Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Mercados
17/09/2026
4 min

Juros futuros recuam com fatores técnicos e alívio no exterior

A curva de juros futuros encerrou o dia com redução dos prêmios em todos os vencimentos, após estresse inicial com o anúncio do reajuste de 15% no Bolsa Família, o que aumentou as preocupações fiscais do mercado. Segundo agentes, as taxas se alinharam ao ambiente externo mais benigno, de queda do petróleo e dos retornos […]

Juros futuros recuam com fatores técnicos e alívio no exterior

A curva de juros futuros encerrou o dia com redução dos prêmios em todos os vencimentos, após estresse inicial com o anúncio do reajuste de 15% no Bolsa Família, o que aumentou as preocupações fiscais do mercado.

Segundo agentes, as taxas se alinharam ao ambiente externo mais benigno, de queda do petróleo e dos retornos dos Treasuries, conforme o efeito de pressão do leilão robusto de títulos prefixados do Tesouro Nacional na curva foi dissipado.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, encerrou a 13,555%, de 13,588% do fechamento anterior, recuo de 3 pontos-base.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 13,82%, ante 13,903% do fechamento anterior, avanço de mais de 8 pontos-base.

A DI para janeiro de 2031, de longo prazo, subiu 10 pontos-base e terminou o dia a 14,04%, ante 14,116% do fechamento da última quarta-feira (16).

Nos EUA, o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,67%, ante 4,69% do ajuste anterior, por volta de 18h05 (horário de Brasília).

Já o retorno do título de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — recuava para 4,939%, de 4,947% da última quarta-feira, no mesmo horário.

O que mexeu com os DIs hoje?

A melhora ocorreu, segundo agentes, porque parte do mercado aproveitou a notícia sobre o benefício para “potencializar” o avanço dos DIs, com posições táticas tomadas em juros — ou seja, que apostam em alta — visando capturar um eventual prêmio mais elevado derivado do leilão do Tesouro Nacional, efeito que foi se dissipando ao longo da tarde.

O aumento de 15% no piso do Bolsa Família, que agora vai a R$ 691, de R$ 600, foi informado pelo governo federal pouco depois das 10h30, quando mesas de renda fixa já sabiam que o Tesouro iria ofertar uma quantidade relevante de títulos — foram 15 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 9 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F).

O mercado, então, antes do certame começar, “forçou” para cima os DIs futuros — mais do que eles já subiriam normalmente antes de leilões mais pesados – levando a autoridade fiscal a emitir os títulos com prêmios maiores.

As emissões do Tesouro, o valor maior do benefício — lido como uma medida eleitoreira e de impacto fiscal relevante — e, do outro lado, a descompressão trazida pelo exterior, acabaram direcionando mais os negócios, tendo em vista que o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) de quarta foi considerado neutro e a decisão de reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual já era esperada.

“Alguns tomam DI para se proteger do leilão. E aí se alguém compra a maioria da emissão, esses players que fizeram o hedge precisam desfazê-lo, e o mercado alivia”, explica o gestor de portfólio da Heritage Capital, Eduardo Cohn.

Sob anonimato, um trader afirmou à Broadcast que o mercado aproveitou “o infeliz anúncio” do reajuste do Bolsa Família para reagir negativamente. “Os lotes do leilão já eram sabidos, então o mercado aproveitou para ‘potencializar’ o movimento”, comentou.

Os ativos domésticos tiveram piora generalizada após o reajuste do benefício, concedido por decreto e em vigor já a partir de outubro. Nos cálculos do Ministério da Fazenda, o impacto nas contas públicas será de R$ 22,7 bilhões por ano para 2027 e 2028. Para 2026, a estimativa é de R$ 5,8 bilhões.

Para o gestor de portfólio da Ujay Capital, Otávio Aidar, é difícil apontar em separado o que foi a influência do leilão de prefixados e do Bolsa Família na pressão observada nos DIs até o começo da tarde. O alívio na segunda parte dos negócios, porém, pode ter ocorrido porque havia agentes “querendo ficar aplicados”, e aproveitaram as taxas maiores para isso.

Segundo Aidar, faz sentido apostar na queda das taxas futuras, tendo em vista que o comunicado de quarta do Copom, ao não cravar uma pausa no ciclo de calibração na próxima reunião, deixou aberta essa possibilidade, apesar de o texto ter sido neutro. “Imaginamos que o Banco Central vai seguir cortando e alguns vértices começam a valer a pena”, comentou.

O que mexeu com os Treasuries?

Lá fora, a despeito da alta de 0,25 ponto dos juros promovida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e da expectativa de novo aperto em 2026, os retornos dos Treasuries recuaram, em sintonia com o dólar, com a redução dos temores sobre um choque mais severo de energia.

O barril do petróleo tipo Brent para novembro, que serve de referência para a Petrobras, fechou em US$ 104,82, com perda de 0,95%, com suporte de sinais de avanços diplomáticos no Oriente Médio.

AutorEstadão Conteúdo
FonteMoney Times
Distribuído por