Kosovo vai às urnas pela terceira vez em 16 meses

Os eleitores do Kosovo foram às urnas neste domingo, 7, para a terceira eleição legislativa em apenas 16 meses, em meio a uma crise política que tem dificultado a formação de instituições estáveis no país balcânico.
O impasse começou após as eleições de fevereiro de 2025, quando o partido Vetëvendosje (VV), do primeiro-ministro Albin Kurti, venceu o pleito, mas sem maioria suficiente para formar governo. Meses depois, novas eleições antecipadas foram convocadas.Na votação seguinte, realizada em dezembro, o VV voltou a liderar, desta vez com mais de 51% dos votos, o que permitiu a formação de um novo governo. Ainda assim, o Parlamento permaneceu travado diante da incapacidade dos deputados de chegar a um acordo para eleger o presidente do país, cargo de função majoritariamente honorária.
Com o novo bloqueio institucional, o Parlamento foi dissolvido novamente em abril.“Basta”, afirmou à AFP o professor aposentado Gezim Selimi, de 66 anos, após votar em Pristina, capital do Kosovo. “Espero que os partidos finalmente trabalhem pelo Kosovo, em vez de perder tempo em disputas de poder e eleições antecipadas em série.”
Após votar, Kurti pediu que os 2,1 milhões de eleitores registrados — incluindo cidadãos residentes no exterior — comparecessem “maciçamente às urnas” para fortalecer “a legitimidade e a estabilidade das instituições”.
Quatro horas antes do fechamento das seções eleitorais, a participação estava em cerca de 23%.
O Kosovo declarou independência da Sérvia em 2008 e é considerado o país mais jovem da Europa. Tem população de cerca de 1,6 milhão de habitantes, formada majoritariamente por albaneses-kosovares, além de uma importante minoria sérvia.
Para o pesquisador Ardi Uka, especialista em economia política, o país entrou em um ciclo de instabilidade semelhante ao observado em países como Bélgica e Bulgária, onde a formação de governos duradouros é frequentemente difícil.
A campanha eleitoral também foi marcada pelo avanço da inflação. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), os preços seguem pressionados, especialmente no setor de alimentos.
A crise política ainda atrasou o acesso do Kosovo a recursos europeus previstos no plano de crescimento da União Europeia para os Bálcãs Ocidentais.
As novas eleições devem custar mais de 10 milhões de euros — cerca de 59 milhões de reais — ao Kosovo, um dos países mais pobres da Europa.
*Com informações da AFP
