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InvestMercados
28/08/2026
3 min

Juros dos EUA: o que esperar do discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole hoje

Presidente do Fed discursa nesta sexta, 28, em meio à pressão dos mercados por sinais sobre os juros americanos

Juros dos EUA: o que esperar do discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole hoje

O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, faz nesta sexta-feira, 28, seu aguardado discurso em Jackson Hole, com os mercados em busca de sinais sobre os próximos passos dos juros nos Estados Unidos. A expectativa é que o chefe do banco central americano esclareça, ainda que parcialmente, em quais condições a autoridade monetária poderia voltar a elevar as taxas ou mantê-las.

A fala ocorre em um momento delicado para os mercados, segundo informações divulgadas pela CNBC. Os rendimentos dos títulos públicos dos EUA, Treasuries, estão no radar dos investidores, e uma mensagem considerada vaga por Warsh pode aumentar a pressão sobre os títulos de longo prazo.

Para o chefe de estratégia de juros dos EUA do Bank of America (BofA), Mark Cabana, Warsh deve sinalizar que está disposto a subir os juros novamente caso a inflação deixe de desacelerar. Mas, se ele concentrar o discurso em temas estruturais e evitar detalhes sobre a política monetária, o mercado pode interpretar a mensagem como "dovish", quando não há pressa de subir os juros.

Economista-chefe da RSM, Joseph Brusuelas vê, com isso, que o aumento das expectativas em torno do discurso transformou Jackson Hole em um teste importante para o presidente do Fed. "Warsh não poderá adotar um discurso enigmático. Ele precisará ser um pouco mais direto e claro sobre o que quer dizer", opinou.

O que o mercado espera de Warsh

Uma das principais dúvidas dos investidores é entender quais indicadores e condições econômicas serão determinantes para uma mudança na direção dos juros. Desde que assumiu a presidência do Fed, em maio, Warsh tem adotado uma estratégia diferente da de seus antecessores.

Em vez de tentar conduzir as expectativas do mercado por meio de sinais sobre os próximos passos da política monetária, ele tem dado mais espaço para que os próprios mercados interpretem os dados e produzam sinais para o banco central.

"As pessoas vivem me perguntando o que eu espero, e, na verdade, não espero muita coisa. Acho difícil prever o que ele vai dizer", detalhou o economista-chefe do M&T Bank e da Wilmington Trust Investment Advisors, Luke Tilley, ao canal americano.

O economista também gostaria de ouvir uma explicação mais direta sobre como o presidente do Fed entende a formação da inflação e de que maneira a política monetária afeta os preços, seja pelo tempo de transmissão dos efeitos ou pelos diferentes canais envolvidos.

Discurso pode ir além da política monetária

O tema oficial do simpósio deste ano é "Inovação financeira: implicações para pagamentos e política", o que também pode abrir espaço para Warsh abordar questões mais amplas do funcionamento do banco central.

Desde que assumiu, o presidente criou cinco grupos de trabalho para fazer uma análise do Fed e estudar a forma como o banco central avalia a inflação, seu balanço patrimonial, os dados considerados nas decisões, questões ligadas à tecnologia e a própria comunicação da autoridade monetária.

Tesouro também entra no radar

A dificuldade de Warsh aumenta porque o discurso acontece em paralelo a uma mudança na atuação do Tesouro americano. Na semana passada, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou que o governo vai ampliar as recompras de títulos já emitidos.

Atualmente, o Tesouro costuma recomprar US$ 2 bilhões por operação semanal e pretende pelo menos dobrar esse valor a partir da próxima rodada, marcada para 9 de setembro.

A medida cria uma combinação pouco usual entre as ações do Tesouro e a estratégia do Fed. "Encontramo-nos diante de um cenário singular, no qual ações do Tesouro minaram a iniciativa de Warsh. Consequentemente, o presidente do Fed vê-se em uma situação extremamente difícil", destacou Brusuelas.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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