Juros menores, atenção ao seguro rural e sem contingenciamento: o desenho do novo Plano Safra, segundo o Ministério da Agricultura

A 15 dias do lançamento do Plano Safra 2026/2027, previsto para 1º de julho, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e o secretário-executivo da pasta, Cleber Soares, deram detalhes sobre as negociações em curso com o Ministério da Fazenda para o novo Plano Agrícola e Pecuário.
Durante o VEJA Agro Fórum, realizado nesta terça-feira (16), em São Paulo, André de Paula confirmou que a intenção do governo é, ao menos, repetir o volume de R$ 516 bilhões disponibilizado na safra passada. Segundo ele, caso isso ocorra, o governo Lula terá mais do que triplicado os recursos destinados ao financiamento agrícola em comparação ao governo Bolsonaro.
Em conversa com jornalistas, Cleber Soares afirmou que o novo Plano Safra dará atenção especial ao seguro rural, dentro de uma estratégia de longo prazo para fortalecer os mecanismos de proteção ao produtor diante do aumento dos eventos climáticos extremos.
“Essa é uma visão que tem se intensificado por conta das mudanças climáticas. Se soubéssemos que teríamos aquela catástrofe no RS, qualquer um teria feito seguro. É um processo evolutivo e a participação do seguro rural no orçamento da União precisa, sim, crescer”, disse.
Mais importante do que ampliar o volume total de recursos do Plano Safra, Soares defende a redução das taxas de juros do programa para níveis que “caibam no bolso” do produtor rural — pauta já defendida pelo ministro André de Paula. Outro ponto considerado essencial é garantir que não haja contingenciamento dos recursos destinados ao crédito rural.
O martelo para o Plano Safra já foi batido?
Segundo Cleber Soares, o Ministério da Agricultura segue negociando os números finais do programa com a equipe econômica.
“Estamos pedindo um incremento de 10% sobre o valor do ano passado, o que representaria algo próximo de R$ 570 bilhões, além de uma taxa de juros de um dígito”, afirmou.
Como referência, o secretário citou o programa Move Agro, lançado recentemente durante a Bahia Farm Show, que disponibilizou R$ 14 bilhões para o financiamento de máquinas e equipamentos agrícolas com taxa de 9,26% ao ano.
De acordo com ele, esse patamar tem servido como parâmetro para as negociações do Plano Safra.
Soares reconhece, porém, que as discussões são complexas, já que o Ministério da Fazenda precisa equilibrar diferentes demandas fiscais e orçamentárias do governo federal.
“O jogo não é fácil e precisamos entender que há várias contas no âmbito Brasil. Se não conseguirmos esse aumento de 10% para o programa, esperamos pelo menos um incremento em linha com a inflação, algo entre 4,2% e 4,4%, o que já seria muito bom diante do cenário do setor e da atual conjuntura econômica”, afirmou.
O secretário lembrou que a menor taxa do Plano Safra empresarial atualmente é de 8%, podendo cair um ponto percentual para produtores inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e que possuam certificações ou comprovem boas práticas agropecuárias.
“O maior juro vigente é de 13,5% para o Moderfrota. Em um cenário mais equilibrado e otimista, se conseguirmos reduzir os juros em 2 pontos percentuais, já será um grande ganho para o setor”, disse.
O acesso aos recursos será um problema?
Questionado sobre as reclamações de produtores rurais e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) em relação à dificuldade de acesso às linhas de financiamento do Plano Safra, Soares reconheceu o problema, mas ressaltou que há uma confusão recorrente entre disponibilidade de recursos e disponibilidade de crédito.
“O que está acontecendo é falta de crédito, não de recursos ou orçamento. O produtor, seja pessoa física ou jurídica, não tem crédito porque está endividado. Não é o banco que não tem recursos.”
Segundo o secretário, diante do aumento do endividamento no campo e da perspectiva de novos ciclos de crédito rural, o PL 5.122 deverá ser um dos principais instrumentos para buscar uma solução para o setor.
“Virá um Plano Safra com um novo endividamento? Precisamos encontrar uma equação. Qual é a equação? Negociar a dívida e, ao mesmo tempo, reduzir a taxa de juros. Isso precisa caminhar junto”.
