Lásaro do Carmo dá choque de gestão em empresa de LED que perdeu o controle do caixa

Nem todo problema de uma empresa aparece quando as vendas caem. Em muitos casos, eles surgem justamente quando o negócio começa a crescer.
Foi esse o diagnóstico de Lásaro do Carmo no novo episódio do Choque de Gestão, programa da EXAME, com patrocínio de Santander Empresas e Claro Empresas. O empresário visitou a Boa LED, distribuidora de iluminação para comunicação visual fundada por Natan Lima, que deve praticamente dobrar de tamanho neste ano, saltando de R$ 7,5 milhões em faturamento de R$ 13 milhões.
O crescimento, no entanto, trouxe uma série de gargalos. A empresa enfrenta dificuldades para organizar o fluxo de caixa, atrasos na área financeira, problemas tributários após ultrapassar o limite do Simples Nacional e processos que deixaram de acompanhar o ritmo das vendas. "Caixa não é problema. Caixa é sintoma", afirmou Lásaro do Carmo durante a mentoria.
Crescimento acelerado revela problemas
A Boa LED nasceu há 11 anos a partir de um trabalho de conclusão de curso de Natan Lima. A primeira venda aconteceu no mesmo dia em que a empresa foi criada: o empreendedor encontrou um cliente pelo Google, comprou os produtos na Santa Ifigênia e fez a entrega pessoalmente em uma sacola plástica.
Hoje, a realidade é outra. A empresa conta com 18 colaboradores, importa parte dos produtos diretamente da China e projeta faturar R$ 13 milhões em 2026. Mas, segundo o fundador, a estrutura administrativa não acompanhou essa expansão.
Durante a conversa, Natan revelou que o DRE estava atrasado, o controle financeiro ficou comprometido após a saída de uma colaboradora estratégica em licença-maternidade e a empresa passou a operar no regime de lucro presumido depois de ultrapassar o teto do Simples Nacional, processo que ainda gerou multas e retrabalho.
"Você vai ter que fazer uma escolha: ou estrutura e cresce, ou para de crescer", diz Lásaro do Carmo.
Não economize na gestão
Boa parte da conversa girou em torno da profissionalização da empresa.
Segundo Lásaro, muitos empreendedores mantêm pessoas de confiança em cargos estratégicos por anos, mesmo quando a companhia passa por uma mudança de escala.
"Quem começou com você nem sempre vai levar a empresa até os R$ 100 milhões", afirmou o mentor.
Para ele, o crescimento exige investir em profissionais mais qualificados, principalmente nas áreas financeira, tributária e de controladoria.
Na avaliação do mentor, economizar justamente nessas posições costuma sair caro. "Você não pode economizar no capital intelectual", diz.
Ele também criticou a atuação da contabilidade da empresa após descobrir que a Boa LED ultrapassou o limite do Simples Nacional sem o planejamento necessário para a mudança de regime tributário, o que resultou em multas.
O caixa é consequência
Outro ponto da mentoria foi a organização financeira. Lázaro chamou atenção para a falta de controle sobre indicadores básicos, como prazo médio de pagamento, prazo médio de recebimento e necessidade de capital de giro, informações que, segundo ele, todo empresário deveria acompanhar de perto.
Sem esses números, argumentou, fica impossível entender por que o caixa aperta mesmo quando as vendas crescem.
A Boa LED mantém cerca de R$ 3 milhões em estoque e vende aproximadamente 60% dos produtos importados e 40% adquiridos de fornecedores nacionais. Para o mentor, aumentar a participação dos itens importados, que apresentam margens superiores, pode melhorar a rentabilidade e aliviar a pressão sobre o caixa.
Além disso, recomendou reforçar a equipe de backoffice comercial para reduzir erros fiscais na emissão de notas e evitar problemas tributários que acabam consumindo tempo e dinheiro da operação.
Gestão é rotina
Ao longo da mentoria, Lázaro também defendeu uma cultura de acompanhamento constante dos indicadores da empresa.
Em vez de reuniões mensais para apresentação de resultados, ele sugeriu que gestores sejam capazes de responder, a qualquer momento, pelos números de suas áreas.
Para isso, recomendou criar rotinas claras, definir responsabilidades individuais e cobrar indicadores semanalmente.
"Todo mundo tem o medíocre que contrata e o incompetente que tolera", disse o mentor ao defender que líderes não podem evitar conversas difíceis apenas para preservar um bom ambiente.
Segundo Lázaro, profissionalizar processos, fortalecer a equipe e acompanhar os indicadores certos é o que permite transformar crescimento em lucro e evitar que o caixa se torne o primeiro sinal de que a empresa perdeu o controle.
