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Sacre Investimentos
NegóciosMPOL
01/10/2026
5 min

Join4 aumenta receita em 155,9% e aposta em produtos próprios

Empresa aposta em três soluções próprias para estruturar processos, criar agentes de IA e acompanhar operações

Join4 aumenta receita em 155,9% e aposta em produtos próprios

Mais de oito em cada dez projetos de inteligência artificial fracassam, segundo estimativas da RAND Corporation. Muitas das causas desse insucesso aparecem antes mesmo da escolha da tecnologia: empresas tentam resolver o problema errado, não têm os dados necessários ou apostam na novidade sem avaliar se ela atende às necessidades da operação.

A dificuldade abriu espaço para um negócio criado em Bauru, no interior paulista. Fundada em 2021, a Join4 entra em empresas para entender como o trabalho acontece, localizar gargalos e só então definir qual tecnologia pode melhorar a operação.

Em alguns casos, a resposta é inteligência artificial. Em outros, uma ferramenta mais simples ou o melhor aproveitamento de um sistema que o cliente já contratou.

A proposta ganhou escala. A receita operacional líquida da consultoria avançou 155,9% em 2025 em relação a 2024. O desempenho colocou a Join4 no Ranking EXAME Negócios em Expansão 2026. Foi o segundo ano consecutivo da companhia no prêmio.

Agora, ao completar cinco anos, a empresa tenta transformar o conhecimento acumulado nos projetos em uma nova fonte de crescimento. A Join4 está reunindo três tecnologias próprias em um ecossistema que estrutura processos, organiza informações e permite criar agentes de IA. A frente de produtos não substitui a consultoria, mas amplia a entrega.

Por que os projetos de IA fracassam

Processo é uma palavra abstrata até que alguém precise pedir o reembolso de um almoço. A tarefa parece simples: enviar a nota, obter a aprovação e receber o dinheiro. Para automatizá-la, porém, a empresa precisa definir uma série de regras e etapas. Sem isso, a tecnologia recebe uma tarefa que nem a própria organização sabe explicar.

“A IA é como se fosse um funcionário novo”, afirma Murilo Dias, fundador e CEO da Join4. “Se você não tem processos e políticas bem definidos para ensiná-lo, como ela vai executar?”

O raciocínio ajuda a entender por que a pressão para ser uma empresa “AI first” pode produzir projetos caros e frustrantes. Um estudo da Gartner constatou que, em média, somente 48% das iniciativas de IA chegam à produção. A consultoria prevê que, até o fim de 2026, 60% dos projetos sem dados preparados para IA serão abandonados.

Na Join4, o trabalho começa com um diagnóstico. A equipe reconstrói a jornada, identifica as pessoas, regras, ferramentas e prazos envolvidos e procura a origem do problema. Uma demora atribuída a um sistema pode ter começado em uma informação incompleta na etapa anterior. Uma empresa disposta a comprar outra plataforma pode descobrir que já paga por uma ferramenta capaz de resolver a demanda.

Depois, o projeto é dividido em entregas menores. A cada etapa, o cliente mede o resultado e pode corrigir a rota antes de comprometer todo o investimento.

“Nada é mais frustrante para uma empresa do que tentar adotar uma tecnologia e fracassar”, diz Dias. “A chance de ela investir novamente em um projeto desse tipo fica muito baixa.”

Como o conhecimento virou tecnologia própria

A empresa calcula ter acumulado mais de 200 mil horas de trabalho em projetos relacionados a processos. A repetição de alguns problemas mostrou à equipe onde faltavam ferramentas e deu origem aos produtos próprios.

A ArkIA transforma reuniões e documentos em mapas de processos, reúne as regras da operação e administra aprovações e atualizações. A KardIA orquestra agentes de IA e integrações com outros sistemas, com acompanhamento do que foi executado. A LuxIA consolida o andamento da operação, os indicadores e as informações de que os gestores precisam para tomar decisões.

As três soluções podem funcionar separadamente, mas foram desenhadas como partes de uma mesma jornada. Primeiro, a empresa documenta como a operação deveria funcionar. Depois, identifica o que pode ser automatizado e cria os agentes. Por fim, acompanha prazos, desvios e resultados.

Esse desenho procura evitar dois extremos: comprar uma tecnologia sem saber onde aplicá-la ou redesenhar toda a operação em torno de uma ferramenta. A Join4 se apresenta como uma consultoria agnóstica, capaz de trabalhar com os sistemas que o cliente já possui. Os produtos entram como mais uma possibilidade, e não como resposta obrigatória.

O próximo ciclo de crescimento da Join4

A consultoria atende principalmente empresas de médio e grande porte. Saúde é uma das verticais mais relevantes, ao lado de áreas administrativas e centros de serviços compartilhados – estruturas que concentram atividades como finanças, recursos humanos e compras de diferentes unidades de um grupo.

Dias atribui a expansão da receita à especialização nesses ambientes e às indicações entre clientes. Segundo ele, a companhia foi criada por profissionais acostumados à execução de projetos, o que levou o negócio a priorizar a entrega antes de estruturar uma frente comercial mais ampla.

A empresa também procura aproximar sua remuneração do resultado. Em uma das modalidades, estabelece com o cliente uma meta para um ciclo de seis meses, cobra um valor mensal e recebe uma parcela adicional se o objetivo combinado for alcançado. O modelo coloca parte do risco do projeto na própria consultoria.

Com os produtos, a Join4 pretende ganhar escala sem abandonar o diagnóstico que sustenta seu crescimento. O desafio será provar que o método pode ser replicado sem transformar a empresa em uma vendedora de licenças.

Para Dias, a resposta continua na mesma pergunta feita antes de cada projeto: qual problema precisa ser resolvido e qual é a ferramenta realmente necessária para isso?

AutorExame Brand Solutions
FonteExame
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