Léo Santana, Lore Improta e Andréa Vermont: a aposta milionária que une TikTok e saúde mental
A fórmula da Topway Nutrition combina suplementos, plataforma de bem-estar e 80 milhões de seguidores para transformar influência digital de sócios em faturamento de R$ 100 milhões

Uma crise de burnout aos 29 anos, um investimento inicial de mais de R$ 5 milhões e dois anos de prejuízo. Foi assim que começou a história da Topway Nutrition, empresa mineira de suplementos e bem-estar que hoje reúne o cantor Léo Santana, a dançarina Lore Improta e, mais recentemente, a psicanalista Andréa Vermont em seu quadro de sócios.
“Conquistei bons cargos, viajei o mundo, cheguei em alto nível de liderança na empresa que trabalhava, mas aos 29 anos vi que a vida não tinha mais sentido, em meio a uma grande crise de burnout”, afirma Gustavo Rosa, CEO e cofundador da Topway, que decidiu abandonar a carreira corporativa para empreender ao lado do empresário Ricardo Rocha.
Cinco anos depois da fundação, o negócio ganhou uma nova dimensão. Avaliada em R$ 180 milhões em sua segunda rodada de captação, a Topway acaba de receber um aporte de R$ 10 milhões de Andréa Vermont e projeta alcançar R$ 100 milhões em faturamento em 2026. Para 2030, a ambição é ainda maior: superar a marca de R$ 500 milhões.
A estratégia combina três ingredientes: suplementos alimentares, saúde emocional e o poder das redes sociais. Além de Léo Santana e Lore Improta, a empresa agora contará também com Andréa Vermont, que se torna sócia com um investimento de R$ 10 milhões. Juntos, os três nomes somam mais de 80 milhões de seguidores no Instagram, YouTube e TikTok, audiência que a empresa pretende transformar em consumidores.
"Como sócio, eu vejo o alcance digital como porta de entrada. Ele aproxima a pessoa, mas o que fica é a experiência: o produto que funciona, a comunidade que acolhe, o evento que marca. Quando a gente entrega isso, o alcance vira relacionamento, e o relacionamento vira negócio”, afirma o cantor Léo Santana, um dos sócios da companhia.
Para Andréa Vermont, a entrada na sociedade também representa uma aposta no crescimento do mercado de saúde emocional, que ganha espaço entre as prioridades dos consumidores e nas estratégias das empresas.
“Estamos vivendo uma época em que as pessoas estão hiperconectadas, pressionadas por produtividade, exigências sociais e pela necessidade permanente de demonstrar que estão bem. Mas estar funcionando não significa estar emocionalmente saudável,” afirma.
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De um burnout a um negócio de R$ 100 milhões
Antes de fundar a Topway, Gustavo Rosa havia construído uma carreira executiva. Filho de uma empregada doméstica e de um mecânico, ele encontrou no trabalho uma maneira de ascender profissionalmente.
Conquistou cargos de liderança, viajou pelo mundo e chegou a posições de destaque na empresa em que trabalhava. Até que, aos 29 anos, enfrentou uma crise de esgotamento profissional que o fez repensar a própria trajetória.
Foi nesse momento que decidiu abandonar a carreira corporativa e empreender.
Ao lado de Ricardo Rocha, empresário e investidor que já havia vendido cinco empresas, Rosa fundou a Topway Nutrition, em Uberlândia, Minas Gerais, onde fica a sede da companhia até hoje. Os dois investiram mais de R$ 5 milhões para colocar o negócio de pé.
Atualmente, a Topway possui três marcas: Topway, de suplementos alimentares; Yamo, de snacks e produtos infantis; e Kalpa, de dermocosméticos e fragrâncias.
A marca Topway responde pela maior parcela do faturamento, seguida por Yamo e Kalpa, esta última lançada recentemente. Os snacks proteicos lideram as vendas. Na sequência aparecem suplementos como whey protein e creatina.
"A empresa começou com faturamento de R$ 3 milhões no primeiro ano e passou a operar no azul a partir do segundo ano de existência", diz Rosa.
Para financiar a inovação do portfólio e expansão, a companhia está recorrendo a investidores e reforçando sua aposta na chamada creator economy, mercado que transforma a influência digital em negócios.
No palco dos negócios: Léo Santana e Lore Improta
A entrada de celebridades no quadro societário da Topway não começou com Andréa Vermont.
Há dois anos, Léo Santana e Lore Improta investiram, juntos, R$ 10 milhões na companhia, além de colocarem sua imagem e capacidade de comunicação a serviço da marca.
"Desde então, o faturamento da empresa mais que dobrou.", diz Rosa.
O casal também participa do conselho da companhia e das principais decisões estratégicas relacionadas a marketing, lançamentos e desenvolvimento de produtos.
A atuação inclui testes de produtos e participação nas escolhas de embalagens, aromas e sabores.
"Alcance sozinho não constrói marca. O que transforma audiência em valor é a confiança. Eu só falo do que uso, do que acredito e do que faz sentido na minha vida", afirma Lore Improta.
Para a dançarina, existe uma diferença entre emprestar a imagem para uma campanha publicitária e assumir participação societária em um negócio.
"Quando você é embaixadora, você empresta a sua voz. Quando é sócia, empresta a sua voz e também as suas decisões, o seu cuidado com o produto e o seu compromisso com o futuro da empresa."
Léo Santana segue a mesma linha. Para o cantor, o sucesso da marca é também o dele.
"Para mim, a diferença é que o sucesso da marca passa a ser também o meu. Isso muda a forma como eu escolho cada ação, cada conteúdo e cada parceria", diz o cantor.
A estratégia ilustra uma mudança na relação entre celebridades e empresas: em vez de apenas receberem para divulgar produtos, influenciadores passam a participar diretamente dos resultados financeiros e das decisões das companhias.
Por que Andréa Vermont decidiu ser sócia da Topway
A nova aposta da Topway está na saúde emocional.
Psicanalista e doutora em Filosofia da Mente, Andréa Vermont decidiu investir R$ 10 milhões na empresa após analisar o potencial de crescimento do negócio e a possibilidade de transformar sua experiência profissional em novos produtos e serviços.
"Eu precisei olhar para os números, para a gestão, para o mercado, para os riscos e para o potencial de crescimento. Mas, ao mesmo tempo, havia uma pergunta que para mim era fundamental: 'Eu acredito nisso de verdade?' E a resposta foi sim", afirma.
A operação faz parte de uma rodada de captação ponte, conhecida no mercado como bridge, anterior a uma eventual Série A. Segundo Gustavo Rosa, a companhia foi avaliada em R$ 180 milhões nessa rodada.
A participação societária exata adquirida por Vermont não foi informada.
A psicanalista já possui investimentos no setor imobiliário e atua no mercado educacional por meio de iniciativas que incluem cursos de formação e projetos de graduação e pós-graduação. O Instituto Psicanalítico André Vermont, segundo ela, está presente em 66 países.
Agora, pretende utilizar sua experiência em comportamento humano para ampliar a atuação da Topway.
Entre as possibilidades estão programas de educação emocional, soluções voltadas ao mercado corporativo e iniciativas de promoção da saúde mental.
"A saúde mental se transformou no novo luxo. Em uma sociedade que normalizou a exaustão, a ansiedade e a necessidade de estar permanentemente produzindo, conseguir viver com equilíbrio emocional, presença e qualidade de vida tornou-se um bem cada vez mais valioso", afirma Vermont.
Para a empresária, entretanto, o crescimento do setor precisa vir acompanhado de responsabilidade.
"Não podemos transformar o sofrimento humano em uma oportunidade comercial sem responsabilidade."
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Como a Topway pretende chegar a R$ 500 milhões?
O aporte de Andréa Vermont será direcionado principalmente à ampliação da produção, ao desenvolvimento da marca e às experiências de bem-estar oferecidas pela companhia.
Segundo Gustavo Rosa, o crescimento superior a 100% registrado nos últimos anos aumentou a necessidade de capital de giro para financiar a operação.
Apesar da força dos influenciadores digitais, a maior parte das vendas ainda acontece fora da internet.
Atualmente, 65% das vendas são realizadas em canais físicos e 35% no digital. A distribuição inclui farmácias, supermercados, lojas especializadas, distribuidores e profissionais como nutricionistas.
O tíquete médio é de R$ 250 nas vendas diretas ao consumidor (B2C) e de R$ 7 mil nas operações entre empresas (B2B), como supermercados, farmácias, entre eles, Atacadão, Assaí, Stoque Mercantil, Raia Drogasil e etc.
Com mais de 25 mil clientes, a meta da Topway é ultrapassar 300 mil consumidores nos próximos três anos (um crescimento de pelo menos 12 vezes em relação à base atual).
A companhia não pretende abrir lojas próprias. Segundo Rosa, a estratégia é fortalecer a rede de distribuidores e varejistas já existente.
A internacionalização também começou, com exportações e registros da marca em outros países, como Austrália, Paraguai e Rússia, mas ainda representa uma parcela pequena do negócio.
"Já estamos no mundo. Começamos a exportação e registro da marca em vários países, mas o foco é consolidar o Brasil, onde temos muito espaço para crescer e uma comunidade que está começando a mostrar a sua força. A internacionalização é uma parcela muito pequena do negócio neste momento", diz Rosa.
O negócio vai além dos suplementos
A ambição da Topway é disputar um espaço que vai além das prateleiras de suplementos alimentares.
Em cinco anos, a empresa afirma ter realizado mais de 500 eventos e imersões de saúde e bem-estar. Também reúne mais de 10 mil membros em sua comunidade, com grupos digitais de apoio coletivo, conteúdos de autoconhecimento e meditações guiadas.
A estratégia é criar um ecossistema no qual o consumidor não apenas compre um produto, mas mantenha um relacionamento recorrente com a marca.
Esse modelo também permite explorar novas fontes de receita e aumentar o consumo de diferentes produtos dentro do mesmo grupo.
Para Vermont, a próxima etapa é desenvolver soluções que também atendam às necessidades das empresas.
"Vejo oportunidades no desenvolvimento de programas de educação emocional, soluções para empresas, iniciativas de prevenção e promoção da saúde mental e produtos que ampliem o acesso à informação e ao cuidado", afirma.
Com o novo aporte, a Topway tenta transformar uma comunidade de consumidores e uma audiência de milhões de seguidores em um negócio de maior escala.
A aposta de Gustavo Rosa é que a combinação de produtos, experiências e influência digital permita à companhia crescer sem depender exclusivamente da venda de suplementos.
"Sem dúvidas, queremos construir um ecossistema de saúde e bem-estar. Suplementação é apenas um pedaço de tudo isso, importante, mas não tudo", afirma o fundador.
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