Kim defende expansão "exponencial" do arsenal atômico da Coreia do Norte

A Coreia do Norte deu novos sinais de que não pretende frear suas ambições nucleares. Em uma visita oficial a uma usina atômica de enriquecimento recentemente inaugurada, o líder do regime, Kim Jong-un, defendeu publicamente uma expansão em ritmo "exponencial" do arsenal tático e de destruição em massa do país isolado.
As declarações foram divulgadas nesta quinta-feira, 4, pela agência estatal de notícias norte-coreana KCNA. Durante a inspeção técnica, Kim celebrou o avanço industrial do setor militar, garantindo que a capacidade nacional de manufaturar insumos nucleares de grau militar mais do que duplicou nos últimos cinco anos.
De acordo com o chefe de Estado, o fortalecimento bélico acelerado é a única resposta possível diante do cenário geopolítico atual. Ele destacou que o surgimento de ameaças constantes, perigos potenciais e a possibilidade de crises imprevisíveis a longo prazo impõem ao país o dever de consolidar sua soberania por meio da força.
O papel da força atômica na estratégia de Estado
Para o comando em Pyongyang, o estoque de ogivas deixou de ser apenas um escudo de proteção e passou a figurar como o pilar de sustentação política do território.
"É nosso dever continuar ampliando e fortalecendo as forças nucleares estatais, eixo central da estratégia para dissuadir e combater uma guerra, e exercer plenamente a posição de Estado com armas nucleares", sentenciou Kim Jong-un.
A linha dura adotada pelo ditador dá sequência às resoluções estipuladas em fevereiro deste ano, durante o congresso do governista Partido dos Trabalhadores. Na ocasião, a cúpula política já havia classificado o aumento do poder de fogo atômico como uma meta prioritária e inabalável da administração pública.
Mistério sobre a localização do novo complexo
Como de costume em relatórios de propaganda do regime, a KCNA manteve o sigilo operacional e não revelou onde fica a nova usina nuclear. A comitiva que acompanhou o líder era composta apenas por burocratas e funcionários de alto escalão do partido único.
Apesar do segredo, agências de inteligência ocidentais e vizinhos regionais tentam mapear o avanço norte-coreano. Informações compartilhadas pela agência de notícias sul-coreana Yonhap revelam que Seul monitora, atualmente, atividades ativas de enriquecimento de urânio em três complexos principais:
- Yongbyon: O centro de pesquisas nucleares mais conhecido e antigo do país.
- Kangson: Instalação suspeita de operar secretamente de forma paralela.
- Kusong: Base militar com infraestrutura voltada para testes e refino técnico.
Especialistas militares da Coreia do Sul avaliam se o anúncio desta semana indica a expansão de uma dessas três bases conhecidas ou se a Coreia do Norte conseguiu colocar em operação um quarto complexo nuclear clandestino, desafiando as sanções impostas pela comunidade internacional.
