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15/06/2026
4 min

JBS (JBSS32): BTG vê sinal preocupante para indústria americana; BBI mantém ação como favorita

JBS (JBSS32): BTG vê sinal preocupante para indústria americana; BBI mantém ação como favorita

A JBS (JBSS32) confirmou na semana passada o fechamento de duas unidades de carne bovina nos EUA, em Souderton (Pensilvânia) e Memphis (Tenesse).

A decisão ocorre poucos meses após a Tyson Foods encerrar as operações de sua planta em Lexington, com capacidade para cerca de 5 mil cabeças por dia, além de reduzir atividades em Amarillo. O movimento reforça os sinais de ajuste da capacidade instalada diante da oferta cada vez mais restrita de gado no país.

Atualmente, o rebanho bovino norte-americano soma 86,2 milhões de cabeças, o menor nível desde 1951. Já o rebanho de vacas de corte está em 27,6 milhões de cabeças.

Com os fechamentos recentes, a capacidade instalada do setor deve cair para cerca de 90 mil cabeças por dia, o equivalente a 28,2 milhões de cabeças por ano — uma redução de aproximadamente 7% em relação a 2025.



Com isso, a taxa de utilização das plantas pode subir para cerca de 81%, ante 79% no ano passado, considerando uma queda de 5% na oferta de gado em 2026.

JBSS32: O que dizem BTG e Bradesco BBI?

Para os analistas do BTG Pactual, Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, poucos anúncios são tão reveladores sobre o atual momento desafiador da indústria dos EUA.

“Em quase duas décadas cobrindo a companhia, não nos lembramos de outro caso em que a JBS tenha decidido deliberadamente encerrar capacidade em um de seus principais negócios de proteína animal”.

A decisão representa o fechamento permanente de aproximadamente 8% da capacidade de processamento de carne bovina da JBS nos Estados Unidos. Segundo o BTG, o fato de o movimento ocorrer justamente em um momento de forte solidez financeira da companhia reforça uma conclusão: o ambiente para a indústria de carne bovina norte-americana continua se deteriorando.

Com isso, a JBS passa a integrar uma lista crescente de empresas que anunciaram reduções ou encerramentos de capacidade nos últimos meses, ao lado de Tyson Foods e Cargill.

“Por um lado, isso reforça a percepção de uma indústria mais disciplinada, na qual os principais participantes estão dispostos a absorver os custos de ajustes operacionais para tentar restabelecer o equilíbrio do mercado. Por outro, também evidencia o grau de dificuldade enfrentado atualmente pelo setor de carne bovina”, destacam os analistas.

Na avaliação do Bradesco BBI, o movimento é positivo, mas ainda insuficiente para alterar de forma relevante a dinâmica do ciclo no curto prazo.

Apesar do avanço na racionalização da capacidade instalada, os spreads da indústria permanecem comprimidos em níveis historicamente baixos, reflexo da escassez de gado e da dificuldade de repasse de custos. Além disso, fatores adicionais — como as restrições sanitárias que limitam a retomada das importações de gado do México — reforçam o cenário de oferta apertada.

Historicamente, ciclos de baixa no setor foram acompanhados por fechamentos de plantas e ajustes mais amplos de capacidade. Na visão do BBI, esse processo ainda está em andamento. Nesse contexto, a recuperação das margens deve ser gradual e possivelmente mais dependente de novos cortes de capacidade do que de uma melhora significativa na oferta de gado no curto prazo.

“Para a JBS, o impacto tende a ser relativamente mais direto do que em situações tradicionais. Em geral, o fechamento de plantas implica custos imediatos para a companhia que toma a decisão, enquanto os benefícios acabam distribuídos por todo o setor”, explicam os analistas Henrique Brustolin e J. Ricardo Rosalen.

No momento atual, porém, a redução de capacidade pode trazer benefícios mais imediatos para a companhia. Como parte relevante das operações de carne bovina nos Estados Unidos opera com margens próximas ou abaixo do ponto de equilíbrio, o fechamento das unidades pode contribuir para limitar perdas operacionais no curto prazo.

“Ainda assim, o ambiente permanece desafiador, e seguimos esperando pressão sobre os resultados nos próximos trimestres, até que o ajuste entre oferta de gado e capacidade industrial se torne mais equilibrado”, afirmam.

Apesar das dificuldades do setor, a JBS segue como a única recomendação de compra do BTG no segmento, com preço-alvo de R$ 110.

No Bradesco BBI, a companhia também é a principal aposta entre as empresas de proteína animal, com preço-alvo de R$ 117. A recomendação é sustentada pela diversificação global da operação, pela capacidade de adaptação da empresa e pelo potencial de captura de valor à medida que os fundamentos do ciclo evoluam.

AutorPasquale Augusto
FonteMoney Times
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