Kepler Weber (KEPL3): curto prazo segue fraco, mas déficit de armazenagem sustenta crescimento no longo prazo, diz Itaú BBA
O cenário de curto prazo para a Kepler Weber (KEPL3) segue pressionado pelas margens apertadas dos produtores rurais e pelo endividamento elevado do setor. Para o Itaú BBA, porém, o déficit estrutural de armazenagem de grãos no Brasil continua sendo o principal motor de crescimento da companhia no longo prazo. A avaliação consta em relatório […]

O cenário de curto prazo para a Kepler Weber (KEPL3) segue pressionado pelas margens apertadas dos produtores rurais e pelo endividamento elevado do setor.
Para o Itaú BBA, porém, o déficit estrutural de armazenagem de grãos no Brasil continua sendo o principal motor de crescimento da companhia no longo prazo.
A avaliação consta em relatório de 17 de setembro, após os analistas Gustavo Trotano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama participarem do evento “Portas Abertas” e visitarem a operação industrial da empresa em Campo Grande (MS). Na ocasião, o banco se reuniu com o CEO, Bernardo Nogueira, o CFO, Renato Arroyo, e outros integrantes da administração.
Segundo o BBA, a produção brasileira de grãos avançou significativamente nos últimos anos, impulsionada pela expansão agrícola no Cerrado e em outras regiões de fronteira. Os investimentos em infraestrutura logística, entretanto, não acompanharam esse movimento, ampliando a insuficiência de capacidade de armazenagem.
Esse descompasso abre espaço para a Kepler Weber, mas a melhora do ciclo agrícola deve levar tempo para se transformar em novos pedidos.
Por que a recuperação pode demorar?
O banco explica que, diante das restrições financeiras, os produtores tendem a priorizar a compra de insumos e equipamentos, seguida pela aquisição de terras. Projetos de armazenagem, irrigação e logística acabam adiados até que as condições operacionais se tornem mais favoráveis.
Assim, mesmo com os preços das commodities agrícolas começando a melhorar, a demanda por soluções de armazenagem tende a reagir com alguma defasagem. A volatilidade dos custos e os juros elevados também continuam pesando sobre os produtores mais alavancados.
Na avaliação do BBA, a recuperação da rentabilidade no campo será gradual, enquanto os projetos de armazenagem seguirão disputando recursos com outras prioridades dos clientes.
Kepler Weber se prepara para a retomada
Nesse ambiente, a administração mantém o foco no controle de despesas, em iniciativas de eficiência e na reorganização interna, preservando os planos de crescimento de longo prazo.
Segundo o relatório, a companhia considera que está mais resiliente do que em ciclos agrícolas anteriores, graças à maior diversificação de seu modelo de negócios, que tem ajudado a reduzir os impactos da desaceleração.
Ao mesmo tempo, a empresa busca preparar sua estrutura operacional para capturar uma eventual recuperação da atividade agrícola e da demanda.
Automação abre outra frente de crescimento
Tecnologia e automação também aparecem como pilares da estratégia. A Kepler Weber vem ampliando os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, e produtos recém-lançados já representam 19% da receita consolidada, segundo o BBA.
O portfólio busca atender a gargalos como necessidade de mão de obra, limitações de capacidade, consumo de energia e segurança no trabalho, com soluções para produtores rurais, agroindústrias e operadores de portos e terminais.
Nesse contexto, o banco vê a Procer como um importante motor de geração de valor. A empresa oferece tecnologias que vão de sistemas de monitoramento de armazéns a robôs autônomos, com potencial para reduzir custos operacionais e aumentar a segurança.
Embora a administração continue avançando no objetivo de desenvolver uma unidade de armazenagem totalmente autônoma, o BBA avalia que ainda há espaço significativo para criar novas soluções e ampliar sua adoção pelos clientes.
