JP Morgan, Goldman, Wells Fargo: o que os balanços dos 'bancões' revelam sobre os EUA
Na comparação com o que os analistas esperavam, o saldo foi majoritariamente positivo, com os balanços mostrando um consumidor americano ainda forte

- • Goldman Sachs e Citi superam as projeções de lucro e receita; Wells Fargo bate no lucro, mas fica abaixo na receita
- • JPMorgan é a exceção, com lucro ajustado abaixo do consenso
- • Consumidor americano segue gastando, mas cresce a cautela com o crédito a empresas
- • Mesas de ações brilham, enquanto a renda fixa decepciona em três dos quatro bancos
A temporada de balanços do terceiro trimestre nos Estados Unidos começou nesta terça-feira, 13, com os números de quatro dos maiores bancos do país. JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Wells Fargo e Citigroup divulgaram seus resultados antes da abertura do mercado e, somados, lucraram cerca de US$ 31,8 bilhões entre julho e setembro.
Na comparação com o que os analistas esperavam, o saldo foi majoritariamente positivo. Goldman Sachs e Citi superaram com folga as projeções de lucro e receita. O Wells Fargo lucrou acima do previsto, mas faturou menos do que o mercado esperava. O JPMorgan foi a exceção, com lucro por ação ajustado de US$ 5,75, abaixo dos US$ 5,90 projetados, um tropeço raro para um banco que costuma bater as estimativas. As ações reagiram de forma desigual no pré-mercado, com alta de 4,5% para o Goldman e queda para o Wells Fargo.
Os balanços mostram um consumidor americano ainda forte. Os gastos com cartões subiram 10% no JPMorgan e 11% no Citi, e a inadimplência caiu nos três bancos com operação de varejo relevante. Charlie Scharf, CEO do Wells Fargo, afirmou que os clientes estão gastando mais e que os atrasos em empréstimos seguem baixos. Do lado das empresas, porém, surgem os primeiros sinais de cautela. JPMorgan e Goldman aumentaram as provisões (dinheiro reservado para cobrir possíveis calotes) ligadas a empréstimos corporativos, e o Wells Fargo registrou perdas maiores com crédito a empresas e imóveis comerciais.
O trimestre foi marcado por juros longos em alta, com o título de 10 anos do Tesouro americano perto de 5,2%, inflação persistente e petróleo mais caro, riscos citados por todos os CEOs. Ao mesmo tempo, a bolsa em níveis recordes favoreceu as mesas que negociam ações, cuja receita saltou 72% no Goldman, 49% no JPMorgan e 21% no Wells Fargo. Já as mesas de renda fixa (que negociam títulos, moedas e commodities) ficaram estáveis ou recuaram, com exceção do Citi. A alta dos juros também desvalorizou os títulos que os bancos carregam em carteira, o que reduziu o índice de capital (o colchão que protege o banco contra perdas) dos quatro. Não por acaso, o setor financeiro acumula alta de apenas 0,4% em 2026, contra 13,5% do S&P 500.
JPMorgan tropeça na renda fixa, mas eleva projeção
O maior banco dos EUA lucrou US$ 15,3 bilhões, alta de 6%, com receita de US$ 50,9 bilhões (+8%). O resultado ficou longe do recorde do segundo trimestre, inflado por um ganho com ações da Visa. A mesa de ações faturou US$ 5,0 bilhões, 49% a mais que há um ano e acima dos US$ 4,47 bilhões esperados. O varejo lucrou US$ 5,7 bilhões (+13%), e o banco elevou para US$ 106,2 bilhões a projeção de margem financeira (diferença entre os juros que cobra e os que paga) em 2026.
O lado fraco ficou com a renda fixa, que somou US$ 5,37 bilhões, contra US$ 6 bilhões esperados. O banco também teve perda de US$ 658 milhões na venda de títulos e despesas 12% maiores, ritmo acima do avanço da receita. Jamie Dimon disse que a atividade dos clientes "moderou" ao longo do trimestre.
Goldman Sachs surfa a euforia da bolsa
O Goldman teve a segunda maior receita de sua história, de US$ 18,7 bilhões (+23%), e lucro de US$ 5,3 bilhões (+29%). O lucro por ação de US$ 17,01 ficou bem acima dos cerca de US$ 13 esperados. A mesa de ações gerou US$ 6,4 bilhões, US$ 1,35 bilhão acima do previsto, com recorde no financiamento a fundos de investimento. A receita com assessoria em fusões e aquisições também foi recorde, de US$ 1,65 bilhão.
Na outra ponta, a renda fixa trouxe US$ 3,47 bilhões, abaixo dos US$ 3,72 bilhões estimados. A carteira de operações de banco de investimento ainda por fechar encolheu no trimestre, e as provisões para calotes mais que triplicaram frente ao trimestre anterior, para US$ 368 milhões.
Wells Fargo lucra mais, mas receita decepciona
O banco mais voltado ao varejo do grupo lucrou US$ 6,0 bilhões (+6%), com lucro por ação de US$ 1,87, dois centavos acima do consenso. Empréstimos e depósitos cresceram 11%, e as despesas caíram 1% com um corte de 8% no quadro de funcionários. O lucro do varejo saltou 21%, puxado por financiamento de veículos, e o dividendo subiu para US$ 0,50 por ação.
A receita de US$ 21,9 bilhões, porém, ficou abaixo dos US$ 22,3 bilhões esperados, com ganhos de negociação 21% menores e queda de 15% no crédito imobiliário. O lucro ainda contou com US$ 170 milhões em benefícios fiscais pontuais, e o índice de capital caiu de 11,0% para 10,0% em um ano, o mais baixo entre os quatro.
Citi tem o melhor terceiro trimestre em uma década
O Citi faturou US$ 23,8 bilhões (+8%), maior receita para um terceiro trimestre em dez anos, e lucrou US$ 5,2 bilhões, 40% acima do mesmo período de 2025. O lucro por ação de US$ 2,85 superou os US$ 2,66 esperados. A divisão que cuida de caixa e pagamentos de grandes empresas cresceu 15%, e a renda fixa somou US$ 4,4 bilhões, acima da projeção, na contramão dos rivais. O banco devolveu US$ 4,1 bilhões aos acionistas e elevou o dividendo em 12%.
O ponto fraco foi o cartão de crédito nos EUA, cujo lucro caiu 8% com custos maiores de programas de recompensas. O banco também reforçou em US$ 369 milhões as reservas contra calotes por causa de um cenário econômico menos favorável, e as perdas com crédito no México subiram 46%.
