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Sacre Investimentos
Economia
14/09/2026
4 min

Juros mais baixos em 2027? Durigan diz que governo fará ‘o que for preciso’ no fiscal

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva está comprometido em avançar no ajuste das contas públicas para abrir espaço para juros mais baixos no Brasil. Durante participação no evento Esfera Brasil, nesta segunda-feira (14), o ministro reconheceu a importância da política fiscal para a trajetória da […]

Juros mais baixos em 2027? Durigan diz que governo fará ‘o que for preciso’ no fiscal

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva está comprometido em avançar no ajuste das contas públicas para abrir espaço para juros mais baixos no Brasil.

Durante participação no evento Esfera Brasil, nesta segunda-feira (14), o ministro reconheceu a importância da política fiscal para a trajetória da Selice afirmou que a equipe econômica continuará buscando medidas para melhorar as contas públicas.

“É claro que o fiscal tem importância na definição da taxa de juros e é também por esse motivo que a gente vem melhorando o fiscal. O compromisso é seguir aperfeiçoando”, afirmou.

Durigan destacou que a proposta de Orçamento para 2027 prevê superávit e afirmou que a expectativa do governo é inaugurar, a partir do próximo ano, uma sequência de resultados positivos nas contas públicas.

“O orçamento apresentado para o ano que vem é o superávit de 2027, que é o primeiro dos próximos anos em que a gente vai registrar superávits recorrentes”, disse.

Segundo o ministro, o resultado previsto ainda poderá ser reforçado por novas medidas de controle de gastos e pela revisão de benefícios tributários considerados ineficientes.

A expectativa, segundo Durigan, é que esse processo permita ao país combinar um “fiscal mais organizado” com taxas de juros menores e maior espaço para investimentos.

Fiscal é parte da equação dos juros, diz Durigan

Apesar de reconhecer a responsabilidade da política fiscal sobre os juros, Durigan ponderou que o atual nível das taxas não pode ser explicado apenas pela situação das contas públicas brasileiras.

O ministro citou o aumento dos custos de financiamento das dívidas de países como Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Japão, em meio a um ambiente internacional de maior pressão inflacionária e incertezas geopolíticas.

“Não é uma questão simples. A guerra não está no nosso controle, eventualmente a política monetária de outros países não está no controle do Estado brasileiro”, afirmou.

Por outro lado, Durigan disse que cabe ao governo atuar sobre aquilo que está ao seu alcance. Entre as prioridades, citou a melhora do fiscal, a racionalização do Estado e a revisão de benefícios concedidos tanto a servidores públicos quanto a setores empresariais.

“Melhorar o nosso fiscal, dar força para a nossa economia, racionalizar o nosso Estado, dar transparência para os nossos benefícios tributários, combater privilégio de servidor público, de setores do empresariado que têm benefício e não parece justificado do ponto de vista do ganho social […] tem que ser assumido por parte do governo”, afirmou.

Mais cortes em benefícios tributários?

Uma das frentes defendidas pelo ministro para aprofundar o ajuste está nos benefícios tributários. Durigan lembrou que, em 2026, houve uma redução linear de 10% dos benefícios infraconstitucionais e defendeu que movimentos semelhantes sejam discutidos novamente.

“Por que a gente não faz de novo um esforço desse tipo, de 5%, de 10%, de modo que a gente vá trazendo igualdade, isonomia e menor tributação em geral, ao passo em que a gente diminui alguns benefícios?”, questionou.

Para o ministro, os incentivos fiscais precisam ser reavaliados periodicamente para verificar se continuam trazendo benefícios à sociedade.

“Nós não podemos ter caixa-preta em benefício tributário. Nós precisamos discutir todo ano se esses benefícios que foram instituídos num determinado momento da história ainda fazem sentido no momento presente”, disse.

Durigan também afirmou que o ajuste deverá envolver diferentes frentes. Além da revisão de incentivos, citou a necessidade de conter despesas obrigatórias e aumentar a eficiência do Estado.

“O Estado não tem que ser grande, nem tem que ser pequeno. O Estado tem que ter um tamanho que responda às necessidades da sociedade brasileira”, afirmou.

“Juros mais civilizados”

Ao ser questionado sobre razões para empresários ampliarem os investimentos no Brasil em 2027, Durigan elencou três fatores: estabilidade institucional, clareza sobre o projeto de desenvolvimento do país e juros mais baixos.

Neste último ponto, o ministro reforçou o compromisso da equipe econômica com o ajuste das contas públicas.

“Um país que tenha juros mais civilizados. E, para isso, o que for preciso fazer do ponto de vista fiscal, o presidente Lula e eu vamos nos comprometer com isso, para que a gente tenha juros mais baixos e traga mais dinamicidade para a nossa economia”, afirmou.

Durigan também defendeu uma atuação conjunta entre poder público e iniciativa privada. Segundo ele, o objetivo é criar um ambiente em que “Estado forte e mercado forte” possam atuar de forma complementar, inclusive com participação estatal em áreas nas quais não houver apetite suficiente do setor privado.

“No que o mercado não tiver apetite, o Estado tem que entrar fazendo investimento, ajudando com equity para as pequenas empresas, para as empresas que estão em setores estratégicos”, disse.

AutorJuliana Caveiro
FonteMoney Times
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