Juros nos EUA e balanços de Microsoft, Alphabet, Amazon e Santander: o que move os mercados
Nesta quarta, 28, a agenda internacional divide espaço com indicadores domésticos e com a decisão de juros do Fed

Os mercados chegam à quarta-feira, 28, ainda tentando assimilar os efeitos da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre os ativos brasileiros. Depois do tombo de 13,88% do Ibovespa na segunda-feira, a bolsa voltou a fechar no vermelho na véspera, enquanto o dólar recuou e devolveu parte da disparada registrada no primeiro pregão após o resultado eleitoral.
A cautela, porém, permanece, diante das dúvidas sobre a condução da política econômica, o ajuste fiscal e a composição da equipe ministerial do novo governo.
Nesta quarta, a agenda internacional divide espaço com indicadores domésticos e com a decisão de juros dos Estados Unidos.
O que acompanhar
O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anuncia sua decisão de política monetária às 15h, em um momento em que investidores acompanham os próximos passos da maior economia do mundo e avaliam os efeitos sobre os mercados globais.
Atualmente, a taxa está na faixa de 3,75% a 4% ao ano. Asapostas indicam ampla preferência pela manutenção dos juros.
Segundo o FedWatch, ferramenta da CME que acompanha as expectativas do mercado para as decisões da autoridade monetária, 92,8% dos investidores apostavam, até terça-feira, 27, na manutenção da taxa no intervalo atual. Outros 7,2% projetavam uma elevação de 0,25 ponto percentual, para a faixa de 4% a 4,25% ao ano.
A decisão será acompanhada pelos investidores brasileiros em meio à turbulência provocada pelo resultado eleitoral. A trajetória dos juros americanos é um dos fatores considerados pelos agentes financeiros na avaliação dos investimentos globais e das condições de mercado.
Mais cedo, às 4h, a Alemanha divulgou o índice de confiança do consumidor da GfK referente a novembro. O indicador registrou -30,6 pontos, em um dia que também conta com a decisão de política monetária do Banco do Canadá, às 10h45. A autoridade canadense manteve os juros em 2,25%.
Nos Estados Unidos, às 11h30, serão divulgados os estoques de petróleo bruto medidos pelo Departamento de Energia (DoE), referentes à semana encerrada em 23 de outubro. Na leitura anterior, os estoques haviam recuado 3,061 milhões de barris.
No Brasil, a agenda econômica começa às 8h, com a Sondagem da Indústria de outubro, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em setembro, o indicador ficou em 91,3 pontos. O resultado mais recente será acompanhado em busca de sinais sobre a percepção do setor industrial e as condições da atividade econômica.
Às 14h30, o Banco Central divulga o fluxo cambial semanal até 23 de outubro. Na semana anterior, o saldo havia sido positivo em US$ 1,933 bilhão. O dado ganha relevância em um momento de forte oscilação do câmbio, depois de o dólar disparar na segunda-feira e recuar na sessão seguinte.
Na terça-feira,a moeda americana fechou em queda de 0,97%, a R$ 5,350, após avançar 8,21% no pregão anterior, para R$ 5,4027.
A queda, contudo, não representa necessariamente uma reversão da tendência observada após a eleição. Os investidores continuam avaliando a extensão do ajuste dos ativos e aguardam sinais sobre a condução econômica do governo reeleito.
Também estão previstos para esta quarta os resultados setoriais do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e o relatório de produção e vendas da Petrobras referente a setembro.Balanços de big techs no radar
No exterior, os resultados de Microsoft, Alphabet e Amazon estão entre os principais destaques corporativos do dia. Os investidores acompanham os números das companhias em meio às dúvidas sobre oretorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial e à volatilidade recente das ações ligadas ao setor.
Na Europa, a fabricante de aeronaves Airbus também divulga seu balanço.
No Brasil, Santander e Motiva estão entre as empresas com resultados previstos no calendário corporativo.
Agenda política e compromissos em Brasília
A agenda política brasileira também pode entrar no radar dos investidores, em meio à expectativa por sinais sobre a condução do próximo governo. Presidentes de partidos de centro se reúnem para discutir a reforma eleitoral.
No Supremo Tribunal Federal (STF), há previsão de julgamento de temas relacionados à progressividade das alíquotas da contribuição previdenciária de servidores federais e à contribuição de aposentados com doenças graves.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tem reunião prevista entre 11h e 12h com representantes da Embaixada do Reino Unido, em Brasília, para tratar de assuntos institucionais. O compromisso será fechado à imprensa e, segundo a agenda oficial, está de acordo com as regras do silêncio do Comitê de Política Monetária (Copom).
