Justiça cobra explicações sobre R$ 10 milhões, adiantamentos, contratos e dívidas do Corinthians
Na manifestação judicial, a administração exigiu também a apresentação de contratos com a Nike, esclarecimentos sobre lançamentos sem contrapartida, detalhes da dívida com o Talleres e documentos financeiros da Arena Itaquera.

RESUMO | Um perito responsável por administrar o Regime de Centralização de Execuções (RCE) deu um prazo de 15 dias para que o Corinthians explique o destino de exatos R$ 10,14 milhões referentes a repasses devidos a credores nos meses de julho e agosto de 2026.
O Corinthians enfrenta um novo cerco na Justiça em meio à sua complexa crise financeira. Em uma manifestação de 63 páginas protocolada nesta segunda-feira, 28, o perito responsável por administrar o RCE (Regime de Centralização de Execuções) estabeleceu um prazo improrrogável de 15 dias para que o clube preste esclarecimentos detalhados e apresente comprovantes sobre o destino de exatos R$ 10.140.956,79 que deveriam ter sido repassados a credores, de acordo com reportagem da ESPN Brasil.
Segundo o levantamento da administração judicial, feita pela empresa Laspro, o montante cobrado refere-se à soma de valores pendentes de repasses obrigatórios: R$ 2.499.657,51 que ficaram em aberto referentes ao rateio de julho (mês em que o clube quitou apenas R$ 3,49 milhões dos quase R$ 6 milhões devidos) e mais R$ 7.641.299,28 correspondentes ao percentual estipulado para os pagamentos de agosto. O perito destacou que o clube atrasou e realizou pagamentos parciais sem apresentar justificativas formais ou um cronograma claro de quitação do saldo devedor.
Exigência de contratos da Nike e operações de antecipação
Segundo a ESPN, além de cobrar explicações sobre os valores em aberto para os credores, a manifestação judicial atende a um pleito antigo do empresário André Cury dentro do processo e exige que o Corinthians apresente integralmente os contratos firmados com a Nike, sua fornecedora de material esportivo, acompanhados dos respectivos aditivos.
O administrador apontou uma divergência de R$ 6.302.049,00 entre os valores de patrocínio declarados em julho e a redução nos montantes a receber da empresa nos registros contábeis. Entre os documentos exigidos pela Justiça também estão:
- Operação de crédito: O instrumento detalhado de uma operação de antecipação de receitas firmada junto ao Banco Daycoval no valor de R$ 23,75 milhões, que utilizou o contrato com a fornecedora de material esportivo como garantia.
- Acordo com o Talleres: Esclarecimentos minuciosos sobre a dívida com o clube argentino Club Atlético Talleres — que gerou histórico transferban ao alvinegro —, incluindo o Instrumento Particular de Confissão de Dívida de junho de 2026 no valor de R$ 38.092.456,80 e a memória de cálculo dos pagamentos já efetuados.
- Lançamentos sem contrapartida: Justificativas formais para movimentações contábeis que carecem de comprovação operacional clara.
Prestação de contas da Arena e do Fiel Torcedor
Para finalizar o conjunto de exigências fiscalizatórias, a administração judicial cobrou que o clube apresente relatórios de arrecadação do programa Fiel Torcedor referentes ao mês de junho, além de exigir acesso às demonstrações financeiras atualizadas da Arena Itaquera S.A. a partir de fevereiro deste ano e aos extratos bancários correspondentes. Por fim, o perito cobrou formalmente a realização do leilão reverso no valor de R$ 3.141.958,11 dentro dos trâmites do regime centralizado.
A crise financeira do Corinthians
O Corinthians enfrenta um momento de pressão em suas finanças, tendo a dívida oficial com a Caixa Econômica Federal referente à Neo Química Arena estimada entre R$ 630 milhões e R$ 650 milhões, conforme balanços e tratativas divulgados em setembro de 2026. Esse valor isolado responde por cerca de 22,5% do passivo total do clube, que atualmente alcança a impressionante marca de R$ 2,8 bilhões. No entanto, o cenário do débito sofreu uma reviravolta jurídica e política drástica nas últimas semanas.
O estopim ocorreu no início de setembro de 2026, quando um levantamento realizado pelo perito criminal Anísio Costa Castelo Branco, a pedido do Ministério Público de São Paulo, apontou um suposto erro bilionário na cobrança de juros pelo banco.
Segundo o laudo técnico, foram aplicadas taxas consideradas abusivas e sem padrão — oscilando de 19% a quase 450% ao mês —, o que reduziria o montante real e justo da dívida para apenas R$ 280 milhões. Em contrapartida, a Caixa nega veementemente qualquer irregularidade, sustentando que todos os contratos seguiram estritamente as normas estabelecidas pelo Banco Central.
Enquanto o inquérito do Ministério Público e as negociações políticas avançam, o Corinthians segue cumprindo o parcelamento regular do acordo vigente — tendo quitado recentemente uma parcela trimestral de aproximadamente R$ 28 milhões —, aguardando os desdobramentos que definirão o tamanho real de sua maior obrigação financeira.
Qual é o prazo dado pela Justiça ao Corinthians?
O perito concedeu o prazo de 15 dias para que o clube se manifeste e apresente os documentos solicitados.
O que motivou a cobrança dos R$ 10 milhões?
O valor é a soma dos repasses parciais ou não realizados para credores nos meses de julho (cerca de R$ 2,5 milhões) e agosto (cerca de R$ 7,6 milhões).
Quais documentos relacionados à Nike foram exigidos?
A administração judicial cobrou a apresentação dos contratos oficiais com a fornecedora de material esportivo e aditivos, além de explicações sobre divergências contábeis e antecipações via Banco Daycoval.
O que foi exigido sobre a dívida com o Talleres?
O perito pediu a confissão de dívida integral no valor de R$ 38 milhões e a comprovação de que o débito não se sobrepõe a outros créditos sujeitos ao RCE.
Quais outras frentes financeiras foram fiscalizadas?
O relatório cobrou relatórios de arrecadação do Fiel Torcedor, demonstrações financeiras da Arena Itaquera a partir de fevereiro e a realização de leilão reverso.
