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EmpresasACS
05/10/2026
6 min

JP Morgan muda recomendação para incorporadoras após 1° turno das eleições; Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) são compra

O JP Morgan mudou sua recomendação entre as incorporadoras listadas após o resultado do primeiro turno das eleições brasileiras. O banco elevou Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) de neutro para overweight (equivalente à compra), enquanto rebaixou Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e Tenda (TEND3) de overweight para neutro. Com isso, a nova ordem de preferência da […]

JP Morgan muda recomendação para incorporadoras após 1° turno das eleições; Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3) são compra

O JP Morgan mudou sua recomendação entre as incorporadoras listadas após o resultado do primeiro turno das eleições brasileiras. O banco elevou Cyrela(CYRE3) e Eztec(EZTC3) de neutro para overweight (equivalente à compra), enquanto rebaixou Cury(CURY3), Direcional(DIRR3) e Tenda(TEND3) de overweight para neutro.

Com isso, a nova ordem de preferência da casa norte-americana é: CYRE, EZTC, MRVE, DIRR, CURY e TEND.

A avaliação dos analistas do JP é de que o resultado do domingo (4)aumentou a probabilidade de uma mudança de governo e, consequentemente, pode favorecer uma compressão dos juros reais de longo prazo.

Na visão do banco, uma redução do prêmio de risco fiscal e uma melhora na confiança sobre a política econômica do Brasil poderiam diminuir o custo de capital das empresas e estimular os investidores a buscar ações de maior beta, como as incorporadoras de média e alta renda.

Na outra ponta, as construtoras de habitação popular, segundo o JP, enfrentam riscos como maior restrição de crédito pela Caixa Econômica Federal (CEF) e menor apoio ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV) em um eventual novo governo de Flávio Bolsonaro (PL).

Nesse cenário, Cyrela e Eztec, mais expostas aos segmentos de média e alta renda, seriam as principais beneficiadas, de acordo com a instituição.

A casa ressaltou, porém, que ainda não alterou suas estimativas de resultados nem os preços-alvo para dezembro de 2027, aguardando maior visibilidade sobre a agenda econômica e habitacional do possível novo presidente.

Queda dos juros pode elevar valores justos

No caso da redução no custo de capital, o JP Morgan apresentou uma análise de sensibilidade dos preços das incorporadoras.

No cenário intermediário, uma queda de 1,5 ponto percentual no custo de equity — em linha com a expectativa dos estrategistas do banco em um eventual cenário de vitória de Flávio Bolsonaro — poderia elevar entre 13% e 18% os valores justos das empresas analisadas.

Para Cyrela e Eztec, consideradas pelo JP como as ações de maior beta da cobertura, essa redução levaria os múltiplos-alvo para 1,31 vez e 0,81 vez o valor patrimonial, respectivamente, ante 1,14 vez e 0,70 vez atualmente.

Por outro lado, a instituição também calcula que uma queda de 2 pontos percentuais na velocidade de vendas poderia reduzir o valor justo das empresas em aproximadamente 3% a 4%.

Já uma queda de 2 pontos percentuais na margem líquida teria impacto mais forte, reduzindo o valor justo entre 11% e 36%, dependendo da companhia.

Eleição pode repetir movimento de 2018

O banco norte-americano usa o desempenho das incorporadoras em 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente, como referência para estimar o potencial de reprecificação das ações após uma mudança no cenário político.

Naquele ano, as construtoras chegaram a registrar forte expansão dos múltiplos. Em um horizonte de 12 meses, Cyrela teve alta de 13% no múltiplo P/L e de 112% no P/VP, enquanto a Eztec avançou 27% no P/L e 64% no P/VP.

Entre o primeiro e o segundo turnos, CYRE3 e EZTC3 subiram entre 12% e 27% em P/L e entre 14% e 17% em P/VP, de acordo com o JP.

Caso um movimento semelhante se repita, a instituição calcula que os múltiplos P/L poderiam chegar a aproximadamente 5,9 vezes para a Cyrela e 8 vezes para a Eztec até 23 de outubro, quando será o segundo turno deste ano.

Cyrela

No caso especificamente da Cyrela, o JP Morgan mantém preço-alvo de R$ 34,50 para dezembro de 2027.

A tese está concentrada na recuperação do mercado de média e alta renda em um cenário de juros menores. O banco também destaca a diversificação da companhia, que possui exposição tanto aos segmentos de média e alta renda quanto à baixa renda.

Pelas contas da casa, as participações em Lavvi, Plano&Plano e Cury poderiam contribuir com mais de R$ 550 milhões para o resultado de equivalência patrimonial da Cyrela em 2027.

Outro potencial catalisador é a CashMe, frente da companhia voltada a crédito com garantia imobiliária. A plataforma possui uma carteira superior a R$ 4 bilhões e, com base em transações recentes de mercado, o JP estima que poderia valer aproximadamente R$ 3 bilhões, ou cerca de R$ 6,50 por ação CYRE3.

Eztec

No caso da Eztec, o preço-alvo da casa norte-americana é de R$ 19 por papel.

Além da expectativa de queda dos juros e recuperação da demanda por imóveis de média e alta renda, o banco vê potencial de valorização relacionado ao Esther Tower, edifício alugado recentemente pela empresa ao Itaú (ITUB4).

O empreendimento possui potencial de vendas entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões, e eventuais notícias sobre sua locação ou venda podem gerar novo impulso para as ações, segundo o banco.

O JP Morgan também destaca que a companhia vem apresentando resultados acima das expectativas, apoiada por margens sólidas e pela venda de terrenos antigos a preços considerados atrativos.

Cury, Tenda, Direcional: rebaixadas para neutro

No caso da Cury, o banco mantém preço-alvo de R$ 48. Apesar da cautela, a companhia é considerada pelo JP a incorporadora de maior qualidade entre as empresas de baixa renda.

A ação é negociada a cerca de 6 vezes o P/L estimado para 2027 e oferece, segundo o banco, dividend yield de aproximadamente 10% neste ano.

Quanto à Tenda, o preço-alvo é de R$ 52,50. A casa destaca que a empresa apresentou resultado acima das expectativas no segundo trimestre (2T26) e elevou sua projeção para 2026, mas ainda vê riscos relacionados a crédito, inflação de custos e eventuais mudanças no Minha Casa, Minha Vida.

Para a Direcional, o preço-alvo é de R$ 17,50. O JP aponta a avaliação considerada atrativa, de 5,2 vezes o P/L estimado para 2027, além da margem bruta superior a 42%, a mais alta entre as incorporadoras de baixa renda acompanhadas.

Entre os potenciais catalisadores estão o banco de terrenos em Belo Horizonte, que poderia se beneficiar de mudanças no zoneamento, e a parceria com a Moura Dubeux (MDNE3) para desenvolver projetos de habitação popular no Nordeste.

MRV

A MRV permanece com recomendação neutra pelo JP Morgan e preço-alvo de R$ 8. O banco vê falta de momentum para a companhia, principalmente devido à expectativa de novas revisões negativas nas estimativas de lucro relacionadas à Resia, subsidiária nos Estados Unidos (EUA).

A empresa também é apontada como a mais alavancada da cobertura, com relação entre dívida líquida e patrimônio de aproximadamente 2,3 vezes no 2T26, considerando as obrigações relacionadas à cessão de recebíveis.

Por outro lado, o valuation é considerado baixo: o P/L projetado para 2027 está em 4,6 vezes.

Confira as recomendações do JP:

Empresa Ticker Recomendação Preço-alvo
Cyrela CYRE3 Overweight R$ 34,50
EZTEC EZTC3 Overweight R$ 19,00
MRV MRVE3 Neutral R$ 8,00
Direcional DIRR3 Neutral R$ 17,50
Cury CURY3 Neutral R$ 48,00
Tenda TEND3 Neutral R$ 52,50

AutorIgor Grecco
FonteMoney Times
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