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InvestMercadosCMDT
10/09/2026
4 min

Light sai da recuperação judicial após três anos — o que muda agora

Justiça encerrou o processo após concluir que a Light cumpriu o acordo com os credores

Light sai da recuperação judicial após três anos — o que muda agora

A Light, empresa que distribui energia elétrica no Rio de Janeiro, encerrou oficialmente sua recuperação judicial (RJ), pouco mais de três anos após entrar com o pedido, em maio de 2023.

Em fato relevante divulgado na noite de quarta-feira, 9, a companhia informou que a Justiça do Rio de Janeiro decidiu pelo fim do processo após constatar que a empresa cumpriu o acordo feito com os credores.

A decisão foi tomada pela 3ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro, que acompanhava o caso desde 2023.

A decisão também levou em conta os pareceres favoráveis da Administração Judicial, responsável por fiscalizar o cumprimento do acordo, e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Por que a recuperação judicial da Light chegou ao fim

O juiz Leonardo de Castro Gomes considerou um relatório sobre o andamento do acordo feito pela Light com os credores. A fiscalização ocorreu entre junho de 2024 e junho de 2026, quando a companhia cumpriu todos os compromissos que chegaram à data de pagamento, conforme o documento.

Entre os principais pontos estão a conclusão do processo de escolha das formas de pagamento por mais de 27 mil credores com créditos de até R$ 30 mil, a emissão dos novos títulos de dívida previstos no acordo e a reorganização das dívidas da Light no exterior.

Outro passo foi o aumento de capital ligado à renovação da concessão da Light Serviços de Eletricidade, a Light Sesa; a operação colocou R$ 300 milhões na distribuidora.

Documentos que faltavam foram entregues

A companhia teve de entregar documentos como relatórios de 2025 sobre suas debêntures, atas de assembleias, demonstrações financeiras auditadas e cálculos sobre as opções de pagamento oferecidas aos credores.

Depois de receber e analisar o material, a Administração Judicial considerou as pendências resolvidas e confirmou que a Light havia cumprido o acordo. Ainda há quatro disputas envolvendo a definição de créditos que estão chegando ao fim, mas elas não devem mudar o resultado da recuperação judicial.

O que muda para a Light agora

Com o fim da recuperação judicial, a Administração Judicial terá 30 dias para apresentar suas contas. Depois que elas forem aprovadas, o trabalho de fiscalização será encerrado. A decisão também determina que a Light deixe de usar a expressão "em recuperação judicial" em seu nome nos registros oficiais da empresa.

Um edital também será publicado para informar credores e outros interessados sobre o fim do processo. Apesar do encerramento da RJ, algumas etapas do acordo ainda continuam, como a conversão de determinadas debêntures em ações e do exercício de bônus de subscrição, que seguirão os prazos definidos no plano.

Por que a Light entrou em recuperação judicial

A Light entrou com o pedido de recuperação judicial em maio de 2023, depois de contratar, cerca de três meses antes, a assessoria financeira Laplace para negociar com seus credores.

Na época, a empresa informou que tinha cerca de R$ 11 bilhões em dívidas que poderiam ser renegociadas. Desse total, R$ 7 bilhões estavam em debêntures e R$ 3,1 bilhões em títulos de dívida emitidos no exterior.

A companhia disse que sua situação financeira havia piorado, mesmo com negociações em andamento com parte dos credores. Um dos problemas era que alguns grupos não queriam assinar acordos de confidencialidade, e isso dificultava reunir os credores em uma mesma negociação.

Gestoras como JGP e AZQuest, que somavam R$ 4,7 bilhões em créditos, chegaram a se organizar para pressionar a Light antes do pedido de recuperação.

Nelson Tanure também entrou na disputa

A crise também atraiu o empresário Nelson Tanure, que se tornou acionista relevante da Light naquele período. Tanure chegou a propor um aporte de mais de R$ 1 bilhão na companhia por meio de um aumento de capital. Ele também pediu uma assembleia para trocar integrantes do conselho de administração e da diretoria.

Antes do pedido de recuperação, as agências de classificação de risco já vinham reduzindo as notas da Light, indicando aumento do risco de a empresa não conseguir honrar suas dívidas. A Fitch chegou a estimar que o grupo precisaria de até R$ 1,8 bilhão em financiamentos em 2023 e de pelo menos R$ 1,5 bilhão em 2024.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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