Justiça da Bolívia ordena prisão de Evo Morales por protestos que pararam o país
Morales é investigado por supostamente liderar os protestos contra o governo que paralisaram o país por mais de 50 dias

O Ministério Público da Bolívia emitiu nesta quarta-feira, 29, um mandado de prisão contra o ex-presidente Evo Morales. Ele é investigado por supostamente liderar os protestos contra o governo que paralisaram o país por mais de 50 dias.
A ordem foi confirmada pelo procurador-geral do Estado, Roger Mariaca, e está ligada a uma investigação sobre dezenas de bloqueios de rodovias registrados durante as manifestações de maio e junho.
Em resposta, Morales publicou uma nota nas redes sociais na qual classifica a medida como uma tentativa de responsabilizá-lo pelas mobilizações para "ocultar o verdadeiro drama que vive a Bolívia: uma profunda crise econômica e social".
"Buscam nos responsabilizar pelas mobilizações sociais para ocultar o verdadeiro drama que vive a Bolívia: uma profunda crise econômica e social, fruto de um modelo que abandonou o povo e protege a corrupção", escreveu Morales no X (antigo Twitter).
O ex-presidente afirmou que sua posição sempre foi ao lado de quem sofre "o ajuste, a fuga de combustível, a margem do custo de vida, a insegurança e o avanço do narcotráfico", e disse que processos judiciais não resolverão problemas que, segundo ele, foram criados pelo próprio governo.
Morales afirmou ainda que seguirá "a luta junto com o povo" e defendeu o que chamou de recuperação da "dignidade, a soberania, a justiça social e a esperança" no país.
Hoy el gobierno emite una nueva orden de aprehensión en mi contra, acusándome de supuestos delitos de terrorismo y alzamiento armado. Buscan responsabilizarnos de las movilizaciones sociales para ocultar el verdadero drama que vive Bolivia: una profunda crisis económica y social,…
— Evo Morales Ayma (@evoespueblo) July 29, 2026
Relembre os protestos na Bolívia
Trabalhadores, agricultores e indígenas iniciaram no começo de maio uma greve e bloqueios de rodovias para cobrar do governo uma solução para a crise econômica, descrita como a mais grave da Bolívia em quatro décadas. As manifestações aconteceram de 6 de maio a 23 de junho de 2026, somando cerca de sete semanas.
Os manifestantes também protestaram contra a venda de gasolina de má qualidade, que gerou mal-estar generalizado.
Sem acordo, os grupos passaram a defender a renúncia do presidente. Os bloqueios se espalharam pelo país, e houve confrontos por vários dias com a polícia em La Paz. A capital e a cidade vizinha de El Alto enfrentam forte escassez de alimentos, remédios e combustíveis.
O governo de Paz, que assumiu em novembro após 20 anos de governos de esquerda, já acusava Evo Morales de incentivar as manifestações e de usar dinheiro proveniente do tráfico de drogas. A gestão, no entanto, não apresentou provas.
Morales ficou escondido na região cocaleira do Chapare, no centro do país, para evitar uma ordem de prisão em um caso de tráfico de menor de idade, acusação que ele nega.
O ex-presidente também rejeita as acusações de vínculos com o narcotráfico.
