Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
EconomiaMPOLACS
30/09/2026
8 min

JP Morgan aumenta pessimismo com Natura (NATU3) e corta recomendação; veja as varejistas preferidas do banco para surfar o rali eleitoral

JP Morgan corta Natura para neutro e elenca os papéis preferidos no varejo para o rali eleitoral, de olho em um cenário mais favorável para os juros

JP Morgan aumenta pessimismo com Natura (NATU3) e corta recomendação; veja as varejistas preferidas do banco para surfar o rali eleitoral

O trade eleitoral chegou às ações de varejo. No entanto, ainda que algumas empresas comecem a reagir na bolsa de valores, de olho em um cenário de juros mais baixos, há um nome que não deve acompanhar esse movimento e continua sofrendo por questões internas, diz o JP Morgan.

O banco rebaixou a recomendação para a Natura de overweight, o equivalente a compra, para neutro.

Com uma operação ainda complicada em meio ao processo de reestruturação, o JP Morgan também cortou o preço-alvo da empresa de cosméticos, de R$ 11, esperados para dezembro de 2026, para R$ 8,50 para dezembro de 2027.

Além disso, o banco aponta quais são os papéis preferidos para investir agora de olho nas eleições, a poucos dias do primeiro turno.

Por que o JP Morgan cortou a recomendação para a Natura

A história de recuperação da Natura ainda não se refletiu em sua operação, diz o JP Morgan.

O banco citou três motivos para o corte:

  • A tese de melhora no fluxo de caixa ainda não está se cumprindo;
  • O valuation da ação não é atraente em relação a pares do mercado; e
  • A empresa está em um momento de operação desafiador, com problemas de execução.

"Estamos assumindo as perdas decorrentes de uma execução mais uma vez decepcionante", disse o banco.

O custo de capital mais elevado também levou o banco a reduzir suas projeções de lucro por ação em 15%.

A ação ainda tem potencial para subir de 25% a 30%, segundo o novo preço-alvo de R$ 8,50 para dezembro de 2027. Mesmo assim, essa oportunidade é limitada, já que o novo preço-alvo já representa um corte em relação às expectativas anteriores, de R$ 11 por ação para dezembro de 2026.

O trade eleitoral nas ações de varejo

As varejistas estão entre as empresas mais prejudicadas pelos juros altos e, por isso, a expectativa de juros mais baixos para 2027 já tem impulsionado esses papéis.

As ações do setor já estão descontadas há um bom tempo, por causa do cenário negativo para o setor com endividamento alto e pouca renda para consumo.

O desconto médio nas ações, considerando a métrica do preço da ação sobre o lucro estimado (P/L), é de 60% em relação à sua média dos últimos 10 anos e de 50% em relação à média dos últimos cinco anos.

Por isso, qualquer notícia no campo político já afeta profundamente o preço dessas ações, com movimentos rápidos.

Ainda assim, o banco ainda não está muito otimista com o cenário para 2027.

Ainda que as expectativas apontem para uma administração mais disciplinada do ponto de vista fiscal — e potencialmente juros e custos de dívidas mais baixos — isso ainda não foi comprovado pelas últimas pesquisas eleitorais.

Além disso, o ano que vem ainda será bastante desafiador para o consumo qualquer que seja o resultado das eleições.

Algumas medidas recentes, como a proibição das bets, o Desenrola 3.0 e o aumento do Bolsa Família, podem trazer algum alívio temporário.

Ainda assim, os juros vão continuar altos mesmo que a Selic sofra alguns cortes. Os consumidores continuarão mais focados em pagar dívidas e em guardar dinheiro que em gastar com supérfluos. O desemprego mais baixo e a inflação em desaceleração podem ser pontos positivos, mas o aumento no preço de alimentos continuar a pressionar as famílias.

Ou seja, não há muitos motivos para acreditar em uma recuperação forte e rápida das receitas das varejistas.

Por isso, o banco reduziu suas estimativas para o setor, com corte no lucro de 2% na média.

Isso não significa que é hora de abandonar o barco. "Ainda vemos um potencial de valorização significativo para a maior parte das empresas sob nossa cobertura, especialmente se um cenário de juros mais baixos vier a se concretizar", disse o JP Morgan.

Mas também não é hora de apostar tudo no setor. Apesar do desconto de cerca de 50% em relação à média dos últimos cinco anos, o banco não acredita que as empresas devem retornar ao seu valuation histórico, mesmo em um eventual cenário de queda de juros.

O crescimento do lucro por ação (EPS) provavelmente será menor do que no passado, considerando o estágio mais maduro em que muitas dessas empresas se encontram.

Considerando os novos preços-alvo para dezembro de 2027, o potencial médio de valorização é de aproximadamente 30%.

Quais ações devem subir mais em um cenário de juros mais baixos

Caso a queda mais acentuada dos juros se concretize, as ações que mais devem se favorecer são aquelas de empresas mais endividadas.

Nesse caso, as mais beneficiadas são Magazine Luiza (MGLU3), para quem o JP Morgan tem recomendação underweight, o correspondente a venda, e Assaí (ASAI3), com recomendação neutra pelo banco.

Magalu também foi impulsionada pela recuperação de sua principal concorrente, Casas Bahia, e pode ganhar mercado com a parceria firmada recentemente com o Mercado Livre.

Já Assaí pode ter uma valorização mais duradoura, já que o varejo alimentar costuma ser mais resiliente, ou seja, continua vendendo mesmo em tempos de crise.

No entanto, essas companhias já tiveram altas significativas nas últimas semanas. Magazine Luiza se valorizou 43,51% no último mês, enquanto o Assaí subiu 29,17% no mesmo período.

Por causa dessa performance recente, o JP Morgan vê poucos incentivos para entrar agora nesses dois papéis.

Quais as ações preferidas do JP Morgan para surfar o rali eleitoral

Para saber como montar a carteira na reta final das eleições, o banco buscou ações que ainda estão descontadas e fora do radar do restante do mercado.

Para o JP Morgan, o segmento de varejo de moda fast fashion parece ser uma boa aposta para o período eleitoral neste momento.

"Vemos uma assimetria entre risco e retorno mais favorável nas empresas de vestuário", diz o banco.

É o caso de Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3).

Esses papéis ainda não passaram pelo rali eleitoral, ao menos não na mesma intensidade. A alta no mesmo período foi de 7,99%, 15,13% e 1,88%, respectivamente, abaixo do Ibovespa.

Por isso, o fato de essas empresas ainda terem as ações descontadas pode servir como amortecedor das perdas, caso o cenário mais favorável não se concretize.

A perspectiva de curto prazo continua fraca, mas é justamente esse pessimismo que pode ajudar quem resolver investir agora.

Uma vez que as estimativas de crescimento dos resultados já são conservadoras e as empresas estão com valores bem deprimidos na bolsa, elas oferecem uma boa oportunidade para os investidores.

A primeira ação a reagir na bolsa a uma perspectiva mais positiva para os juros deve ser a Renner, justamente pela sua maior presença na bolsa de valores.

A empresa tem um valor de mercado maior, maior volume de ações em negociação (o free float) e maior peso nos principais índices do mercado, sendo favorecida por fluxos de investimentos passivos, que compram apenas um índice.

No entanto, ela não é a preferida do JP Morgan no momento.

Já a C&A é a empresa com o maior potencial de alta caso o setor passe por uma reprecificação positiva.

A visão para SmartFit, Alpargatas e RD Saúde

Uma melhora na operação não necessariamente é motivo para aumentar a aposta em uma empresa. No caso da Alpargatas (ALPA4), a operação vem mostrando sinais de recuperação e fortalecimento, principalmente no mercado doméstico. Isso impulsiona sua geração de receitas e de margens.

Mesmo assim, o preço da ação já tem acompanhado essa melhora, e subido até 20% acima de outros pares do setor. Por isso, não é uma ação tão atraente no momento.

Já a SmartFit (SMFT3) pode ser uma boa aposta, mas apenas para quem está de olho no longo prazo.

Como parte relevante do negócio da SmartFit já não está mais no Brasil, ela não é vista como uma ação a ser beneficiada de um rali eleitoral, que afeta principalmente o mercado doméstico.

Isso porque os juros mais baixos não fariam tanta diferença para sua estrutura financeira, já que ela está investindo fortemente em expansão e sendo pressionada por uma concorrência cada vez mais acirrada.

Ainda assim, o banco acredita que o valuation da rede de academias ainda está muito ligado ao que acontece no Brasil, em vez de refletir essa diversificação geográfica, e há espaço para valorização de olho nessa fortaleza.

Outro benefício da empresa é o crescimento do agregador TotalPass. "Do ponto de vista operacional, continuamos acreditando que está se formando um duopólio no mercado de agregadores de academias, o que tende a favorecer a rentabilidade de longo prazo desse negócio."

A RD Saúde (RADL3), dona das redes Raia e Drogasil, é a ação com o maior duration entre as analisadas pelo banco. Ou seja, seu potencial de retorno aumenta quanto mais tempo o investidor passar posicionado.

Afinal, o valor do papel já está sendo negociado a múltiplos mais altos que outras do setor, a 14,5 vezes preço sobre lucro estimado para 2027, embora ainda abaixo do que o banco consideraria justo.

Segundo o banco, é a empresa para investir de olho no longo prazo, já que ela tem fortalezas relevantes que continuam sustentando o negócio por muitos anos, como sua resiliência histórica e a posição de liderança do setor.

AutorKarin Salomão
FonteSeu Dinheiro
Distribuído por