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TecnologiaBDR
25/08/2026
4 min

Kindle e Alexa ficam até 50% mais caros no Brasil com a crise da memória RAM

Amazon confirma reajuste em toda a linha de Kindle, Echo e Fire TV no país, citando alta global no custo de componentes de memória e armazenamento

Kindle e Alexa ficam até 50% mais caros no Brasil com a crise da memória RAM

A Amazon reajustou os preços de toda a sua linha de dispositivos vendida no Brasil — Kindle, Echo e Fire TV — com aumentos que variam de 6% a mais de 55%, confirmou a própria empresa na segunda-feira, 24.

OKindle de 16 gigabytes (GB) da 11ª geração, lançado em 2024 por R$ 599, passou a custar R$ 899, em uma alta de 50%, por exemplo.

Segundo a Amazon, o motivo é a crise global no fornecimento de memória RAM e armazenamento — fenômeno que a indústria vem chamando de "RAM-ageddon".

"A indústria de eletrônicos de consumo enfrenta aumentos significativos nos custos de componentes de memória e armazenamento. Após absorver esses aumentos pelo maior tempo possível, ajustamos recentemente os preços em nossas linhas de produtos", disse a empresa, em nota.

Data centers de IA disputam os mesmos chips

A raiz do problema está na disputa por capacidade de fabricação entre a indústria de eletrônicos de consumo e o setor de data centers voltados à inteligência artificial (IA).

A expansão acelerada dessa infraestrutura aumentou a demanda por memória de alta largura de banda (HBM, na sigla em inglês) — usada em processadores gráficos como os da Nvidia —, empurrando fabricantes a direcionar cada vez mais capacidade de produção para esse mercado, em detrimento da memória tradicional usada em computadores, celulares e dispositivos domésticos.

O efeito nos preços tem sido brusco. Oscontratos de memória DRAM subiram cerca de 90% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior, segundo a consultoria TrendForce — o maior ajuste trimestral já registrado pela empresa. Projeções da S&P Global apontam que os valores devem seguir elevados pelo menos até 2028, sustentados pela demanda contínua de data centers.

Produtos de entrada sofrem mais

O reajuste da Amazon não foi uniforme.

O caso mais extremo é o do alto-falante Echo Spot de 2024, embutido com a Alexa, que saltou de R$ 579 para R$ 899 — alta de 55,27%. Já o Kindle Colorsoft Signature Edition, modelo mais caro da linha, subiu apenas 6,06%.

O padrão se repete: produtos de entrada, com margens de lucro mais apertadas, absorvem proporcionalmente mais o custo extra dos componentes de memória.

Alta também atinge os Estados Unidos

O reajuste não ficou restrito ao Brasil. Nos Estados Unidos, a Amazon subiu os preços de Echo, Kindle, Fire TV e dos roteadores Eero em até 60%, citando o aumento nos custos de componentes de memória e armazenamento como motivo.

O Echo Dot básico passou a custar US$ 79,99, e o Kindle de entrada foi reajustado para US$ 149,99. Os aumentos foram aplicados de uma hora para outra, durante a madrugada, e confirmados por uma porta-voz da empresa à imprensa americana.

Um movimento que já atinge toda a indústria

A Amazon não é a primeira a repassar o custo da crise ao consumidor brasileiro. Em julho, aRoku já havia elevado os preços de seus dispositivos de streaming em até 60%, citando o mesmo motivo.

A Apple também confirmou aumentos em produtos da linha Mac, iPad e HomePod por causa da alta nos preços de memória RAM e NAND, e chegou a encerrar a produção do Mac Mini de entrada. A Samsung, por sua vez, registrou prejuízo inédito em sua divisão de celulares atribuído ao mesmo problema.

Segundo o CEO da Amazon, Andy Jassy, a companhia deve gastar US$ 220 bilhões em despesas de capital em 2026 — alta em relação à estimativa anterior de US$ 200 bilhões —, principalmente para construir e equipar data centers voltados a serviços de IA.

Mesmo assim, Jassy admitiu recentemente que a empresa ainda não terá capacidade suficiente para atender toda a demanda por esses serviços em 2026.

AutorTamires Vitorio
FonteExame
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