Juros futuros registram forte avanço com Treasuries e petróleo
A curva de juros futuros avançou nesta quarta-feira (23) acompanhando a disparada dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, e o fortalecimento global do dólar. Dados mais fortes da maior economia do mundo ampliaram apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) deve promover mais duas doses de aperto […]

A curva de juros futuros avançou nesta quarta-feira (23) acompanhando a disparada dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, e o fortalecimento global do dólar.
Dados mais fortes da maior economia do mundo ampliaram apostas de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) deve promover mais duas doses de aperto monetário daqui até o final do ano.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu levemente, de 13,53% no ajuste da véspera para 13,555%.
O DI para janeiro de 2029 avançou a 13,795%, vindo de 13,67% no ajuste.
O DI para janeiro de 2031 aumentou de 13,864% para 13,985%.
Às 18h01, o rendimento do T-Note de dois anos disparava de 4,747% a 4,895%, e o juro da T-Note de dez anos saltava de 4,970% a 5,115%.
A curva americana acentuou o ritmo de elevação ao longo da tarde, reagindo à igual movimento do petróleo, devido ao aumento das tensões entre Washington e Teerã e à ausência de progresso nas conversas entre os dois lados.
O que mexeu com os DIs hoje?
Na tarde desta quarta, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a reunião de terça com autoridades iranianas foi “positiva”, mas sem avanço nas negociações. E o barril do Brent para dezembro, que serve de referência para a Petrobras, fechou cotado a US$ 98,12, com alta de quase 3%.
Dando mais impulso aos títulos soberanos norte-americanos, os índices gerais de compras (PMIs, na sigla em inglês) preliminares dos serviços e da indústria do país, publicados mais cedo, não só subiram, contrariando perspectivas do mercado, como também atingiram níveis mais altos desde 2022.
“O movimento na curva americana foi muito expressivo. Os PMIs vieram bastante acima do previsto e, não isoladamente, complementam um quadro de inflação pressionada nos Estados Unidos, o que se junta à alta do petróleo”, afirma o economista do BV Carlos Lopes. Em sua visão, o deslocamento para cima da curva de juros local nesta quarta pode ser “quase totalmente” creditado ao ambiente externo.
Embora haja, no mercado, várias estimativas de que o fluxo de navegação no estreito de Ormuz – por onde escoa um quinto do petróleo global – tenha mostrado alguma recuperação nos últimos meses, qualquer percepção de que o fluxo pode ser interrompido ainda afeta as cotações da commodity energética, diz Lopes.
Em entrevista a um podcast publicada nesta quarta, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou que o BC americano pode precisar tratar o atual choque de energia como uma fonte de inflação persistente, em vez de esperar que ele se dissipe por conta própria em breve.
Para Carl B. Weinberg, economista-chefe da High Frequency Economics, mesmo que o Irã anuncie o desbloqueio total de Ormuz amanhã, a redução dos estoques globais e os danos causados à infraestrutura do setor petrolífero na região do Golfo Pérsico indicam que a oferta seguirá limitada.
No cenário doméstico, a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, publicada antes da abertura dos negócios, mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seguem tecnicamente empatados em eventual segundo turno, mas com ligeira vantagem do petista, que aparece com 47,7% das intenções de voto, contra 47,4% de Flávio.
