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Sacre Investimentos
Economia
01/07/2026
6 min

Kevin Warsh promete “decepcionar” quem acha que ele vai tolerar inflação acima de 2% nos EUA

Kevin Warsh promete “decepcionar” quem acha que ele vai tolerar inflação acima de 2% nos EUA

O chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou nesta quarta-feira que buscará com firmeza a meta de inflação de 2% do banco central dos Estados Unidos e que “decepcionará” quem espera uma política monetária frouxa, apesar dos pedidos do presidente Donald Trump por cortes na taxa de juros.

“Se as pessoas acharam que este banco central se sentiria confortável com um objetivo de inflação acima de 2%, ficarão decepcionadas”, disse Warsh a um painel do Banco Central Europeu em Sintra, Portugal, enfatizando que — além de reafirmar a meta de inflação — ele dará poucas indicações sobre para onde acredita que a política monetária ou a economia estejam se dirigindo.

Questionado se a possibilidade de decepção se estende a Trump, que escolheu Warsh para assumir o comando do Fed e afirmou esperar queda nos custos dos empréstimos, Warsh respondeu: “Somos um banco central independente há muito tempo. Continuaremos sendo um banco central independente neste momento e vocês não verão nenhuma mudança nesse aspecto”.

Warsh falou apenas dois dias depois que a Suprema Corte dos EUA decidiu que Trump não poderia demitir a diretora do Fed Lisa Cook, afirmando a posição do banco central mesmo enquanto os juízes ampliavam o poder do presidente para destituir membros de outros órgãos ostensivamente independentes — uma decisão que Warsh disse ter lido, mas não acredita que mudará a forma como o Fed age.

A aparição pública em Portugal, a segunda de Warsh desde que assumiu o cargo de chair do Fed em maio, o levou a se juntar a outros dirigentes de bancos centrais no que se tornou uma rejeição comum à “orientação futura” e uma aparente relutância até mesmo em falar muito sobre a economia.

Warsh afirmou que os membros do banco central dos EUA decidirão se aumentarão os juros, por exemplo, quando “fecharem as portas” e derem início à sua próxima reunião de dois dias, em 28 de julho. E disse à moderadora do painel que ela iria “falhar” em quebrar sua regra de não comentar sobre decisões relativas aos juros ou mesmo sobre os riscos e fatores que moldam o debate.

Operadores reduziram ligeiramente suas apostas em um aumento dos juros enquanto Warsh falava, mas ainda atribuíam 70% de probabilidade de que o Fed elevará os custos de empréstimos em sua reunião de 15 e 16 de setembro.

“Parece cada vez mais provável que a suposição inicial dos investidores de que um Fed liderado por Warsh reduziria rapidamente os juros não se concretizará”, escreveu Oren Klachkin, economista de mercados financeiros da Nationwide, após a participação de Warsh. “O equilíbrio dos riscos mudou claramente”, acrescentou Klachkin, embora ele espere que o Fed acabe deixando os juros estáveis ao longo do ano.

Ao discursar no fórum anual de política monetária do BCE, Warsh disse: “Entramos naquela sala e fechamos a porta; teremos um bom debate, mas não tenho muito mais a dizer do que isso.”

“Não vou dar orientações futuras”, continuou Warsh, respondendo a uma pergunta complementar da âncora da CNBC, Sara Eisen, dizendo que “Sara está tentando me fazer quebrar essa regra. Ela não vai conseguir”.

Depois, ele estendeu sua regra às perspectivas econômicas, que costumam ser um tema básico nos comentários do Fed e se diferenciam da discussão sobre os resultados da taxa de juros.

“Você voltou à orientação futura. Vou desiludi-la quanto à tentativa de extrair isso de mim. … Minha opinião é que os mercados financeiros e a economia real funcionam melhor quando se observa o que está acontecendo na economia real. Você faz seus próprios julgamentos”, disse Warsh quando Eisen perguntou sobre sua visão do crescimento econômico futuro.

Questionado se acha que a inteligência artificial poderia, pelo menos por enquanto, ser inflacionária — outra questão central que o Fed está analisando —, ele respondeu de forma genérica que cabe ao banco central garantir que isso não ocorra, em vez de tentar desvendar como alguns aspectos da IA podem sobrecarregar os recursos disponíveis, mesmo que, no fim das contas, aumentem a produtividade.

Princípios

Warsh dividiu o palco em Portugal com a presidente do BCE, Christine Lagarde e os presidentes do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, e do Banco do Canadá, Tiff Macklem, todos lidando com a inflação elevada e as repercussões da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã.

Mas o impacto desse conflito os levou a seguir rumos diferentes. Os comentários de Warsh após a reunião de política monetária de 16 e 17 de junho levaram os investidores a aumentar as chances de que o Fed elevará os juros já em setembro, enquanto o BCE já elevou os custos dos empréstimos. Os banqueiros centrais da Inglaterra e do Canadá têm se mostrado mais relutantes em apertar a política monetária, dada a fragilidade da economia local.

Os outros banqueiros centrais do painel também compartilharam da abordagem de Warsh de que falar demais sobre os juros não é sensato, um fato que, segundo Warsh, pode estar dando início a uma nova tendência global de confiança nos “princípios fundamentais” e a um exorcismo definitivo dos problemas que ele atribui às políticas do Fed criadas na esteira da crise financeira global de 2007-2009.

Warsh foi diretor do Fed durante esses anos, antes de deixar o cargo em protesto contra alguns dos programas que estavam sendo implementados e, posteriormente, fazer campanha contra eles nos 15 anos seguintes.

“Sinto um conforto incrível, que não tenho certeza se já havia internalizado, de que há uma disposição por parte dos meus colegas da comunidade de bancos centrais em todo o mundo de voltar aos princípios fundamentais”, disse Warsh. “Todos nós temos carregado o fardo de muitas das políticas que, em certo sentido, o Fed criou durante a crise financeira de 2008”, incluindo balanços patrimoniais grandes e o fornecimento excessivo de informações para orientar os mercados financeiros.

Essas políticas específicas e outras questões serão analisadas por uma série de grupos de trabalho que, segundo Warsh, serão nomeados na próxima semana, indicando que ex-banqueiros centrais estrangeiros poderão ser indicados para alguns desses painéis e dos quais ele espera resultados rápidos.

Em particular, ele disse que é sua “aspiração” que, dentro de um ano, o Fed passe a utilizar dados em tempo real para definir a política monetária e dependa menos de pesquisas governamentais retrospectivas.

AutorReuters
FonteMoney Times
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