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InvestMercados
13/07/2026
5 min

Lionsgate tem melhor trimestre em 12 anos e primeira bilheteria bilionária com 'Michael'

Lionsgate tem melhor trimestre em 12 anos e primeira bilheteria bilionária com 'Michael'

A Lionsgate até recentemente enfrentava uma crise prolongada e vem se recuperando financeiramente. Em maio, a companhia reportou seu trimestre fiscal mais forte em mais de uma década. Agora, o estúdio conquistou sua primeira bilheteria bilionária com "Michael", cinebiografia do cantor Michael Jackson, segundo dados da Rentrak.

O feito representa um novo capítulo na recuperação do estúdio, última grande produtora hollywoodiana a não fazer parte de um conglomerado midiático. O resultado trimestral, vale notar, fechou antes de "Michael" estrear nos cinemas e, portanto, não inclui um único dólar da bilionária cinebiografia.

O trimestre encerrado em 31 de março já havia sido o mais forte da empresa em 12 anos. O próximo balanço será o primeiro a incorporar o desempenho de "Michael", que sozinho se tornou o maior sucesso comercial da história da Lionsgate.

Da crise à recuperação financeira

Até pouco tempo atrás, a Lionsgate parecia caminhar na direção do desmonte. Em 2024, o estúdio lançou 17 filmes e arrecadou apenas US$ 251 milhões nas bilheterias domésticas, resultado 85% inferior ao pico registrado em 2012, quando franquias como "Jogos Vorazes", "Crepúsculo" e "Os Mercenários" ajudaram a companhia a arrecadar US$ 1,72 bilhão.

Com a sequência de resultados fracos, as ações da empresa chegaram a US$ 5,76, o menor patamar desde a pandemia de Covid-19. A leitura predominante em Wall Street e em Hollywood era que a melhor saída para a Lionsgate seria encontrar um comprador, como a Warner fez.

Jogos Vorazes

"Jogos Vorazes": sucesso da franquia ajudou a levar a Lionsgate ao auge da década passada (Divulgação)

O cenário mudou rapidamente. Desde junho do ano passado, as ações da Lionsgate acumulam alta de cerca de 130%. No trimestre encerrado em 31 de março, o lucro operacional cresceu 52% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A receita total avançou de US$ 865,6 milhões para US$ 906,5 milhões, enquanto a companhia passou de um prejuízo líquido de US$ 117,4 milhões para um lucro de US$ 70,2 milhões, equivalente a US$ 0,23 por ação diluída.

O OIBDA ajustado, indicador que mede o desempenho operacional antes de itens específicos, atingiu US$ 165,4 milhões, o maior nível para um trimestre em 12 anos.

A geração de caixa também melhorou. O fluxo de caixa livre ajustado somou US$ 190,4 milhões, enquanto a posição de caixa aumentou de US$ 212,5 milhões para US$ 341,5 milhões em um ano.

Segundo o CEO Jon Feltheimer, a companhia inicia o novo ano fiscal apoiada na força de sua biblioteca de conteúdo e no desempenho de filmes como "A Empregada" e "Michael".

"O leão está rugindo", resumiu Sean Diffley, chefe de pesquisa de mídia e entretenimento do Morgan Stanley, ao The New York Times.

"A Empregada" preparou o terreno

Antes mesmo de "Michael", a recuperação já vinha sendo impulsionada pela divisão de cinema. A receita do segmento cresceu 23%, para US$ 651,9 milhões, enquanto o lucro avançou 39%, chegando a US$ 187,1 milhões.

Grande parte desse desempenho veio de "A Empregada", thriller baseado no livro de Freida McFadden. Produzido por US$ 35 milhões, o longa arrecadou cerca de US$ 400 milhões nas bilheterias mundiais e se tornou o filme Pay One de maior receita da história da Starz, além do maior sucesso de aluguel digital entre produções de desempenho semelhante.

"A Empregada": thriller de baixo orçamento abriu caminho para a recuperação da Lionsgate (Reprodução)

Já a divisão de televisão teve um trimestre mais fraco por causa do calendário de entregas de episódios. Ainda assim, a empresa pretende praticamente dobrar a produção de séries roteirizadas no atual ano fiscal.

"Michael" inaugura uma nova fase

Embora nenhum desses resultados inclua a receita de "Michael", o impacto do filme já é evidente. A produção ultrapassou US$ 1 bilhão nas bilheterias mundiais e tornou-se o maior sucesso comercial da história da Lionsgate.

O filme chegou aos cinemas apenas depois do encerramento do trimestre fiscal, o que significa que nenhum dólar de sua bilheteria aparece no balanço divulgado em maio.

Jaafar Jackson interpreta Michael Jackson no filme 'Michael'

Jaafar Jackson: ator interpreta Michael Jackson no filme 'Michael' (Glen Wilson/Lionsgate/Divulgação)

O estúdio assumiu um projeto estimado em US$ 150 milhões depois que grandes concorrentes recusaram financiá-lo por considerarem arriscadas as controvérsias envolvendo Michael Jackson. A distribuição internacional ficou a cargo da Universal e da Kino Films.

Agora, a Lionsgate prepara continuações tanto de "Michael" quanto de "A Empregada", algo que, segundo analistas, faz da empresa o único grande estúdio de Hollywood a criar duas novas franquias cinematográficas de sucesso no mesmo ano.

Pelos dados do Box Office Mojo, "Michael" ocupa atualmente a segunda maior bilheteria mundial de 2026.

Posição Filme Bilheteria mundial
The Super Mario Galaxy Movie US$ 1.009.599.439
Michael US$ 1.001.690.578
Toy Story 5 US$ 879.072.720

O desafio agora é manter o ritmo

O momento positivo também é atribuído à gestão de Adam Fogelson, que assumiu a divisão de cinema da Lionsgate em 2024. Sob sua liderança, lançamentos como "The Long Walk", "Now You See Me: Now You Don't" e "Michael" ajudaram o estúdio a conquistar cerca de 10% da bilheteria doméstica americana em 2026, participação quase duas vezes maior que a da Warner Bros..

Nos próximos meses, a companhia aposta na sequência de "Jogos Vorazes", além de projetos ligados às franquias "John Wick", "Rambo", "Jogos Mortais", "A Bruxa de Blair", "Dirty Dancing" e novas iniciativas envolvendo "Crepúsculo".

Apesar da recuperação, os desafios permanecem. A Lionsgate segue como o único grande estúdio de Hollywood operando de forma independente e carrega US$ 1,78 bilhão em dívida de longo prazo, além de outros US$ 1,29 bilhão em empréstimos vinculados a filmes e séries. A companhia continua despertando interesse de potenciais compradores, mas, depois da sequência de sucessos recentes e do primeiro filme bilionário de sua história, passou a negociar seu futuro em uma posição muito mais favorável.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
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