Kopenhagen investe R$ 42 mi em retrofits como estratégia para crescer vendas

A Kopenhagen está reformando sua rede de mais de 850 lojas. Desde 2024, a chocolateria investiu R$ 42 milhões na modernização do espaço físico de suas unidades, uma aposta no varejo de experiência como motor de crescimento de vendas. De acordo com a empresa, os pontos que passaram pelo processo de retrofit apresentam potencial médio de aumento de vendas de 15%.
Em entrevista à EXAME,Fernando Vichi, CEO da Kopenhagen, afirmou que a iniciativa faz parte de uma estratégia que combina expansão da rede, atração de novos consumidores e fortalecimento da relação com clientes atuais. “A nossa estratégia de retrofit está integrada a esses três objetivos, que estão profundamente conectados aos planos de crescimento da Kopenhagen”, disse.
Fernando Vichi: CEO da Kopenhagen aposta no retrofit para a atração de clientes (Kopenhagen / Divulgação)
O projeto de retrofit substitui gradualmente a clássica arquitetura preta e dourada da marca por um conceito mais claro e acolhedor, chamado de "layout 5.0". O novo modelo resgata o vermelho como cor central da identidade da Kopenhagen em uma leitura contemporânea, com foco em conveniência, autonomia e maior permanência do consumidor no espaço.
O movimento ocorre em uma nova fase da trajetória da marca centenária. Fundada em 1928, a Kopenhagen se consolidou no segmento de chocolates finos no Brasil com produtos como Nhá Benta,Língua de Gato e Lajotinha, além de um posicionamento associado a presentes e ocasiões especiais.
Nas últimas décadas, a companhia ampliou sua presença nacional por meio do modelo de franquias epassou a integrar o Grupo CRM, que também reúne a Chocolates Brasil Cacau.
Em 2020, o grupo vendeu participação majoritária para a gestora Advent International, em uma estratégia de expansão e preparação para novos ciclos de crescimento. Três anos depois, a Nestlé acertou a aquisição do Grupo CRM por cerca de R$ 3 bilhões, um negócio que permitiu à gigante suíça o acesso ao segmento de chocolates de luxo brasileiro.
A nova fase da companhia com os retrofits mantém a aposta no fortalecimento da marca premium e na experiência do consumidor
Retrofit reduz custo e aumenta potencial de vendas
O principal argumento econômico do programa é o custo. Segundo Vichi, modernizar uma loja representa cerca de 25% do valor necessário para construir um novo ponto, ou seja, uma economia de 75%.
Além disso, a empresa desenvolveu um modelo de execução que reduziu o tempo de obras. A estrutura é produzida fora da loja e instalada posteriormente, fazendo com que a reforma completa leve cerca de cinco dias, contra aproximadamente 50 dias de uma reconstrução tradicional.
Segundo a Kopenhagen, as unidades modernizadas apresentam potencial médio de aumento de vendas de 15%. Em casos associados à mudança de ponto ou ampliação do salão de vendas, esse potencial pode chegar a 34%.
“O crescimento de 15% vem principalmente do aumento de fluxo nas lojas, que é o primeiro impacto do novo conceito”, afirmou Vichi. “Na sequência, melhora também frequência e penetração na base.”
As lojas reformadas contam com nova disposição de prateleiras, iluminação aprimorada e áreas dedicadas à personalização de produtos. Um dos principais elementos é o “Mil Delícias”, gôndola no formato pick and mix em que o cliente escolhe seu mix de chocolates e paga por peso.
O conceito também inclui cafeterias com cardápio atualizado, ampliando as ocasiões de consumo dentro das unidades.
“A substituição gradual da clássica arquitetura preta e dourada por um conceito mais fluido e acolhedor responde diretamente à jornada contemporânea do consumidor, que prioriza a conveniência e a experiência”, disse Vichi. “A ideia é que o cliente se sinta à vontade para percorrer e permanecer no espaço, explorando com calma nosso portfólio de cerca de 170 a 180 SKUs.”
Meta é chegar a 70% das lojas modernizadas até o fim de 2026
A atualização das unidades segue em ritmo acelerado. Até o fim de 2025, 52% da rede já operava no novo conceito. No primeiro trimestre de 2026, outros 31 projetos foram concluídos, e a meta é reformar até 150 lojas ao longo do ano, chegando a aproximadamente 70% da rede modernizada.
A conclusão total está prevista para o primeiro semestre de 2028.
Para Vichi, a modernização não substitui a expansão física, mas faz parte da mesma estratégia de crescimento. “A prioridade não é escolher entre expandir ou modernizar a rede, é avançar nas duas frentes ao mesmo tempo”, afirmou.
O investimento ocorre em um momento em queparte do varejo reduz espaços físicos e amplia canais digitais. Para a Kopenhagen, porém, a loja continua sendo um ponto central da experiência da marca.
“A loja física não concorre com o digital, mas se integra a ele para criar uma experiência completa”, disse o executivo. O novo conceito inclui recursos como pagamentos móveis direto com vendedores e integração com o aplicativo de fidelidade.
Segundo Vichi, o ambiente físico permite experiências que o digital não reproduz, como a personalização de chocolates, a montagem de presentes e o consumo de cafés e sobremesas no local. “O digital traz a conveniência e a loja física entrega conexão, acolhimento e experiência real”, afirmou.
Com o retrofit, a Kopenhagen busca combinar o aumento da produtividade das lojas existentes com a expansão da rede, apostando na experiência do consumidor como um dos principais motores de vendas.
