Lego vê lucro crescer 22% e mostra que seus bloquinhos estão gigantes
Fabricante de brinquedos amplia investimentos em tecnologia, sustentabilidade e novas fábricas

A Lego encerrou o primeiro semestre com receita recorde, impulsionada pela expansão do portfólio e por produtos que vão de carros de Fórmula 1 e modelos botânicos a conjuntos de Pokémon e Star Wars. Ela está aumentando os investimentos em tecnologia, sustentabilidade e capacidade produtiva.
A fabricante de brinquedos registrou receita de 41,9 bilhões de coroas dinamarquesas ou cerca de US$ 6,54 bilhões nos seis primeiros meses do ano. O lucro operacional avançou 22%, para 10,9 bilhões de coroas ou US$ 1,7 bilhão, enquanto o lucro líquido cresceu cerca de um terço, para 8,6 bilhões de coroas.
O desempenho reforça uma sequência de expansão da companhia, que afirma estar ganhando participação de mercado (market share) em praticamente todos os países onde atua.
O CEO Niels Christiansen vê que a expansão tem sido disseminada tanto entre diferentes mercados quanto entre categorias de consumidores. A estratégia passa por ampliar o universo de pessoas interessadas na marca, sem abandonar os fãs tradicionais.
"Estamos realmente aumentando nossos investimentos", pontuou o executivo, citado pelo Financial Times. Investir no ritmo adequado, segundo o executivo, é uma forma de evitar que a empresa perca força novamente.
Do brinquedo tradicional ao digital
A empresa triplicou o número de engenheiros de software e lançou o chamado "Smart Play", sistema que adiciona sensores aos conjuntos para permitir respostas ao movimento, emissão de sons e efeitos de iluminação, conforme dados da CNBC.
A tecnologia já foi incorporada a conjuntos de Star Wars e Pokémon e deve chegar, gradualmente, a outros produtos. Christiansen afirmou que novas funcionalidades serão apresentadas ao longo do tempo.
A empresa também fechou uma parceria há muito aguardada com Pokémon e ampliou sua presença no esporte por meio de acordos relacionados à Fórmula 1 e à Copa do Mundo de Futebol.
Outra frente de expansão está em produtos capazes de atrair consumidores que antes não tinham uma relação tão forte com a Lego. A linha de modelos botânicos e a parceria com a Epic Games, que aproxima os blocos físicos do universo digital de Fortnite, são exemplos dessa estratégia.
"[Novas parcerias] atraem pessoas que não necessariamente viram sua paixão ser muito bem representada pela marca Lego anteriormente", acrescentou Christiansen em fala divulgada pela CNBC. Para ele, depois de entrar na marca por uma dessas portas, os consumidores passam a explorar outras categorias de produtos.
A empresa afirma estar conseguindo tanto conquistar novos clientes quanto vender mais para aqueles que já fazem parte de sua base.
Lego: recorde de lançamentos
A expansão do catálogo também atingiu um nível inédito. A Lego lançou 332 novos conjuntos nos primeiros seis meses do ano, recorde para um primeiro semestre. Ao mesmo tempo, a empresa continua produzindo conjuntos lançados há vários anos.
A companhia também busca ampliar a presença entre adultos e mulheres, além de manter o crescimento entre crianças. Ele explicou que conseguir atender diferentes grupos de consumidores tem sido fundamental para o desempenho recente.
Investimentos sobem
A forte geração de resultados está sendo acompanhada por uma aceleração dos investimentos. A companhia elevou em cerca de 10% os aportes em instalações de produção no primeiro semestre, para 4,6 bilhões de coroas dinamarquesas.
A Lego também desembolsou 1,9 bilhão de coroas para comprar os Lego Discovery Centres da Merlin Entertainments, empresa que opera os parques temáticos Legoland.
Na produção, o grupo está construindo uma nova fábrica nos Estados Unidos. O movimento ocorre após a abertura de uma unidade no Vietnã e ampliações de instalações na China, Hungria e Dinamarca.
Mas há uma cautela relacionada diretamente com um episódio do passado. Depois de crescer rapidamente na década seguinte à crise que quase levou a empresa à falência em 2004, a Lego acabou ficando grande e complexa demais. O processo culminou em uma queda nas vendas em 2017.
Agora, Christiansen afirma que a empresa está evitando repetir a estratégia de crescimento a qualquer custo. A companhia não pretende contratar indiscriminadamente e diz estar mais focada na alocação de recursos. Apesar disso, o executivo não vê sinais de que o mercado tenha chegado ao limite.
Ele enxerga oportunidades de expansão, porém, ao mesmo tempo, reconhece que as taxas atuais de crescimento não devem durar para sempre.
