JPMorgan vê 'céu de brigadeiro' para bolsa americana e revisa projeção do S&P 500

O JPMorgan Chase elevou a sua meta de preço de fim de ano para o índice S&P 500 de 7.600 para 7.800 pontos, sinalizando que as ações dos Estados Unidos estão se aproximando de um cenário altamente otimista, classificado pelo banco como blue sky (mesmo sentido do termo em português "céu de brigadeiro"). A nova projeção representa um potencial de valorização de quase 6% em relação ao fechamento do mercado na última terça-feira.
De acordo com o relatório assinado por Dubravko Lakos-Bujas, chefe de estratégia de mercados globais do banco, os principais motores para o otimismo são o crescimento dos lucros corporativos acima do esperado e a perspectiva de um acordo de paz para encerrar a guerra no Irã.
Volatilidade no setor de tecnologia
A revisão para cima ocorre logo após o índice de referência registrar duas sessões consecutivas de queda, pressionado por uma forte desvalorização nas maiores empresas de tecnologia. Na terça-feira, o indicador recuou 1,4%, em um movimento que foi classificado por um estrategista de Wall Street como um "naufrágio dos chips" (chip-wreck).
Para Lakos-Bujas, contudo, essas quedas pontuais fazem parte do processo de mercado. "É importante ter em mente que a trajetória de alta provavelmente será não linear, uma vez que o mercado precisará superar vários obstáculos", escreveu o estrategista em nota divulgada nesta quarta-feira (24).
Ele ponderou que os fortes resultados corporativos consecutivos elevaram a barra de exigência para a temporada de balanços do segundo trimestre, tornando mais difícil para as empresas surpreenderem positivamente de forma significativa tanto em lucros quanto em despesas de capital (capex).
Na noite de ontem, 24, o balanço da Micron surpreendeu positivamente, levando as ações de tecnologia a altas expressivas no after hours e no pré-mercado desta quinta-feira.
IA e revisões sem precedentes nos lucros
O JPMorgan destacou que o consenso de mercado para o crescimento dos lucros foi revisado para cima, apontando para uma média de aproximadamente 20% nos próximos dois anos. Esse avanço caminha em paralelo com os planos corporativos de quase duplicar os investimentos de capital voltados para a inteligência artificial.
O estrategista admitiu que a instituição deveria ter sido ainda mais otimista com as projeções anteriores, apontando que as revisões para cima nos consensos de estimativas para 2026 e 2027 já acumulam alta de cerca de 10% no ano. "Esse tipo de revisão positiva é sem precedentes e normalmente só é visto após um choque ou em períodos pós-recessão", afirmou Lakos-Bujas.
O relatório detalha que o "choque positivo" teve início na temporada de balanços anterior, quando as empresas expandiram seus orçamentos de investimento, e ganhou sustentação após a empresa Anthropic PBC confirmar a viabilidade comercial dos serviços de inteligência artificial. "Diante desse cenário, e com os Estados Unidos e o Irã trabalhando em direção a um acordo de paz, estamos nos aproximando do nosso cenário de 'Céu de Brigadeiro'", concluiu o executivo do JPMorgan.
