Juros no Japão, varejo no Brasil e dados dos EUA: o que move os mercados

Os mercados entram nesta terça-feira, 16, em modo de espera por uma das semanas mais decisivas do ano para a política monetária global.
A chamada “superquarta”, que reúne as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, começa a ganhar forma já hoje, com o início das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed), em um ambiente ainda marcado por incertezas sobre inflação, crescimento e o rumo dos ativos globais.
Antes disso, porém, a agenda econômica do dia traz uma bateria de indicadores e eventos que ajudam a calibrar as expectativas dos investidores ao longo do pregão.
O que acompanhar
No Japão, o destaque da madrugada será a decisão de política monetária do Banco do Japão (BoJ) que será divulgada à meia-noite. Na última reuião, a autoridade monetária japonesa manteve os juros inalterados em 0,75%, em linha com o último anúncio.
Na Europa, o mercado acompanha às 6h o índice ZEW de sentimento econômico na Alemanha, com leitura anterior de -10,2 em maio, em meio a sinais ainda frágeis de confiança na maior economia da região.
Já no Brasil, a manhã começa às 8h, com a divulgação do IGP-10 de junho da Fundação Getulio Vargas (FGV) após alta de 0,87% no mês anterior.
Em seguida, às 9h, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publica os números da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), com foco nas vendas do varejo e do varejo ampliado de abril, indicadores importantes para medir o ritmo da atividade econômica doméstica.
Ainda pela manhã, o Tesouro Nacional realiza leilão de LFTs e NTN-Bs, às 11h30, em um momento em que o mercado acompanha de perto a precificação dos títulos públicos diante das expectativas para a Selic.
Nos Estados Unidos, o dia também é de agenda cheia. Às 9h30 saem os dados da National Association of Realtors (NAR) sobre construção de novas moradias e permissões para construção em maio, indicadores sensíveis ao ciclo de juros americano.
Mais tarde, às 14h, o Tesouro dos EUA realiza leilão de T-bonds de 20 anos, outro termômetro da demanda por ativos de renda fixa americana em meio à expectativa pela decisão do Federal Reserve.
Política e bancos centrais no centro das atenções
Além dos dados econômicos, o foco do mercado também se volta para o campo político e institucional.
No Brasil, pesquisas de opinião da CNT/MDA e American Analytics sobre avaliação do governo e cenário eleitoral devem ser divulgadas ao longo do dia, adicionando uma camada de volatilidade potencial ao câmbio e aos ativos locais.
No Congresso, a Câmara dos Deputados pode votar o projeto que trata da escala de trabalho 6x1 (PL 1838/26), além do PLP nº 114/26, que autoriza compensações da União a renúncias fiscais no setor de combustíveis com receitas extraordinárias do petróleo.
No Supremo Tribunal Federal (STF), a Primeira Turma analisa uma ação penal contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, em um processo relacionado à suposta articulação de sanções contra autoridades brasileiras.
Mas o ponto central da agenda política e econômica global está nas reuniões dos bancos centrais. No Brasil, o Copom inicia sua reunião que definirá a nova taxa Selic, enquanto nos Estados Unidos o Federal Reserve também dá início ao seu encontro, agora sob a presidência de Kevin Warsh, em uma reunião que deve ser decisiva para as expectativas de juros globais.
O pano de fundo dessa terça-feira é um mercado ainda digerindo o acordo entre Estados Unidos e Irã para o fim da guerra. OIbovespa encerrou a segunda-feira, 15, em queda de 0,42%, aos 170.415 pontos, após perder fôlego ao longo do dia.
O índice chegou a superar os 174 mil pontos pela manhã, impulsionado pelo otimismo global com o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio, mas acabou revertendo os ganhos com a forte queda das ações ligadas ao petróleo.
O dólar à vista, por sua vez, fechou praticamente estável, com leve alta de 0,09%, cotado a R$ 5,067, refletindo a cautela dos investidores antes das decisões de juros no Brasil e nos EUA.
