Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Bolsa e dólarACSCMDT
31/10/2026
4 min

JP Morgan faz alerta sobre o Banco do Brasil (BBAS3) e aponta desafio para o próximo trimestre

Piora nos indicadores de atraso acende sinal de alerta para a qualidade da carteira de crédito do banco, enquanto desaceleração dos empréstimos e spreads mais altos aumentam a pressão sobre o setor financeiro

JP Morgan faz alerta sobre o Banco do Brasil (BBAS3) e aponta desafio para o próximo trimestre

O Banco do Brasil (BBAS3) pode enfrentar um quarto trimestre mais desafiador caso os atrasos nos empréstimos ao agronegócio avancem. O alerta é do JP Morgan, que identificou piora nos indicadores de atraso do segmento em setembro e vê risco de que esse movimento apareça nos índices de inadimplência acima de 90 dias nos próximos meses.

Na avaliação dos analistas, o sinal de atenção está na inadimplência precoce, que pode antecipar uma deterioração da qualidade da carteira de crédito do BB no quarto trimestre de 2026.

A preocupação aparece em um momento em que o mercado de crédito brasileiro também começa a perder fôlego. Os empréstimos cresceram em ritmo menor, os spreads bancários avançaram e algumas modalidades já apresentam sinais de deterioração da qualidade dos ativos.

Com base nos dados do Banco Central, o JP Morgan aponta que o estoque total de crédito no Brasil chegou a R$ 7,444 trilhões em setembro, uma expansão de 8,6% em 12 meses. O resultado representa uma desaceleração em relação aos 9,3% registrados em agosto, com perda de ritmo tanto nas operações para pessoas físicas quanto para empresas.

Para os analistas, a combinação de desaceleração da carteira e maior cautela dos bancos merece atenção, especialmente em segmentos de maior risco. O banco considera que os dados marginais de setembro vieram ligeiramente piores do que o esperado e mantém uma visão mais conservadora para o mercado de crédito, principalmente em 2027.

Além do Banco do Brasil, crédito desacelera

A desaceleração atingiu tanto as pessoas físicas, cujo crescimento anual caiu de 7,3% para 6,5%, quanto as empresas, com expansão passando de 10,7% para 9,9%.

Mas nem todas as modalidades caminharam na mesma direção. Os empréstimos pessoais sem garantia somaram R$ 20 bilhões em novas concessões em setembro, acima dos R$ 17 bilhões a R$ 19 bilhões registrados nos meses anteriores.

Essa modalidade foi uma exceção à tendência de desaceleração: as novas concessões cresceram 14% no terceiro trimestre em relação ao trimestre anterior, enquanto as demais operações de crédito ao consumidor com recursos livres, excluindo os empréstimos sem garantia, avançaram apenas 2%.

Já os programas de crédito direcionados a pequenas e médias empresas perderam força: as novas operações ficaram em aproximadamente R$ 2 bilhões, ante valores entre R$ 6 bilhões e R$ 12 bilhões nos meses recentes.

No cartão de crédito, o crescimento anual do estoque desacelerou para 8%, ante uma faixa de 11% a 13% observada nos meses anteriores. O JP Morgan avalia que a tendência de desaceleração do crédito deve continuar em 2027.

No agregado, a inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 5% do sistema bancário em setembro.

Crédito mais caro: spreads bancários sobem em setembro

Além de emprestar em ritmo menor, os bancos também estão cobrando mais pelo crédito. O spread bancário total avançou 0,5 ponto percentual (p.p) em setembro, chegando a 21,6%. Nas operações com recursos livres, a alta foi de 0,8 p.p, levando o indicador a 35,5%.

Para pessoas físicas, o spread nessa modalidade atingiu 48,5%. Entre as empresas, ficou em 11,7%. O spread representa a diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e os juros cobrados dos clientes.

Na avaliação do JP Morgan, sua elevação reflete uma postura mais cautelosa dos bancos diante dos riscos. Na prática, o movimento pode significar empréstimos mais caros para consumidores e empresas, além de condições mais restritivas para novas operações.

O número, porém, não conta toda a história. O JP Morgan identificou piora no consignado privado e no cartão de crédito, enquanto houve melhora no crédito rural direcionado e nos empréstimos pessoais sem garantia.

As provisões em relação à carteira total recuaram para 7,9%. Os analistas também fazem uma ressalva sobre a interpretação dos números: as políticas de baixa de créditos para prejuízo têm apresentado volatilidade e podem influenciar os indicadores de inadimplência do sistema. Por isso, a estabilidade do índice geral não elimina os riscos localizados em determinadas modalidades.

Itaú é o preferido do JP Morgan entre os grandes bancos

Na análise das ações do setor financeiro, o JP Morgan mantém o Itaú (ITUB4) como sua preferência entre os grandes bancos tradicionais após as eleições, com recomendação de compra (Overweight).

Para o Bradesco (BBDC4), a recomendação é neutra. Já no caso do Nubank (NU), os analistas destacam o ritmo acelerado dos empréstimos pessoais sem garantia, mas levantam preocupações sobre possíveis efeitos futuros na qualidade dos ativos.

No Banco do Brasil, o foco permanece na evolução dos atrasos no agronegócio e no risco de que a deterioração dos pagamentos pressione os indicadores de inadimplência nos próximos trimestres.

AutorBia Azevedo
FonteSeu Dinheiro
Distribuído por