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Sacre Investimentos
EmpresasACS
03/08/2026
5 min

JBSS32, MBRF3 e BEEF3: o vencedor do 2T26 e o frigorífico para ter na carteira, segundo BTG e Itaú BBA

A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 (2T26) dos frigoríficos deve continuar marcada por desafios operacionais, principalmente na carne bovina dos Estados Unidos. Ainda assim, Itaú BBA e BTG Pactual enxergam diferenças importantes entre as companhias — e, apesar de a MBRF (MBRF3) aparecer como o destaque positivo nos resultados, há uma ação […]

JBSS32, MBRF3 e BEEF3: o vencedor do 2T26 e o frigorífico para ter na carteira, segundo BTG e Itaú BBA

A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 (2T26) dos frigoríficos deve continuar marcada por desafios operacionais, principalmente na carne bovina dos Estados Unidos. Ainda assim, Itaú BBA e BTG Pactual enxergam diferenças importantes entre as companhias — e, apesar de a MBRF (MBRF3) aparecer como o destaque positivo nos resultados, há uma ação que é consenso entre os dois bancos para a carteira: JBS (JBSS32).

As duas casas mantêm recomendação de compra para JBS, enquanto MBRF e Minerva Foods (BEEF3) têm indicação neutra.

No Itaú BBA, JBS tem preço-alvo de US$ 18 para o fim de 2026. Para MBRF, a recomendação é neutra, com preço-alvo de R$ 23, enquanto a Minerva também tem indicação neutra, com preço-alvo de R$ 5,50.

Já o BTG Pactual estabelece preço-alvo de R$ 110 para JBS, também com recomendação de compra. MBRF e Minerva permanecem neutras, com preços-alvo de R$ 26 e R$ 7, respectivamente.

MBRF deve ser o destaque do 2T26

Embora JBS seja a favorita dos dois bancos, a MBRF deve entregar, na avaliação do Itaú BBA, o melhor desempenho relativo entre as empresas acompanhadas no segundo trimestre.

A companhia deve continuar se beneficiando da boa dinâmica do mercado de frango no Brasil e da demanda internacional aquecida, especialmente no Oriente Médio.

Na BRF, o Itaú BBA estima Ebitda de R$ 2,6 bilhões, com margem de 16,4%. Na América do Norte, porém, a National Beef continuará pressionada pela alta dos preços do gado, embora a valorização dos subprodutos ajude a amenizar o impacto.

O BTG tem uma visão semelhante sobre a operação de frango, mas projeta números um pouco mais conservadores. A expectativa é de receita de R$ 15,5 bilhões e Ebitda de R$ 2,4 bilhões, com margem de 15,5%.

Segundo o banco, os preços elevados do frango no Oriente Médio continuam favorecendo a BRF, mas os custos maiores de frete devem começar a reduzir parte desse benefício.

Apesar do desempenho operacional esperado, nenhum dos dois bancos recomenda compra para MBRF.

JBS: desafios nos EUA, mas tese ainda é de compra

Na JBS, o principal problema continua concentrado na operação de carne bovina nos Estados Unidos. A oferta restrita de gado mantém os custos elevados e pressiona os spreads da indústria.

O Itaú BBA estima Ebitda negativo de US$ 153 milhões para a divisão, com margem de -2%. Ainda assim, ganhos de eficiência e receitas maiores com subprodutos devem ajudar a companhia.

O BTG também espera uma melhora sequencial das margens, projetando margem Ebitda de -1,6%, avanço de 210 pontos-base na comparação trimestral e de 180 pontos-base na anual.

No Brasil, entretanto, o cenário é mais favorável. Para o Itaú BBA, a divisão de Beef Brasil deve se beneficiar da alta dos preços de exportação da carne bovina, enquanto a Seara deve preservar margens saudáveis diante da disciplina da oferta de frango e dos custos de ração mais favoráveis.

O BTG, por sua vez, espera melhora das margens da operação de carne bovina no Brasil, mas vê uma trajetória de queda para a rentabilidade da Seara, diante dos menores preços da carne suína e da redução dos spreads.

No consolidado, o BTG projeta receita de R$ 118 bilhões e Ebitda de R$ 6,9 bilhões pelo padrão IFRS.

Minerva: exportações ajudam, mas não mudam recomendação

A Minerva também deve se beneficiar da alta dos preços de exportação da carne bovina brasileira. Os frigoríficos aceleraram os embarques para aproveitar as cotas destinadas à China, movimento que contribuiu para elevar os preços médios da carne exportada.

O BTG estima que os preços médios da carne bovina brasileira exportada tenham subido 23% em dólares na comparação anual, favorecendo a receita da Minerva. O banco projeta receita de R$ 14 bilhões, alta de 1% em um ano e de 5% ante o trimestre anterior. A margem Ebitda deve ficar em 9%, levando o resultado operacional a R$ 1,26 bilhão.

O Itaú BBA, por sua vez, estima margem Ebitda de 8,5% e Ebitda ajustado de R$ 1,2 bilhão. O avanço das exportações, contudo, não é suficiente para mudar a avaliação dos bancos sobre a ação.

Afinal, qual frigorífico ter na carteira?

O cenário desenhado pelos dois bancos deixa uma distinção importante para o investidor: a companhia que deve apresentar o melhor resultado não é necessariamente a ação preferida para a carteira.

A MBRF aparece como o principal destaque operacional do 2T26, beneficiada pela força do mercado de frango e pela demanda internacional. Já a Minerva deve encontrar suporte nos preços de exportação da carne bovina.

Mas, quando o assunto é recomendação de investimento, JBS é a única ação que recebe compra simultaneamente de Itaú BBA e BTG Pactual.

A leitura dos bancos é que, embora os problemas da carne bovina nos Estados Unidos ainda pesem sobre os resultados, parte das dificuldades já está refletida na ação. Ao mesmo tempo, a diversificação do portfólio e a força das operações brasileiras ajudam a sustentar a tese.

Assim, para o 2T26, o ranking fica com uma diferença clara: MBRF como destaque dos resultados e JBS como a escolha unânime dos bancos para a carteira.

AutorPasquale Augusto
FonteMoney Times
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