JBSS32, BEEF3 e MBRF3: Safra rebaixa ações, corta preços-alvo e mantém compra para apenas um frigorífico

A crescente escassez global de carne bovina pode até beneficiar a América do Sul, mas não foi suficiente para manter o otimismo do Safra com o setor de frigoríficos. Em relatório divulgado, o banco revisou suas estimativas para as empresas do segmento, rebaixou as recomendações para JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3) para neutra e manteve recomendação de compra apenas para a Minerva Foods (BEEF3)
Além das mudanças nas recomendações, o Safra também reduziu os preços-alvo das três companhias. Para a JBS, o novo alvo passou de US$ 22 para US$ 15 por ação, enquanto para a MBRF o preço-alvo caiu de R$ 30,50 para R$ 19 por ação e, para a Minerva, de R$ 8,50 para R$ 5,50.
Segundo os analistas, a recuperação do ciclo da pecuária nos Estados Unidos está demorando mais do que o esperado, o que continua pressionando as margens da operação de carne bovina no país. Ao mesmo tempo, os ciclos favoráveis de aves e suínos começam a perder força diante do aumento da oferta e dos riscos de alta nos preços dos grãos.
“A recuperação das margens da carne bovina nos Estados Unidos está levando mais tempo do que esperávamos, enquanto os ciclos de aves e suínos seguem sólidos, mas gradualmente perdem força”, afirmam os analistas.
JBS e MBRF perdem espaço
Para o Safra, a principal preocupação com JBS continua sendo o ciclo pecuário americano. A oferta restrita de gado deve impedir uma recuperação significativa das margens pelo menos até 2028, pressionando os resultados da companhia, apesar da resiliência das divisões de aves e suínos.
Os analistas destacam que a eventual inclusão da empresa em índices americanos pode atrair fluxo passivo de investidores após a dupla listagem, mas avaliam que esse movimento dificilmente será suficiente para eliminar o desconto de valuation em relação aos concorrentes.
No caso da MBRF, o banco vê um cenário semelhante. As margens mais fracas da operação de carne bovina nos Estados Unidos devem continuar pesando sobre os resultados consolidados da companhia, enquanto a alavancagem financeira, atualmente em cerca de 3,4 vezes dívida líquida/Ebitda, limita o potencial de valorização das ações.
O Safra ressalta que um eventual IPO da operação Sadia Halal, previsto para 2027, pode representar um catalisador positivo, mas ainda insuficiente para justificar uma recomendação mais otimista neste momento.
Minerva segue como favorita entre frigoríficos
Na contramão das rivais, a Minerva permaneceu como a única recomendação de compra do Safra.
Na avaliação do banco, a empresa está mais bem posicionada para aproveitar o aumento da escassez global de carne bovina graças à maior disponibilidade relativa de gado na América do Sul, aos custos de produção mais competitivos e à diversificação geográfica de suas operações.
Embora reconheça riscos como uma possível redução das exportações para a China, especialmente em meio às discussões sobre cotas de importação de carne bovina, o Safra acredita que o déficit global de oferta deve continuar sustentando a demanda pelos produtores sul-americanos.
Além disso, o banco destaca que as ações da companhia negociam com desconto relevante em relação aos pares do setor, enquanto a geração de caixa deve permanecer positiva, com um fluxo de caixa livre (FCF Yield) estimado em cerca de 10%.
Para o Safra, os principais riscos para o setor continuam sendo a evolução da oferta e demanda global por proteínas, as condições climáticas, o custo dos insumos, eventuais restrições ao comércio internacional, a volatilidade cambial e o nível de alavancagem das companhias.
