Keiko Fujimori diz que Forças Armadas assumirão controle de áreas de alta criminalidade no Peru
Segundo a presidente, durante os estados de emergência decretados nessas áreas, os militares assumirão temporariamente o comando das operações de segurança

A presidente do Peru, Keiko Fujimori, empossada nesta terça-feira, 28, anunciou que as Forças Armadas vão retomar o controle da "ordem interna" em regiões dominadas por organizações criminosas, narcotráfico e mineração ilegal.
Segundo a presidente, durante os estados de emergência decretados nessas áreas, os militares assumirão temporariamente o comando das operações de segurança, com o objetivo declarado de "devolver esses territórios aos cidadãos". O anúncio foi feito durante o discurso de posse no Congresso peruano.
Keiko Fujimori assumiu a Presidência do Peru como a nona chefe de Estado do país em 10 anos. Após uma década de impeachments, renúncias e eleições acirradas contra o esquerdista Roberto Sánchez, ela foi eleita com um plano chamado "Peru com Ordem", que defende o livre mercado e o corte de burocracias, entre outras medidas.
Tradicionalmente, a economia do Peru foi marcada por uma gestão fiscal conservadora e por políticas econômicas voltadas à estabilidade. Esse modelo favoreceu o crescimento econômico e ajudou o país a atrair consistentemente investimentos estrangeiros.
Nesse cenário, a candidatura de Keiko Fujimori aposta principalmente na retomada do protagonismo do investimento privado e estrangeiro. A proposta se inspira nas reformas econômicas implementadas pelo governo de seu pai, Alberto Fujimori, na década de 1990, amplamente considerado um ditador.
Quem é Keiko Fujimori, a nova presidente do Peru?
"Keiko", como é chamada pelos apoiadores, carrega legado ambivalente de seu falecido pai, que governou com mão de ferro na década de 1990 e ainda divide os peruanos.
Em um país que muda frequentemente de liderança, com oito presidentes desde 2016, ela não precisou fazer grandes esforços para se projetar na campanha eleitoral. Seu sobrenome é conhecido em todos os cantos do país andino."É uma 'marca' que está bem posicionada, gostem ou não", diz à agência de notícias AFP o cientista político Jorge Aragón.
Administradora graduada nos Estados Unidos, ela se apresenta como uma profissional da política. Foi parlamentar e líder do seu partido, Força Popular.
Fujimori cresceu nos corredores do poder e, aos 19 anos, já era uma figura presente no governo de seu pai. Ao lado dele, conviveu com chefes de Estado e líderes internacionais.
Sobrenome com sombras e luzes
Figura central da política peruana, Alberto Fujimori governou o país em tempos convulsos. Derrotou a sangrenta insurreição do grupo maoísta Sendero Luminoso e os guevaristas do MRTA, controlou uma hiperinflação, mas também foi condenado por corrupção e violações de direitos humanos.
Por décadas, Keiko não conseguiu se desvencilhar das luzes e sombras de seu sobrenome, que lhe garante contatos e um eleitorado sólido.
"Sinto falta dele", disse em uma entrevista à AFP na véspera da eleição. "Mas aonde quer que eu vá, as pessoas me lembram e me contam histórias", comentou.No entanto, essa proximidade gera uma profunda rejeição, que já lhe fechou as portas do palácio do governo três vezes consecutivas. Milhões de peruanos se negam a votar em qualquer membro dessa família de origem japonesa.
"Nos últimos 25 anos, fomos governados por governos antifujimoristas", diz Fujimori, embora faça uma exceção ao governo de Alan García (2006-2011). "Todos os demais se dedicaram a insultar, a gerar ódio e divisão entre os peruanos", afirma.
Seus críticos lhe atribuem grande parte da instabilidade política do Peru, dada a forte influência de seu partido, a Força Popular, hábil em tecer alianças no Congresso.
* Com informações da AFP
