Juros futuros despencam mais de 6% após Flávio Bolsonaro ficar à frente no 1º turno
O JP Morgan avalia que a maior probabilidade de uma agenda de consolidação das contas públicas é consistente com um movimento de achatamento com queda das taxas na curva de juros

O resultado do primeiro turno surpreendeu boa parte do mercado, já que as pesquisas apontavam que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminaria à frente na votação do primeiro turno das eleições 2026. No entanto, o cenário se inverteu e o senador Flávio Bolsonaro (PL) conquistou 47,13% dos votos válidos, contra 45,04% de Lula.
A expectativa de uma mudança é interpretado como positivo pelos agentes econômicos, o que fez o Ibovespa futuro subir 8%, enquanto o dólar abriu abaixo dos R$ 5. Os juros futuros, por sua vez, recuam fortemente — do curto ao longo prazo.
As taxas com vencimento para janeiro de 2027 caem 0,81% a 13,40%, enquanto as para janeiro de 2028 recuam 5,50% para 12,72%. Já os juros futuros com vencimento para janeiro de 2029, 2030, 2031, 2032, 2033, 2035, 2036 e 2037 registram queda de mais de 6% para 12,83%, 12,96%, 13,02%, 13,09%, 13,13%, 13,15%, 13,20%, 13,24%.Portanto, esse desfecho do primeiro turno das eleições de 2026, marcado pela liderança “surpreendente”, segundo o JP Morgan, de Flávio Bolsonaro e pela forte expansão de partidos de direita no Congresso, renovou as expectativas do mercado em relação à disciplina fiscal do país.
Em relatório distribuído a investidores, o banco avalia que a maior probabilidade de uma agenda de consolidação das contas públicas é consistente com um movimento de achatamento com queda das taxas na curva de juros. Diante desse diagnóstico, a instituição aponta uma perspectiva de alívio nas taxas futuras, mantendo sua preferência de atuação na ponta mais longa da curva.
Como principal recomendação tática no mercado de renda fixa local, a equipe de estratégia do banco destaca a montagem de posições receptoras no contrato de DI Jan-37. O JPMorgan fixou uma taxa-alvo de 13% para o vencimento de janeiro de 2037, o que representa um recuo expressivo em relação ao fechamento de 14,16% registrado na sexta-feira, 2, que antecedeu a votação. Nesta segunda-feira, 5, a taxa já está em 13,24%.
A trajetória descendente dos juros futuros é apontada ainda como o grande catalisador para destravar o potencial da bolsa brasileira.De acordo com os estrategistas de ações da instituição, enquanto metade do potencial de valorização do MSCI Brazil pode ser precificada no curto prazo com a reconfiguração do cenário político, a metade restante dependerá fundamentalmente da adoção de medidas fiscais concretas e reformas que garantam taxas de juros estruturalmente mais baixas no médio e longo prazo.
