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29/07/2026
5 min

Juros longos dos EUA atingem máxima em 18 anos após Fed manter juros pela 5ª vez consecutiva

Os rendimentos do título do Tesouro dos Estados Unidos – o Treasury – de 30 anos atingiram o maior nível desde julho de 2007 nesta quarta-feira (29), a 5,244%, após a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) de manter os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela […]

Juros longos dos EUA atingem máxima em 18 anos após Fed manter juros pela 5ª vez consecutiva

Os rendimentos do título do Tesouro dos Estados Unidos – o Treasury – de 30 anos atingiram o maior nível desde julho de 2007 nesta quarta-feira (29), a 5,244%, após a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) de manter os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela quinta vez consecutiva.

Já os rendimentos dos Treasury de 2 anos, de curto prazo, recuaram levemente e o dólar perdeu força. A inclinação da curva refletiu as incertezas dos investidores se o Fed conseguirá manter a inflação sob o controle, em meio ao recuo nas apostas de alta nos juros norte-americanos na próxima decisão, em setembro.

Por trás da decisão do Fed

O comunicado não trouxe novidades: reconheceu que a atividade econômica segue “sólida”, a inflação permanece “elevada” e reiterou o compromisso da autoridade monetária com a estabilidade de preços.

“Tivemos uma comunicação muito simples e enxuta, sem dar um forward guidance sobre possíveis movimentos em setembro”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities.

A decisão, já esperada pelo mercado, não foi unânime: Beth Hammack (Fed de Cleveland), Neel Kashkari (Fed de Minneapolis) e Lorrie Logan (Fed de Dallas) defenderam uma alta de 25 pontos-base, marcado o maior dissenso desde setembro de 2016. Os três dirigentes já havia defendido, na reunião de abril, a retirada do viés de flexibilização monetária do comunicado do BC.

Na coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que conseguiu a “boa discussão familiar” na reunião, mas ressaltou que o Comitê optou pela estabilidade por uma “ampla maioria”.

Warsh também destacou os níveis mais elevados dos juros nominais e reais dos títulos públicos, sugerindo que parte do aperto das condições financeiras já foi promovida pelo próprio mercado. Ainda assim, reforçou que, caso a inflação não desacelere, o Fed poderá voltar a elevar os juros: “Não hesitaremos em agir”, disse ele.

Na avaliação do ING, os argumentos para um alta nos juros nesta decisão eram claros: o Fed não atinge sua meta de inflação há cinco anos e, embora tenha havido progresso, os preços do petróleo continuam elevados em um mercado de trabalho ainda apertado, o que pode manter a inflação acima da meta por mais tempo.

Antes da decisão, o mercado precificava cerca de 35% de probabilidade de 25 pontos-base, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group.

“Uma alta também serviria para reforçar o compromisso do novo presidente do Fed com o combate à inflação e ajudaria a ancorar os juros dos Treasuries de longo prazo”, avaliaram o economista-chefe internacional, James Knightley, e o líder global de Mercados, Chris Turner, do ING.

Para o banco holandês, o Fomc deve manter os juros estáveis em setembro, mais uma vez, e considera que a próxima decisão será “apertada”. Para os especialistas, o Comitê continuará adotando um discurso duro contra a inflação, mas poderá evitar elevar os juros.

“Se o cenário se confirmar — inflação mais fraca e mercado de trabalho menos aquecido —, a precificação de novas altas de juros deve diminuir. Nesse caso, o Fed poderá manter os juros estáveis por um período prolongado, em vez de elevar uma vez e começar a cortá-los em 2027, como atualmente indica seu cenário-base”, acrescentaram os especialistas do ING.

Parte do mercado também passou a precificar uma probabilidade menor de alta nos juros na próxima decisão em setembro. Após o fechamento dos mercados regulares, a ferramenta FedWatch, do CME, apontava 63,4% de chance de o Fed elevar os juros em 0,25 pontos-base na próxima reunião. Ontem (28), a chance era de 76% – sendo 55,8% de alta de 0,25 ponto percentual e 20,2% de aumento de 0,50 ponto percentual.

O que são os Treasurys?

Em linhas gerais, os Treasurys são os títulos da dívida do governo norte-americano. Eles são considerados o ativo mais seguro do mundo pelo fato dos EUA ser o emissor da moeda de transação universal – no caso, o dólar – e pelo governo nunca ter dado calote na história.

Ou seja, ao comprar Treasurys, o investidor empresta dinheiro para o governo dos Estados Unidos, com a perspectiva de receber algum retorno financeiro no determinado período do título, dada uma taxa negociada diariamente.

Assim como os títulos do Tesouro brasileiro, os Treasurys possuem diferentes vencimentos, sendo os mais relevantes os de 2 – mais sensível à política monetária –, de 10 – referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito – e de 30 anos – referência para hipotecas de longo prazo.

As taxas, também chamadas de yields (rendimentos) variam de acordo com a perspectiva dos investidores para a trajetória da taxa de juros dos EUA. Vale ressaltar também que um ponto-base equivale a variação de 0,01% do yield do títulos, e os rendimentos e os preços movem-se em direções opostas.

Além disso, os títulos ajudam a estabelecer o valor do dólar no mercado internacional.

AutorLiliane de Lima
FonteMoney Times
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