Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Mundo
23/06/2026
4 min

Líbano e Israel começam a quinta rodada de negociações para cessar-fogo

Líbano e Israel começam a quinta rodada de negociações para cessar-fogo

Sob influência das negociações entre Estados Unidos e Irã pelo fim da guerra, Israel e Líbano iniciaram nesta terça-feira, 23, a quinta rodada de diálogo sobre o próprio conflito, em Washington. Os países do Levante têm aliados das duas potências e ofim dos ataques em território libanês são uma das principais demandas de Teerã nas negociações com o governo de Donald Trump.

O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que o país espera que a nova rodada de conversas seja decisiva para alcançar um acordo. “Hoje, e nos próximos dias, iniciamos uma nova rodada de negociações, que esperamos seja decisiva para alcançar o que desejamos para o bem de nossa nação e de nosso povo”, declarou em publicação nas redes sociais.

Segundo o Departamento de Estado americano, as negociações reúnem representantes militares e políticos dos dois países e têm como objetivo avançar em um acordo amplo de paz e segurança.

O conflito teve início quando o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, lançou ataques contra Israel em apoio a Teerã. A ação desencadou ofensivas aéreas e terrestres israelenses que deixaram mais de 4 mil mortos no Líbano, segundo autoridades locais ouvidas pela Reuters.

Desde abril, quatro rodadas de negociações entre os dois países não produziram um acordo definitivo de cessar-fogo. O período de maior redução nos confrontos ocorreu após o entendimento entre Estados Unidos e Irã, que estabeleceu a interrupção dos combates em diferentes frentes do conflito, segundo a agência de notícias.

Os ataques no Líbano têm tensionado a relação entre o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e Donald Trump. O republicano criticou a continuidade das ofensivas das forças armadas de Israel e afirmou que a Síria deveria conduzir o combate ao Hezbollah.

Novos ataques no Líbano

Apesar do início das conversas, a tensão permaneceu no sul do Líbano. O governo libanês informou nesta terça-feira que dois homens foram mortos por disparos israelenses na região de Nabatiyeh, no primeiro incidente fatal registrado desde o cessar-fogo com o Hezbollah na semana passada.

O Exército de Israel afirmou ter atacado “terroristas” na região. O Hezbollah classificou o episódio como uma violação “flagrante” do cessar-fogo e um “ataque traiçoeiro”.

O líder do grupo, Naim Qasem, exigiu aretirada completa das tropas israelenses do território libanês. “Israel não tem outra escolha senão se retirar completamente de todo o território libanês, sem deixar um centímetro sequer”, afirmou em pronunciamento televisionado.

Irã e Hezbollah

Ainfluência do Irã é um dos principais pontos de tensão nas negociações. Autoridades libanesas afirmam que o acordo entre Washington e Teerã enfraqueceu a posição do Estado libanês, já que o Irã incluiu o Líbano nas discussões sobre o fim da guerra.

O governo do presidente Joseph Aoun tem defendido que apenas autoridades libanesas devem negociar o futuro do país. O líder afirmou que o Líbano não aceitará “tutela estrangeira”, em referência tanto àpresença israelense no sul do território quanto à influência iraniana.

O Hezbollah, por sua vez, rejeita as negociações diretas com Israel e afirma que o governo libanês deveria apostar no caminho diplomático entre Irã e Estados Unidos. O grupo também se opõe ao desarmamento completo, uma das principais exigências israelenses para um acordo de paz.

Trump pressiona Netanyahu

Washington busca consolidar o acordo com o Irã, que inclui a redução dos confrontos no território libanês como uma das condições para uma solução mais ampla no Oriente Médio. Na última semana, Trump criticou publicamente os métodos israelenses e afirmou que não seria necessário destruir prédios inteiros para atingir integrantes do grupo, argumentando que muitos civis vivem nesses locais.

“Você não precisa derrubar um prédio de apartamentos toda vez que procura alguém, porque há muitas pessoas nesses prédios, e nem todas são Hezbollah”,disse Trump durante a cúpula do G7, na França.

O presidente americano afirmou manter uma “grande relação” com Netanyahu, mas pediu que Israel fosse “mais responsável” em relação ao Líbano.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
Distribuído por