Localiza supera 1 mi de contratos digitais e foca em 'nova mobilidade' para crescer
A Localiza recuperou rentabilidade sem depender da queda de juros e transformou a pressão sobre elétricos em estratégia de frota

Em um ano visto como teste de resistência para as locadoras de veículos, com a Selic alta encarecendo a aquisição de frota e impondo desafios de eficiência, a Localiza se destacou, conseguindo recompor rentabilidade apesar do cenário adverso. O retorno sobre capital anualizado chegou a 15,5%, com folga de 5,5 pontos sobre o custo da dívida. O CEO Bruno Lasansky diz que a trajetória de melhora dos números não fica refém do macro. “Uma empresa forte e boa tem que trazer resultado e desempenho em qualquer cenário.”
A companhia recompôs tarifas sem sufocar a demanda, e Lasansky rejeita a ideia de que a estratégia se esgotou: “Temos conseguido manter crescimento de receita e de volumes”. O custo de ter um carro rodando subiu, lembra ele, com juros e valor do veículo mais altos. A resposta veio da combinação de reajuste gradual de preço ao consumidor com ganhos de produtividade e utilização.
A pressão sobre os usados não deixou de existir. O barateamento do carro zero, puxado por reduções de imposto, derruba o preço do seminovo e força a empresa a depreciar mais rápido a frota que já possui. A chegada de marcas chinesas e de elétricos acelera esse movimento.
A Localiza toca a operação de seminovos com rede própria. São mais de 90 mil carros vendidos por trimestre, num ritmo que encurta o ciclo da frota e reduz o risco de estoque encalhado. A Localiza se alia à mesma tecnologia que a pressiona. A empresa fechou a compra de 10 mil híbridos e elétricos da chinesa BYD em dois anos, colocando esses carros no aluguel, na assinatura e nos seminovos.
O investimento na digitalização da experiência do cliente é outra tônica. A retirada digital, em que é possível fazer a reserva pelo app e sair com o carro sem nenhum contato humano, superou 1 milhão de contratos e sustenta a aposta no que Lasansky chama de nova mobilidade.
“Depois de todo esse ciclo de juros e de apreciação mais elevados, a companhia vê uma consolidação também das suas vantagens competitivas”, diz o CEO.


