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Sacre Investimentos
InvestMercados
15/06/2026
3 min

Justiça de SP aprova recuperação judicial do Grupo Toky, dono da Tok&Stok e Mobly

Justiça de SP aprova recuperação judicial do Grupo Toky, dono da Tok&Stok e Mobly

A Justiça de São Paulo aprovou o processamento do pedido de recuperação judicial do Grupo Toky, holding que controla as redes de móveis e decoração Tok&Stok e Mobly. A autorização foi concedida pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo, de acordo com fato relevante divulgado pela companhia nesta segunda-feira, 15.

A decisão atende aopedido protocolado pelo grupo em maio e abrange tanto a companhia quanto suas subsidiárias.

"A Companhia manterá seus acionistas e o mercado informados sobre o desenvolvimento dos
assuntos relacionados a este fato relevante e a respeito do desenvolvimento da recuperação
judicial, na forma da legislação e regulamentação vigentes", disse Fabio Ferrante, diretor financeiro e de relações com investidores em comunicado ao mercado.

Com o pedido de recuperação judicial, a Toky busca reorganizar uma dívida superior a R$ 1 bilhão em meio a um cenário de forte pressão financeira. Segundo o grupo, opedido de recuperação judicial foi motivado pela deterioração de sua situação econômica, apesar das tentativas de renegociação do passivo junto aos credores.

No pedido apresentado à Justiça no dia 12 de maio, o grupo atribuiu parte das dificuldades ao ambiente macroeconômico adverso para o varejo de móveis e decoração, marcado por juros elevados, maior endividamento das famílias e condições de crédito mais restritivas.

De acordo com a administração, esses fatores reduziram a confiança dos consumidores e levaram ao adiamento de compras, afetando o desempenho das vendas.

A empresa também afirmou queenfrentava restrições temporárias nos níveis de estoque, situação que impactou significativamente sua liquidez de curto prazo. Apesar das negociações em curso para reestruturar o endividamento da Tok&Stok, o grupo reconheceu que o passivo continuou crescendo, tornando necessária uma medida judicial para preservar as operações e viabilizar uma solução para suas obrigações financeiras.

"O alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando", afirmou a companhia em comunicado divulgado quando do pedido de recuperação judicial.

Por que a fusão com a Mobly não salvou a Tok&Stok

A crise ocorre menos de dois anos após a Tok&Stok ter recorrido a mecanismos de reestruturação financeira. Em 2024, a rede foi incorporada pela Mobly em uma operação que resultou na criação do Grupo Toky. A fusão buscava capturar ganhos de eficiência operacional e fortalecer a posição das empresas em um mercado pressionado pela queda do consumo e pelo elevado custo do crédito.

Entretanto, mesmo após a integração dos negócios e a implementação de medidas para redução de custos, os resultados financeiros continuaram pressionados. O grupo acumulou uma dívida bilionária e registrou prejuízo líquido de R$ 55,2 milhões no primeiro trimestre de 2026.

Na véspera do pedido de recuperação judicial, a companhia também informou ao mercado que fundos geridos pela SPX Private Equity estavam em estágio avançado de negociações para vender a totalidade de suas participações na empresa. A movimentação levou ainda à renúncia de um membro do conselho de administração.

O caso do Grupo Toky ocorre em um momento de aumento dos pedidos de recuperação judicial no Brasil.

Dados da Serasa Experian mostram que 2.466 CNPJs entraram em recuperação judicial em 2025, o maior número da série histórica iniciada em 2012. Ao longo do ano, o volume mensal de empresas nessa situação permaneceu acima da média histórica, refletindo os impactos dos juros elevados, da maior seletividade na concessão de crédito e das dificuldades enfrentadas por diversos setores da economia.

AutorClara Assunção
FonteExame
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