Light sai da recuperação judicial após três anos — o que muda agora
Justiça encerrou o processo após concluir que a Light cumpriu o acordo com os credores

A Light, empresa que distribui energia elétrica no Rio de Janeiro, encerrou oficialmente sua recuperação judicial (RJ), pouco mais de três anos após entrar com o pedido, em maio de 2023.
Em fato relevante divulgado na noite de quarta-feira, 9, a companhia informou que a Justiça do Rio de Janeiro decidiu pelo fim do processo após constatar que a empresa cumpriu o acordo feito com os credores.
A decisão foi tomada pela 3ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro, que acompanhava o caso desde 2023.
A decisão também levou em conta os pareceres favoráveis da Administração Judicial, responsável por fiscalizar o cumprimento do acordo, e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
Por que a recuperação judicial da Light chegou ao fim
O juiz Leonardo de Castro Gomes considerou um relatório sobre o andamento do acordo feito pela Light com os credores. A fiscalização ocorreu entre junho de 2024 e junho de 2026, quando a companhia cumpriu todos os compromissos que chegaram à data de pagamento, conforme o documento.
Entre os principais pontos estão a conclusão do processo de escolha das formas de pagamento por mais de 27 mil credores com créditos de até R$ 30 mil, a emissão dos novos títulos de dívida previstos no acordo e a reorganização das dívidas da Light no exterior.
Outro passo foi o aumento de capital ligado à renovação da concessão da Light Serviços de Eletricidade, a Light Sesa; a operação colocou R$ 300 milhões na distribuidora.
Documentos que faltavam foram entregues
A companhia teve de entregar documentos como relatórios de 2025 sobre suas debêntures, atas de assembleias, demonstrações financeiras auditadas e cálculos sobre as opções de pagamento oferecidas aos credores.
Depois de receber e analisar o material, a Administração Judicial considerou as pendências resolvidas e confirmou que a Light havia cumprido o acordo. Ainda há quatro disputas envolvendo a definição de créditos que estão chegando ao fim, mas elas não devem mudar o resultado da recuperação judicial.
O que muda para a Light agora
Com o fim da recuperação judicial, a Administração Judicial terá 30 dias para apresentar suas contas. Depois que elas forem aprovadas, o trabalho de fiscalização será encerrado. A decisão também determina que a Light deixe de usar a expressão "em recuperação judicial" em seu nome nos registros oficiais da empresa.
Um edital também será publicado para informar credores e outros interessados sobre o fim do processo. Apesar do encerramento da RJ, algumas etapas do acordo ainda continuam, como a conversão de determinadas debêntures em ações e do exercício de bônus de subscrição, que seguirão os prazos definidos no plano.
Por que a Light entrou em recuperação judicial
A Light entrou com o pedido de recuperação judicial em maio de 2023, depois de contratar, cerca de três meses antes, a assessoria financeira Laplace para negociar com seus credores.
Na época, a empresa informou que tinha cerca de R$ 11 bilhões em dívidas que poderiam ser renegociadas. Desse total, R$ 7 bilhões estavam em debêntures e R$ 3,1 bilhões em títulos de dívida emitidos no exterior.A companhia disse que sua situação financeira havia piorado, mesmo com negociações em andamento com parte dos credores. Um dos problemas era que alguns grupos não queriam assinar acordos de confidencialidade, e isso dificultava reunir os credores em uma mesma negociação.
Gestoras como JGP e AZQuest, que somavam R$ 4,7 bilhões em créditos, chegaram a se organizar para pressionar a Light antes do pedido de recuperação.
Nelson Tanure também entrou na disputa
A crise também atraiu o empresário Nelson Tanure, que se tornou acionista relevante da Light naquele período. Tanure chegou a propor um aporte de mais de R$ 1 bilhão na companhia por meio de um aumento de capital. Ele também pediu uma assembleia para trocar integrantes do conselho de administração e da diretoria.
Antes do pedido de recuperação, as agências de classificação de risco já vinham reduzindo as notas da Light, indicando aumento do risco de a empresa não conseguir honrar suas dívidas. A Fitch chegou a estimar que o grupo precisaria de até R$ 1,8 bilhão em financiamentos em 2023 e de pelo menos R$ 1,5 bilhão em 2024.
