Juiz rejeita ação de US$ 10 bilhões de Trump contra Wall Street Journal
Presidente dos EUA acusava o jornal de difamação por reportagem sobre suposta carta enviada a Jeffrey Epstein em 2003; decisão impede que o processo seja reapresentado

Um juiz federal dos Estados Unidos rejeitou definitivamente a ação por difamação movida pelo presidente Donald Trump contra o The Wall Street Journal. O republicano pedia US$ 10 bilhões (cerca de R$ 57 bilhões) em indenização ao jornal por uma reportagem sobre uma suposta carta enviada por ele ao financista Jeffrey Epstein em 2003.
A decisão foi proferida neste sábado, 31, pelo juiz Darrin Gayles. O magistrado concluiu que a equipe jurídica de Trump não conseguiu demonstrar que o jornal publicou informações falsas com "má-fé real", requisito previsto na legislação americana para que figuras públicas obtenham condenações por difamação.
Com a extinção do processo com resolução de mérito, os advogados do presidente não poderão apresentar uma nova versão da ação.
Relembre a carta que teria sido assinada por Trump
Trump processou a Dow Jones, empresa controladora do The Wall Street Journal, e seu proprietário, Rupert Murdoch, após a publicação de uma reportagem, em julho de 2025, sobre uma carta que teria sido escrita pelo republicano para Epstein.
A mensagem fazia parte de um livro produzido em 2003 para celebrar o aniversário de 50 anos do financista. O documento continha um texto datilografado, uma ilustração com o contorno do corpo de uma mulher nua e a assinatura atribuída a Trump.
"Feliz aniversário, e que cada dia seja outro maravilhoso segredo", dizia um trecho da mensagem.
Trump negou ter escrito a carta e acusou os jornalistas de inventarem a história para prejudicar sua imagem. Seus advogados argumentaram que o jornal deveria ter descartado a informação diante da negativa do presidente.
Entenda a decisão do juiz
Gayles, porém, considerou que a contestação de Trump não era suficiente para caracterizar má-fé por parte dos jornalistas.
O magistrado afirmou que aceitar esse argumento significaria impedir a imprensa de publicar reportagens negativas ou contraditórias sempre que uma figura pública negasse uma acusação. Segundo ele, esse entendimento seria contrário à proteção constitucional da liberdade de expressão nos Estados Unidos.
Na avaliação de Gayles, Trump não apresentou provas de que os réus sabiam que a reportagem era falsa ou que agiram com desrespeito deliberado à veracidade das informações.
O juiz também afirmou que a equipe jurídica do presidente tentou encontrar argumentos frágeis para sustentar a ação, sem demonstrar os requisitos legais necessários para uma condenação por difamação.
A decisão não determina se a carta atribuída a Trump é autêntica. O magistrado se limitou a avaliar se havia elementos suficientes para manter o processo.
O caso Jeffrey Epstein
A reportagem do The Wall Street Journal foi publicada em um momento de pressão sobre o governo Trump em relação à divulgação dos documentos ligados a Jeffrey Epstein.
O financista morreu em uma prisão de Nova York, em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores e conspiração para cometer o crime.
Trump resistiu durante meses à divulgação integral dos chamados arquivos de Epstein, mas acabou sancionando uma lei aprovada pelo Congresso que determinava a publicação dos documentos.
O nome do presidente aparece nos registros, mas ele nega ter cometido irregularidades e não foi acusado de crimes relacionados ao caso.
