Jon Vlogs ia ser cardiologista, virou influenciador e agora vai faturar R$ 30 milhões com bebidas
Influenciador Jon Vlogs começou gravando vídeos para a família nos Estados Unidos, transformou audiência em negócio e agora aposta na marca de bebidas Drinkiss

O influenciador Luan Kovarik não planejava viver de internet. Em 2015, ainda nos Estados Unidos, seu plano era estudar medicina e seguir a carreira de cardiologista.
Os vídeos começaram por outro motivo. Sua avó tinha Alzheimer e, segundo ele, conseguia reconhecê-lo quando o via por uma tela. Kovarik comprou uma câmera e passou a gravar partes de sua rotina para enviar à família e aos amigos no Brasil.
Os vídeos, no canal chamado Jon Vlogs, começaram a ganhar audiência.
Em cerca de um ano, o canal cresceu e mudou os planos do jovem. Jon, como ficou conhecido, abandonou a ideia da faculdade de medicina e passou a se dedicar ao YouTube. Com o crescimento vieram publicidade, projetos com outros criadores e as primeiras tentativas de transformar a audiência em produtos, de bonés e camisetas a um álbum de figurinhas.
Mais de uma década depois dos primeiros vídeos, essa experiência virou um negócio fora das telas.
A Drinkiss, marca de bebidas alcoólicas prontas para consumo da qual Jon é sócio e CEO, começou a ganhar distribuição no início de 2026. Segundo a empresa, já foram cerca de 500.000 unidades comercializadas. A meta agora é fechar o ano com 1,5 milhão de bebidas vendidas. Para 2027, a projeção é chegar a 30 milhões de reais de faturamento.
“A gente não nasceu como um licenciamento. A gente realmente pensa como uma marca. A gente tem uma cultura de marca, uma comunidade e uma dinâmica nossa de trabalho”, afirma Jon.
O próximo passo é provar que a Drinkiss consegue crescer além da audiência de seu fundador.
Depois de concentrar a operação em São Paulo, a companhia pretende entrar em outros estados nos próximos meses. Jon fala em chegar a pelo menos três ou quatro estados.
Qual é a história de Jon Vlogs
Jon foi para os Estados Unidos pensando em cursar medicina. Na escola, chegou a direcionar as disciplinas para a área e pretendia acompanhar médicos em um hospital antes de entrar na faculdade.
Quando a avó brasileira ficou doente, ele começou a gravar vídeos e postar no Youtube para ela assistir. No fim, milhares de pessoas também viram o conteúdo.
“Não era para eu ser influenciador. Eu ia ser cardiologista”, afirma.
À medida que os vídeos cresciam, Jon percebeu que parte do trabalho tinha pouco a ver com simplesmente aparecer diante de uma câmera. Ele começou a estudar títulos, capas dos vídeos e formas de chamar a atenção do público.
Foi também quando percebeu que audiência poderia significar mais do que receita de publicidade paga pelas plataformas. Em um grupo de criadores do qual participou, começou a testar produtos físicos. Vieram bonés, camisetas, turnês e até um álbum de figurinhas.
“A gente sempre viu que um influenciador conseguia monetizar de outras formas usando sua plataforma principal para divulgar”, diz.
Esse aprendizado levou Jon a outro lado do mercado.
Ele passou a participar de campanhas de publicidade não apenas como influenciador, mas também na construção das ações. Em um dos projetos citados por ele, chegou a intermediar contratos de uma marca de energético com mais de 30 criadores e recebia uma participação sobre os acordos fechados.
Em vez de vender apenas sua própria audiência, Jon queria participar do negócio que estava por trás dela.
Como surgiu a ideia da Drinkiss
A Drinkiss começou a tomar forma depois de um dos períodos mais difíceis da vida de Jon.
Ele descobriu um tumor de 3 centímetros no pâncreas. Passou por uma cirurgia e, depois da recuperação, viajou para Las Vegas. Foi nessa viagem que começou a prestar mais atenção às marcas de bebidas construídas em torno de comunidades e criadores de conteúdo.
“Eu olhei e falei: ‘Rapaz, acho que vou chegar no Brasil e procurar sócios que entendam desse ramo para me ajudar, porque acho que tem um potencial que ninguém está vendo muito’”, afirma.
A ideia encontrou parceiros com experiência no setor. Segundo Jon, o desenvolvimento do produto levou aproximadamente um ano entre conversas, testes e preparação da operação.
A marca começou a aparecer no mercado no fim de 2025, mas Jon considera janeiro de 2026 como o início efetivo da operação. E com um diferencial. Em vez de garrafas ou latas, a empresa escolheu uma embalagem da Tetra Pak. Assim, a Drinkiss vende bebidas prontas para consumo em caixinhas semelhantes às usadas em sucos e outras bebidas.
A inspiração veio de produtos que Jon conheceu nos Estados Unidos. A diferença da embalagem também virou parte da tentativa de chamar atenção em uma prateleira dominada por formatos já conhecidos.
Qual é o desafio agora
Ter milhões de pessoas acompanhando Jon nas redes ajuda a colocar um produto novo diante do consumidor. Não garante, porém, que ele volte ao supermercado para comprá-lo.
Esse é um dos pontos que o próprio influenciador identifica como desafio da Drinkiss.
No lançamento, a empresa explorou conteúdo orgânico, transmissões ao vivo e parcerias com outros criadores. Agora, precisa transformar curiosidade em hábito de consumo. “Você vai olhar, vai tomar e falar: ‘Pô, maneiro’. Mas quando você toma uma vez, duas vezes, você pega gosto. Você não vai querer ir lá de novo”, afirma.
Para ele, uma marca de bebidas precisa estar presente em diferentes ocasiões até entrar no repertório de compra do consumidor.
É por isso que a Drinkiss tenta aparecer tanto no supermercado quanto em festas, eventos e aplicativos de entrega.
A empresa já fechou acordos comerciais com redes como Carrefour e Oba, além de operações de entrega como Daki. A prioridade até aqui tem sido São Paulo.
Para Jon, concentrar a distribuição foi uma escolha deliberada. “A gente não pode sair produzindo bebida e mandando para todo lugar do Brasil. Preferimos, nesse primeiro ano, focar no estado de São Paulo”, afirma.
Ainda assim, ele afirma esperar uma expansão mais intensa nos próximos meses. A meta é fazer a Drinkiss chegar a pelo menos três ou quatro estados e aumentar a presença nas grandes redes.
Quanto custa e qual é a estratégia
Há outra decisão que pode determinar até onde a empresa consegue crescer: preço.
Jon diz que a Drinkiss não pretende ocupar a faixa mais barata do mercado, mas também não quer ficar restrita a ocasiões especiais.
Nos supermercados, segundo ele, cada unidade costuma custar entre 7 e 12 reais, dependendo da rede e das promoções. Em eventos, o preço pode ser maior.
A estratégia busca equilibrar margem com acesso ao público jovem, justamente a audiência que acompanha o influenciador e que a empresa tenta transformar em consumidores.
O teste, daqui para frente, será descobrir quanto dessa comunidade permanece quando a novidade passa.
Para 2026, Jon diz que a expectativa é vender mais de 1,5 milhão de unidades, e já faturar 30 milhões de reais no ano que vem. Em 2028, a meta é ter receita de 50 milhões.
Para isso, a Drinkiss terá de aumentar distribuição, conquistar novos consumidores e, principalmente, fazer quem experimentou comprar novamente.
Jon conhece bem a primeira parte dessa equação. Passou anos aprendendo a chamar atenção na internet. Agora precisa descobrir se consegue repetir o feito em uma prateleira.
“Meu total foco é fazer essa marca virar uma grande marca no Brasil e estar pelo Brasil inteiro”, afirma.
