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23/06/2026
4 min

Lembra do tênis com rodinha? A Pampili está trazendo o clássico dos anos 2000 de volta

Lembra do tênis com rodinha? A Pampili está trazendo o clássico dos anos 2000 de volta

Quem foi criança nos anos 2000 provavelmente teve um, ou pediu emprestado. O tênis com rodinha no solado virava patins com um impulso no calcanhar e deslizava por pisos lisos. Foi febre nas escolas e sumiu das prateleiras na década seguinte.

Agora, está de volta.

Quem retoma o produto é a Pampili, fabricante de calçados femininos infantis sediada em Birigui, no interior de São Paulo, um dos três principais polos calçadistas do estado, ao lado de Franca e Jaú.

Fundada em 1987 por Maria Aparecida Mestriner Colli e José Roberto Colli, a empresa produz cerca de 2,5 milhões de pares por ano e se posiciona como líder no segmento de moda infantil feminina no país.

O relançamento chega batizado de Fly e vem com acréscimos em relação ao modelo que marcou a geração anterior: rodinhas removíveis encaixadas nos eixos dianteiro e traseiro, luz de LED no solado que acende a cada passo e asas em 3D no cabedal, a parte de cima do calçado.

A aposta em um ícone dos anos 2000 vai além da nostalgia. A Pampili usa o Fly para tentar mudar de posição na rotina das famílias.

"Deixamos de falar 'apenas' sobre moda infantil para ocupar um espaço maior no cotidiano das famílias. Queremos ser presente no dia a dia das meninas, incentivando autonomia, amizade, autoestima e diversão", afirma a fundadora, Maria Colli.

A virada de posicionamento aparece no discurso da marca como resposta a um comportamento que preocupa pais e pediatras: o tempo de tela.

A empresa apresenta o Fly como uma alternativa às horas que as crianças passam diante de celulares e tablets.

"O número de crianças em frente às telas cresce a cada dia, e isso nos preocupa profundamente, diz Maria.

O momento do setor

O relançamento acontece em um momento difícil para a indústria que produz o calçado. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados),o setor encerrou 2025 com produção praticamente estável, em torno de 930 milhões de pares — número semelhante ao de 2024.

No ano passado, a indústria sentiu o tarifaço dos Estados Unidos, principal destino das exportações brasileiras, e o avanço das importações asiáticas, que cresceram 21% até novembro na comparação com o ano anterior.

Birigui, onde a Pampili tem sede, é um dos polos mais afetados por esse cenário de concorrência.

Apostar em um produto de maior valor agregado — com tecnologia embarcada, como LED e sistema de rodinhas removíveis — é uma das saídas que parte da indústria nacional tem buscado para se diferenciar do calçado importado de baixo custo.

A Pampili, no detalhe, não divulga número de faturamento. A última informação pública é de 2022, quandodivulgou um faturamento de 200 milhões de reais, com projeção de dobrar de tamanho em cinco ano.

À época, a marca informava que os canais multimarcas respondiam por cerca de 80% do faturamento e que as exportações, para mais de 40 países, representavam 15% da receita.

O Fly faz parte da estratégia de ampliar a venda direta ao consumidor e o engajamento nos canais digitais, segundo a marca.

"O produto tem potencial não só de ampliar o fluxo nas lojas, mas também de fortalecer a presença omnichannel", afirma Maria, em referência à integração entre lojas físicas e canais digitais.

Como funciona o tênis

O Fly funciona como tênis casual e como patins. As rodinhas são removíveis e, quando retiradas, o calçado conta com trava mecânica e tampas de vedação nos encaixes, segundo a empresa.

A palmilha é de EVA, espuma usada para amortecimento, com base de material que a marca descreve como eco-friendly, de menor impacto ambiental. O solado emborrachado é antiderrapante.

AutorDaniel Giussani
FonteExame
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