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Bolsa e dólarACS
25/09/2026
5 min

JP Morgan pisa no freio e rebaixa Frasle (FRAS3) para venda. Analistas preferem outras 3 ações que podem saltar até 69%

O banco tem visão cautelosa para o setor de autopeças e prefere empresas com exposição ao mercado internacional; veja as recomendações

JP Morgan pisa no freio e rebaixa Frasle (FRAS3) para venda. Analistas preferem outras 3 ações que podem saltar até 69%

Os juros altos continuam fazendo novas vítimas na bolsa brasileira. Dessa vez, o cenário econômico mais desafiador levou o JP Morgan a revisar as expectativas para as empresas do setor de autopeças e passou a faca em uma ação: a Frasle (FRAS3), rebaixada para venda.

Porém, mesmo com uma visão cautelosa sobre o setor e a expectativa de que companhias com exposição ao mercado doméstico vão continuar sendo impactadas, o JP Morgan enxerga uma luz para algumas empresas de autopeças.

Para os analistas, companhias expostas a mercados internacionais, especialmente aos Estados Unidos, estão se beneficiando da recuperação do mercado de caminhões americano. 

Nesse cenário, a equipe de análise tem recomendação de compra para três ações do setor — e definiu quais são as duas favoritas.

Por que o JP Morgan cortou a nota da Frasle

O JP Morgan tem três principais motivos para desistir dos papéis da companhia de lonas e pastilhas de freio, principalmente de olho no cenário difícil para fabricantes de caminhões e ônibus.

O primeiro tem a ver com a capacidade de a ação trazer retornos aos acionistas. Segundo a equipe de análise, o papel FRAS3 tem potencial de alta considerado “modesto” em comparação com as ações de outros players.

Até dezembro de 2027, o JP Morgan acredita que o ativo alcance o patamar de R$ 28. O espaço para alta nesse caso é de 19%, enquanto outra ação do setor que possui recomendação de compra pelos analistas pode entregar uma alta de até 69% no mesmo período (veja a seguir quais são os papéis recomendados pelo banco no setor).

O segundo fator que fez os analistas rebaixarem a indicação é a fraqueza de curto prazo nos resultados devido ao cenário macro desafiador no Brasil.

“Estamos reduzindo nossas estimativas de lucro por ação para 2027 e 2028 em 9% e 3%, respectivamente, devido às menores expectativas de receita com diminuição nas estimativas de 5% em ambos os anos, bem como margens mais fracas”, afirmaram.

Além disso, o banco enxerga potencial limitado para surpresas positivas em fusões e aquisições, dada a alavancagem da controladora Randoncorp (RAPT4).

Quem é a empresa Frasle

Criada em 1954, em Caxias do Sul (RS), como Indústria Francisco Stedile & Cia., a Frasle Mobility tem atuação global para uma área um tanto específica: ela fabrica componentes para sistemas de freio.

É líder na América Latina nesse setor e uma das maiores do mundo. Atende fabricantes de carros, caminhões, ônibus, motos, trens, metrôs e até aeronaves com pastilhas, lonas, sapatas de freio e outros componentes.

A fabricante é fornecedora oficial das pastilhas de freios dos carros da Stock Car, por exemplo, em conjunto com sua subsidiária Fremax.

Com valor de mercado de aproximadamente R$ 6,3 bilhões, tem fábricas no Brasil, Estados Unidos, Índia e China, centros de distribuição na Argentina, Colômbia e Europa, e operações comerciais nos EUA, Chile, Alemanha e México.

Sua atuação internacional começou com em 1969, com a primeira exportação ao Paraguai. Na década de 1990, implementou operações nos EUA e na Argentina. Ao final da década, tornou-se uma empresa do grupo Randon, hoje Randoncorp.

No mês passado, a ação da Frasle passou a ser mais comentada entre investidores. O motivo foi que a DRAMD Participações e Administração, holding controladora da Randoncorp e que centraliza a gestão da fortuna da família Randon, fez uma oferta para trocar os papéis RAPT3 em circulação por ações FRAS3.

As três recomendações no setor

Enquanto rebaixou as ações da Frasle para venda, o JP Morgan reforçou a compra de três papéis: Marcopolo (POMO4), Tupy (TUPY3) e Iochpe-Maxion (MYPK3).

Entre elas, porém, duas se destacam como as favoritas da equipe de análise.

A primeira é a Tupy (TUPY3). O banco vê potencial de valorização de 38% para as ações até dezembro de 2027 – com base no preço-alvo de R$ 23 e o fechamento de quinta-feira (24) – e destaca os avanços recentes de governança, além da melhora gradual do mercado de caminhões na América do Norte.

Outro ponto importante é a exposição ao exterior. Cerca de 60% da receita da companhia vem de mercados internacionais, o que pode ajudar os resultados em um cenário de real mais fraco.

A segunda favorita é a Iochpe-Maxion (MYPK3). Para o banco, a fabricante de rodas e componentes estruturais reúne uma combinação atrativa de recuperação operacional e forte presença global.

A companhia gera aproximadamente dois terços de sua receita fora do Brasil e deve ser uma das beneficiadas pela retomada do ciclo de veículos pesados na América do Norte.

O preço-alvo estimado é de R$ 13 por ação, potencial de alta de cerca de 40%.

Já para quem busca a maior valorização potencial do setor, a aposta é a Marcopolo (POMO4).

Embora não esteja entre as duas preferidas, a fabricante de ônibus possui o maior upside da cobertura do JP Morgan, de 69%, com preço-alvo de R$ 7 para o fim de 2027.

AutorGiovanna Figueredo
FonteSeu Dinheiro
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