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26/06/2026
3 min

JP Morgan avalia compra de terras da Radar pela SLC Agrícola (SLCE3) como negativa para as ações, apesar do potencial estratégico

JP Morgan avalia compra de terras da Radar pela SLC Agrícola (SLCE3) como negativa para as ações, apesar do potencial estratégico

A SLC Agrícola (SLCE3) anunciou a aquisição do portfólio de terras “Bloco Mato Grosso”, pertencente à Radar, empresa ligada à Cosan, em uma operação de R$ 1,85 bilhão. Apesar de reconhecer o caráter estratégico do negócio, o JP Morgan avaliou a transação de forma negativa para a companhia.

A operação envolve cerca de 41,2 mil hectares no Mato Grosso, dos quais 28,8 mil hectares são agricultáveis. Segundo a companhia, aproximadamente 17,6 mil hectares já são atualmente operados pela SLC.

A empresa destacou que toda a área é apta ao cultivo da segunda safra, o que deve adicionar cerca de 22 mil hectares à área efetivamente plantada. O negócio também inclui máquinas, estruturas de armazenagem e demais ativos vinculados às propriedades, em uma aquisição realizada no modelo “porteira fechada”.



Segundo a administração, o valor pago equivale a aproximadamente R$ 64,2 mil por hectare, representando um desconto de cerca de 15% em relação aos preços das terras na região.

O pagamento será dividido em duas etapas: R$ 700 milhões serão desembolsados nos próximos dias, corrigidos por 100,25% do CDI, enquanto os R$ 1,15 bilhão restantes serão pagos até 30 de outubro de 2026.

A aquisição ocorreu após uma disputa com o Grupo Bom Futuro, que apresentou proposta no mesmo valor. O fechamento do negócio ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores.

SLCE3: JP Morgan vê operação como desfavorável

Para o JP Morgan, embora as terras sejam consideradas ativos de alta qualidade e estejam localizadas em uma das principais regiões produtoras do Mato Grosso, a operação não cria valor suficiente para os acionistas.

Os analistas destacam que o desconto implícito de 15% a 20% sobre o valor patrimonial das terras (NAV) é inferior ao desconto de aproximadamente 52% pelo qual as ações da SLC negociam atualmente. Na prática, o banco entende que a companhia está comprando ativos que negociam a um desconto menor do que o aplicado pelo mercado às próprias ações da empresa.

Além disso, o JP Morgan estima que a transação implica um cap rate (taxa de capitalização) de cerca de 3,5%, considerado relativamente baixo.

Outro ponto de atenção é a alavancagem. O banco projeta que a relação entre dívida líquida e Ebitda da companhia pode aumentar em cerca de 0,9 vez até o fim de 2026 caso a aquisição seja concluída neste ano.

Na avaliação dos analistas, o maior endividamento eleva os custos financeiros e aumenta os riscos em um momento de incertezas climáticas, especialmente diante dos possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a produção agrícola.

AutorPasquale Augusto
FonteMoney Times
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