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Sacre Investimentos
InvestMercados
22/06/2026
3 min

Lime, de patinetes elétricos, tem apoio da Uber em IPO bilionário nos EUA

Lime, de patinetes elétricos, tem apoio da Uber em IPO bilionário nos EUA

A Lime, empresa de aluguel de bicicletas e patinetes elétricos apoiada pela Uber, pretende alcançar uma avaliação de mercado de até US$ 1,66 bilhão em sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) nos Estados Unidos. A operação chega em um momento de retomada do mercado de capitais, com investidores voltando a demonstrar interesse por novas listagens após um período recente de volatilidade provocado pelos conflitos no Oriente Médio.

A companhia sediada em São Francisco busca captar recursos em uma janela considerada favorável para estreias na bolsa, impulsionada pelo bom desempenho das ações em Nova York e pelo sucesso de ofertas recentes, como a da SpaceX.

A ideia é que o movimento também sirva como um teste para avaliar a disposição dos investidores em financiar empresas de mobilidade urbana, um segmento que ainda enfrenta altos custos operacionais e desafios regulatórios.

Os documentos enviados aos reguladores mostram que a Lime e alguns acionistas vendedores pretendem ofertar cerca de 6,96 milhões de ações, com preço estimado entre US$ 24 e US$ 26 por papel.

A Uber, que liderou uma rodada de financiamento da Lime em 2020, sinalizou interesse em adquirir até US$ 20 milhões em ações na oferta, segundo informações da Reuters. As duas já mantêm integração em alguns mercados de transporte urbano.

Lime tem prejuízos desde a fundação

Embora tenha ampliado sua presença global nos últimos anos, a Lime continua operando sem lucro. Dados divulgados pela Reuters destacam que ela registrou prejuízo líquido em todos os anos desde sua fundação, em 2017.

Apenas em 2025, a empresa reportou perda líquida de US$ 59,3 milhões, apesar de ter alcançado receita de US$ 886,7 milhões, o que é um grande ponto de atenção para os investidores.

Afinal, a rentabilidade dependerá da capacidade de transformar o crescimento operacional em um setor marcado por gastos elevados com manutenção de frota, logística e exigências regulatórias locais, conforme a agência.

Sob o comando do ex-executivo da Uber, Wayne Ting, a Lime encerrou 2025 operando em cerca de 230 cidades distribuídas por 29 países. Esta expansão internacional consolidou-a como uma das maiores plataformas globais de micromobilidade.

Agora, os eventuais recursos obtidos com o IPO serão destinados ao financiamento das operações, à quitação integral das dívidas e a possíveis investimentos ou aquisições de tecnologias, ativos e propriedades intelectuais.

A companhia solicitou listagem na Nasdaq sob o ticker "LIME". A coordenação da oferta ficará a cargo de Goldman Sachs, JP Morgan e Jefferies, entre outros bancos participantes da operação.

Lime no Brasil

Seis meses após expandir suas operações para o Rio de Janeiro e São Paulo, a americana Lime, gigante global de aluguel de patinetes elétricos, anunciou o fim de suas atividades no Brasil em 2020. A decisão inclui também a saída de outras cidades latino-americanas, como Bogotá, Buenos Aires, Montevidéu, Lima e Puerto Vallarta.

Na época, a empresa buscava o enxugamento das operações para alcançar uma sustentabilidade financeira.

“Independência financeira é o nosso objetivo, e estamos confiantes de que a Lime será a primeira companhia da nova geração de mobilidade a atingir lucratividade”, afirmou Brad Bao, um dos fundadores, em comunicado à época.

Apesar de registrar receita bruta de mais de US$ 420 milhões em 2019, a Lime acumulou prejuízo estimado em US$ 300 milhões, segundo o site The Information. O resultado negativo foi atribuído ao aumento de custos com depreciação dos patinetes e à complexa operação de manutenção necessária para manter a frota em funcionamento.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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