
A moagem avançou 10% na comparação anual, para 3,1 milhões de toneladas de cana, enquanto a produtividade agrícola chegou a aproximadamente 89,6 toneladas por hectare, alta de 7%.
Além disso, a estratégia de hedge da Jalles ajudou a proteger o resultado em meio à deterioração dos preços das commodities. Considerando as proteções, o Ebitda ajustado chegou a R$ 269,4 milhões, apenas 2,8% abaixo dos R$ 277 milhões registrados um ano antes.
Uma safra melhor começa a tomar forma?
É justamente a recuperação da produtividade que chama a atenção do BTG Pactual.
O banco destaca que a produção de ATR (açúcar total recuperável) cresceu 11% na comparação anual e ficou 3% acima de suas estimativas, enquanto a produtividade agrícola avançou 7%.
Os ganhos já começam a aparecer nos custos de produção, que recuaram 5% em um ano, para R$ 1,7 mil por tonelada de ATR produzido.
O custo caixa por ATR vendido, por outro lado, avançou 7%, para R$ 2,45 mil por tonelada. Para o BTG, porém, essa diferença está mais relacionada ao momento das vendas do que a uma deterioração da estrutura de custos.
A Jalles comercializou apenas 51% do ATR produzido no trimestre, ante 68% um ano antes, criando um descasamento entre a melhora econômica da produção atual e os custos reconhecidos nas vendas.
Conforme esses estoques forem comercializados ao longo da safra, o BTG espera que a diferença entre os custos de produção e os custos caixa das vendas diminua.
A companhia também reiterou integralmente o guidance para 2026/27, que prevê moagem de 7,8 milhões de toneladas de cana e produtividade de 80,4 toneladas por hectare.
Ainda assim, o banco considera cedo para decretar uma virada definitiva.
Para os analistas, um único trimestre não é suficiente para afirmar que a recuperação da produtividade está completa. O 1T27, contudo, foi visto como “um passo na direção certa”.
Hedge faz diferença
Em um ambiente adverso para os preços de açúcar e etanol, a política conservadora de hedge da Jalles voltou a desempenhar um papel importante.
Segundo o BTG, as liquidações de hedge de açúcar e câmbio contribuíram com R$ 112 milhões para o trimestre, levando o Ebitda ajustado incluindo as proteções a R$ 269 milhões.
A XP também coloca o hedge entre os principais destaques do balanço.
Para a corretora, a posição de proteção compensou grande parte da deterioração dos resultados. Enquanto o Ebitda ajustado sem hedge caiu 42% em um ano, o indicador considerando as proteções recuou apenas 2,8%.
A avaliação da XP é que a decisão de travar antecipadamente os preços do açúcar em patamares mais atrativos ajudou a Jalles a atravessar o atual cenário de preços deprimidos.
Jalles segura etanol à espera de preços melhores
Outra decisão comercial destacada pelos analistas foi a opção de postergar parte das vendas de etanol diante da queda dos preços.
Os estoques de etanol encerraram o trimestre em aproximadamente 81 mil metros cúbicos, aumento de 86% na comparação anual, segundo o Bradesco BBI.
A XP avalia positivamente a estratégia de evitar vendas após a forte correção das cotações, esperando níveis mais atrativos para comercializar o produto.
A decisão, porém, teve um preço no curto prazo.
O aumento dos estoques pressionou a geração de caixa, contribuindo para uma queima de aproximadamente R$ 124 milhões no trimestre, segundo os cálculos da XP.
Para o BBI, o volume elevado de estoques pode acabar se transformando em uma vantagem caso os preços do etanol se fortaleçam ao longo do ano.
O banco também observa que o cenário para açúcar e etanol começa a apresentar alguma melhora, embora a recuperação das margens ainda dependa da continuidade dos ganhos de produtividade e da diluição dos custos.
Comprar JALL3?
Apesar da convergência em torno da melhora operacional, os analistas divergem sobre o momento de comprar as ações da Jalles.
O Bradesco BBI é o mais otimista entre as três casas. O banco mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 6, equivalente a um potencial de valorização de cerca de 211%.
A XP também recomenda compra, com preço-alvo de R$ 4,10, implicando potencial de alta de aproximadamente 112%.
Para a corretora, as decisões comerciais da companhia foram acertadas, tanto na proteção dos preços do açúcar quanto na postergação das vendas de etanol.
Essas medidas devem ajudar a Jalles a atravessar o ambiente desafiador no curto prazo e, ao mesmo tempo, deixá-la melhor posicionada para capturar uma eventual recuperação dos preços.
Já o BTG Pactual mantém recomendação neutra, apesar do preço-alvo de R$ 5, que representa potencial de valorização próximo de 159%.
Na visão do banco, a Jalles deu um passo na direção certa, mas ainda é preciso acumular mais evidências de que a recuperação operacional é sustentável.
A principal questão daqui para frente será, portanto, saber se os ganhos de produtividade observados no início da safra conseguirão se manter e, principalmente, se transformar em custos unitários menores.
Se isso acontecer, o 1T27 poderá ter sido menos o retrato de um trimestre fraco e mais o primeiro sinal de uma safra melhor para a Jalles.
